Marina estava realmente se sentindo muito mais interessada por Robert do que poderia pensar. Ele era muito engraçado e lhe dava uma sensação de que tudo poderia dar certo, ou errado. Tanto faz. Enquanto trocavam sorrisos em plena luz matinal, ela se encontrava em uma situação desesperadora, ela sabia que Robert estava se aproximando o bastante para se tornar obvio o que ele queria, e sinceramente? Marina queria muito aquilo. Queria muito sentir novamente o toque de seus lábios contra os dele. Queria muito sentir aquele tremor interior que lhe fazia subir a autoestima até o céu.
Enquanto se aproximava, Robert tramava aquilo minuciosamente, de forma extremamente milimetrada em etapas. Ele queria beijar Marina, mas o propósito daquele beijo seria mais para fazer com que Caio se afastasse de vez, pois ele sabia que Caio não tinha cara de ser daqueles que desistem fácil, e Robert não queria ter de usar de suas armas mais poderosas. Um beijo seria o suficiente. Apesar de que aquele beijo seria o enlace fatal entre eles, e isso seria realmente interessante - "Huum, realmente uma proposta irrecusável." - pensara enquanto se preparava para momento que definiria a junção de seu futuro com Marina, e a separação total de Caio nessa história.
Seus lábios se entrelaçavam docemente, e Marina sabia que aquele momento estava sendo perfeito até demais. Ela sabia que jamais iria se esquecer desse dia. Robert? Sorria sarcasticamente por dentro, sabendo que estava fazendo um ótimo papel, como sempre. Ele tinha absoluta certeza de que Caio os estava olhando, com olhos arregalados e totalmente paralisado, indignado. Conseguia imaginar que talvez, ele pudesse vir para cima dele tomar satisfações, o que seria fácil de se resolver, ele sabia que Marina tomaria a frente rapidamente e diria: "Você não é mais meu namorado, e eu faço o que bem entender" - Oh. tão previsível, tão ridículo. Palmas para o mundo sem graça de uma cidade do interior.
Marina sentia seu coração estremecer por dentro, formigamentos estranhos já estavam se tornando normais. Um beijo voraz e delicado ao mesmo tempo; Marina sentia que Robert a queria provocar de alguma maneira, e aquilo lhe parecia muito sedutor.
Apaixonante, quem sabe?
(livro online)- Inicie a leitura pela postagem com o título de "Prólogo", pois é a partir daí que inicia-se o livro.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Flagrados pelo Coração (3º Capítulo)
Acordar cedo fazia Caio sentir-se cada vez melhor, como se por algum momento pudesse renovar suas forças para uma nova batalha contra o amor que não deixava brechas quase nunca, ou melhor, nunca. Caio sabia que seria mil vezes melhor se pudesse privar-se do céu e das estrelas, se pudesse se privar do amor que contornava maior parte de seu universo, com certeza ele o faria. Decisões, sempre essas malditas decisões que chegavam de supetão e sem mesmo seu assentimento. "Mas que droga" - pensou dando um soco na perna. Porque essas coisas só aconteciam assim? De um dia para o outro, seu mundo havia feito uma volta inteira, onde nem ele pudera impedir. Enquanto tomava pausadamente sua água sem gás, estava sentado na escadaria central da cidade. Já havia acabado seu primeiro tempo de corrida e estava exausto, às vezes Caio tomava a certeza de que aquilo era uma forma de deixar o vento levar tudo. Aquelas coisas que o faziam sofrer cada vez mais, se era difícil? Ele já estava para considerar impossível. Esticara o braços, tentando arrancar tudo aquilo, todo aquele peso e resgatar sua auto-estima. Caio não conseguia compreender o porque de tudo aquilo, e sinceramente? Ele já estava irritado com tudo aquilo. Irritado com o fato de não conseguir pensar em mais nada além de Marina e seu término recente de namoro. Irritado com o fato de não conseguir decifrar o que realmente a fez querer acabar com tudo, talvez houvessem mais coisas em jogo além da briga de tiveram na noite anterior ao episódio que aterrorizou sua vida e o deixara transtornado, e agora? Agora ele estava sentado na escadaria central, esperando uma luz no fim do túnel que na verdade, não existia. Esperando uma resposta que, na verdade, não tem nem questionamento.
---
Robert e Marina estavam realmente se entendendo, logo depois de alguns minutos de conversa, Marina passara a se soltar e falar de forma mais desinibida, o que no início não ocorrera. Andando em passos curtos e rápidos, falavam sobre coisas cotidianas, e com certeza aquilo estava sendo interessante para ambos os lados.
Sorrisos não eram resguardados de forma alguma, e sim livres pelo ar, como borboletas na primavera. Aquela madrugada estava sendo resgatada, aquela calada da noite onde os dois puderam compartilhar algo mais forte do que lhes era permitido.
-Porque você estava chorando naquela noite? - perguntara Robert, inocentemente.
Aquela pergunta... Aquela pergunta que lhe afligia todos os dias, e que lhe fazia relembrar Caio... Relembrar todos os momentos em que passara junto dele.
-Não era nada demais... - mentira, tentando escapar de tudo aquilo.
Robert achara melhor não tocar mais no assunto pelo bem do relacionamento amigável e sadio que estava se formando entre ambos.
Os dois sabiam que havia um interessante maior envolvido em tudo aquilo.
---
Caio jamais poderia ver a cena que acabara de ver. Não, jamais poderia imaginar que Marina poderia ser tão... Tão baixa. Sim, claro que ela não estava mais namorando com ele, mas depois de tudo o que passaram juntos o mínimo que ela poderia fazer era deixar a poeira baixar antes de sair com outra pessoa logo de cara. Aquele rapaz - Caio sentira seus nervos aflorarem por alguns segundos, e sabia que não poderia agir por si dali em diante. - Aquele rapaz que ele vira quando estava com Marina. Aquele mesmo rapaz que olhara para ela vorazmente, demonstrando descaradamente seu interesse por Marina. "Aquele desgraçado" - pensara, sentindo uma pontada incontrolável de emoções que não poderiam jamais ser explicadas. - não, isso jamais poderia sair impune. - Apertara as mãos, matando aquele cara um milhão de vezes em seus pensamentos.
---
-Você caminha mais rápido do que eu imaginava sabia? - falara Robert, brincalhão.
Marina sentira-se tão à vontade para tudo depois daqueles primeiros minutos, e agora, sentia-se tão leve quanto uma pluma.
- Ah, é? Você achava que eu caminhava como? - indagou imitando irritação.
-Bem devagarinho, passos curtos e praguejando como uma louca. - provocara Robert, sabendo que o que viesse após alguns tapinhas seria lucro.
Marina o olhara, com um olhar travesso que foi rapidamente retribuído. Resolvera entrar na brincadeira. - "Robert? Você está falando sério? - imitara uma voz de quem está extremamente triste e desapontado - Não consigo acreditar que conseguir pensar em mim de uma forma tão cruel. " - finalizou, fingindo secar lágrimas pelo canto dos olhos.
Robert se impressionara com a facilidade de Marina para interpretar sentimentos que na realidade não existiam. A partir daí, Robert sabia que eles eram mais parecidos do que ele imaginara. Enquanto gargalhava com Marina, conseguira avistar Caio por perto sentado na escadaria central, onde ele costumava ficar por alguns fins de tarde, e sinceramente? Amou a ideia de conseguir beijá-la antes que ele saísse dali sem poder aproveitar o show. Tadinho, imagine só que lamentável não seria, não acha? Ele precisava muito daquele beijo, e ele lhe seria presenteado. Mas claro que seria, como forma de agradecimento por deixar Marina para ele.
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Robert e Marina estavam realmente se entendendo, logo depois de alguns minutos de conversa, Marina passara a se soltar e falar de forma mais desinibida, o que no início não ocorrera. Andando em passos curtos e rápidos, falavam sobre coisas cotidianas, e com certeza aquilo estava sendo interessante para ambos os lados.
Sorrisos não eram resguardados de forma alguma, e sim livres pelo ar, como borboletas na primavera. Aquela madrugada estava sendo resgatada, aquela calada da noite onde os dois puderam compartilhar algo mais forte do que lhes era permitido.
-Porque você estava chorando naquela noite? - perguntara Robert, inocentemente.
Aquela pergunta... Aquela pergunta que lhe afligia todos os dias, e que lhe fazia relembrar Caio... Relembrar todos os momentos em que passara junto dele.
-Não era nada demais... - mentira, tentando escapar de tudo aquilo.
Robert achara melhor não tocar mais no assunto pelo bem do relacionamento amigável e sadio que estava se formando entre ambos.
Os dois sabiam que havia um interessante maior envolvido em tudo aquilo.
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Caio jamais poderia ver a cena que acabara de ver. Não, jamais poderia imaginar que Marina poderia ser tão... Tão baixa. Sim, claro que ela não estava mais namorando com ele, mas depois de tudo o que passaram juntos o mínimo que ela poderia fazer era deixar a poeira baixar antes de sair com outra pessoa logo de cara. Aquele rapaz - Caio sentira seus nervos aflorarem por alguns segundos, e sabia que não poderia agir por si dali em diante. - Aquele rapaz que ele vira quando estava com Marina. Aquele mesmo rapaz que olhara para ela vorazmente, demonstrando descaradamente seu interesse por Marina. "Aquele desgraçado" - pensara, sentindo uma pontada incontrolável de emoções que não poderiam jamais ser explicadas. - não, isso jamais poderia sair impune. - Apertara as mãos, matando aquele cara um milhão de vezes em seus pensamentos.
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-Você caminha mais rápido do que eu imaginava sabia? - falara Robert, brincalhão.
Marina sentira-se tão à vontade para tudo depois daqueles primeiros minutos, e agora, sentia-se tão leve quanto uma pluma.
- Ah, é? Você achava que eu caminhava como? - indagou imitando irritação.
-Bem devagarinho, passos curtos e praguejando como uma louca. - provocara Robert, sabendo que o que viesse após alguns tapinhas seria lucro.
Marina o olhara, com um olhar travesso que foi rapidamente retribuído. Resolvera entrar na brincadeira. - "Robert? Você está falando sério? - imitara uma voz de quem está extremamente triste e desapontado - Não consigo acreditar que conseguir pensar em mim de uma forma tão cruel. " - finalizou, fingindo secar lágrimas pelo canto dos olhos.
Robert se impressionara com a facilidade de Marina para interpretar sentimentos que na realidade não existiam. A partir daí, Robert sabia que eles eram mais parecidos do que ele imaginara. Enquanto gargalhava com Marina, conseguira avistar Caio por perto sentado na escadaria central, onde ele costumava ficar por alguns fins de tarde, e sinceramente? Amou a ideia de conseguir beijá-la antes que ele saísse dali sem poder aproveitar o show. Tadinho, imagine só que lamentável não seria, não acha? Ele precisava muito daquele beijo, e ele lhe seria presenteado. Mas claro que seria, como forma de agradecimento por deixar Marina para ele.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Dias Gloriosos (3º Capítulo)
O dia amanhecera com leves brisas, o céu se intercalava entre avermelhado e laranja, dando um ar magnífico para caminhar, e era exatamente isso que pretendera fazer, aliás, era o que iria fazer. Levantara-se devagar, despedindo-se do conforto de sua cama, onde o calor habitava para sempre nas noites mais frias. Espreguiçou-se indo em direção ao banheiro, escovando os dentes e arrumando-se de acordo com seu objetivo. Colocara uma calça de moletom acinzentada e uma blusa branca; Marina não podia negar que não se sentia mal em relação à si mesma, ela inclusive gostava de admirar seu corpo bem definido ao espelho, mas também sabia que por questões de saúde, precisava tirar a preguiça e mudar um pouco a rotina.
Enquanto tomava uma batida de frutas, Robert se preparava para fazer seu exercício matinal, e com certeza estava acostumado a fazê-lo sempre. Robert não tinha tendencia a engordar, mas gostava de se manter com o corpo firme e musculoso, e o que mais lhe irritava era às vezes acabar se entregando por um hambúrguer e batatas fritas. Quem não se entregaria? Enquanto se alongava com uma regata vermelha e calças de abrigo totalmente cinzas, pensava em como sentia falta de sair com algum grupo. Sair para 'se divertir' - dera um ar cínico.
Se lembrara da ultima vez que saíra com alguns parceiros, como gostava de se referir.
Saíram em busca de garotas, e nem que tivessem de pagar, iriam encontrar alguém naquela noite, ou melhor, madrugada. Eles conseguiram e a pegaram para a noite inteira, era realmente... - "Gostosa" - pensou. Robert não podia negar que era um tanto quanto malicioso em suas colocações, e sinceramente? Não era nem um pouco santo. Isso ele poderia afirmar com exito, e todos acreditariam facilmente.
Não era fácil acreditar no que seus olhos viram ao sair de casa, mas Marina achara um tanto quanto empolgante. Ela sabia que estava nervosa e sentira uma certa agitação indomável.
Robert estava saindo do portão, enquanto trancava o mesmo pensava que depois iria ter que conversar com seu pai a respeito do almoço - "Aquele velho precisa entender que não é assim que funciona, todos os dias vou ter de comer comida enlatada? Morra então." - pensou.
Marina saíra correndo com intenção de alcançá-lo, sentira borboletas na barriga ao chegar no portão e ver que...
-Marina? Acordada essa hora da manhã? - dissera Robert, sentindo-se cúmplice de seus sentimentos, sentindo que agora tudo começaria a dar certo. Suas mãos tremeram e ele não podia deixá-la escapar.
Marina se encontrava em uma situação complicada, onde seu nervosismo não lhe deixava parar de gaguejar.
- Ah. O-o-oi... Oi. - dissera encabulada, colocando os cabelos para trás da orelha, olhando em direção a qualquer coisa que não a deixasse mirar Robert.
Ele fora até o portão de Marina, que até então não sabia onde era, e por sinal, a sorte estava ao seu lado, pois a casa de Marina batia de frente com a dele. - "Como não a vi antes?" - indagou a si mesmo.
- Vai caminhar também? Se for, poderíamos ir juntos. - dissera com um ar descontraído, como se não tivesse intensões planejadas.
-"Caminhar com ele? Ai meu Deus, o que faço agora?- pensou enquanto sentia seu corpo se desvanecer por alguns segundos.
-Sim, e-e-u vou caminhar algora. - dissera tão acelerada quanto seus batimentos cardíacos.
Robert tentara não rir da situação em que se encontrava. Ele estava com uma menina bonitona, gaguejando e perdendo-se ao falar com ele. Não era a primeira vez, mas dessa vez ele vira de outro ângulo, e aquilo lhe deixou com vontade de rir, e não de se demonstrar mais sedutor, como antigamente.
Robert e Marina já estavam caminhando e com certeza, estava sendo um pouco constrangedor para ela, pois não conseguia se soltar e falava tudo errado sem querer, seu nervosismo estava atrapalhando tanto, que por hora, queria se enterrar em qualquer buraco de lama, poça d'água. Qualquer coisa que a fizesse se sentir melhor.
- Mas então Marina, fazia tempo que não nos víamos, eu nem sabia que sua casa era de frente para a minha, entretanto que estou até agora questionando o porque e como não tenhamos nos visto de novo.
Isso era verdade, Marina também se questionara sobre esse aspecto.
-Verdade, me questionei sobre isso também, e com certeza foi algo estranho - dissera sorrindo, e estranhamente mais calma.
-Você caminho todas as manhãs? - indagou Robert.
-Na verdade, hoje estou recomeçando, antes eu caminhava sempre com o Caio, mas desses meses pra cá a preguiça tem tomado conta de mim. - dissera se perguntando porque falara o nome de Caio. Não, jamais poderia cogitar ele na história.
- Ah. Sim, caminhava com seu namorado, então? E agora resolveu retomar sozinha?
Marina não esperava por uma pergunta dessas, ficara um pouco nervosa.
-É que... - hesitou, demonstrando estar meio sem graça com o assunto. - Caio não é mais meu namorado, terminamos desde aquela noite em que nos encontramos.
Aquilo era perfeito, Marina havia terminado com Caio e então Robert não precisaria usar de suas forças para provocar o incidente. Se sentira feliz como nunca por não ter de pensar em mais nada durante essa jornada, a não ser em como abordar Marina para um novo beijo, quem sabe? Afinal, a atração que sentiam um pelo outro era inegável.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Tempestade de Reações (3º Capítulo)
Sentado em sua cama, analisando toda a sua trajetória com Marina, Caio estava um caco. Estilhaçado por sua cama como um homem qualquer, sem saber bem definir o vazio que sentia, e o pressentimento ruim que andara tendo durante esses dias tão demorados e cheios de angústia. Ele sentia raiva de si mesmo por não esquecer Marina; por não conseguir apagá-la e recomeçar como todas a pessoas fazem.
Passou a mão pelos cabelos rapidamente, perguntando-se o porque tanta desgraça em sua vida. Será que havia atirado um encruzilhado de pedras na cruz? Havia ele tomado as mesmas dores e feito trocadilhos a respeito de Deus e seus princípios?- "Não matarás! - não, não matei ninguém ainda." - conferiu. - " Não darás falso testemunho!".
Lembranças.
7 anos. Escola no interior da mesma cidade onde residia.
- Qual é a sua Caio? Não vai querer estragar tudo né? A gente bateu nele sim, mas se você abrir o bico, apanha também. - dissera Roger, o valentão da turma, na época.
Caio havia visto a briga na hora do recreio, toda a turma fora chamada para 'depor', na época, como os alunos eram conhecidos e estavam recém cursando o primeiro ano, era assim que funcionava.
-Caio Oliver, por favor comparecer na diretoria imediatamente. - falou a coordenadora, Srta. Flourença.
Sentira suas mãos estremecerem, e assim, fora em direção à salinha da diretora. Uma sala bonita e bem organizada, com paredes brancas, mas uma era vermelha, da cor da camiseta da escola. Sentara-se no sofá da salinha de espera onde logo, a diretora chamou seu nome. O outro aluno saiu da sala imediatamente e Caio entrou com olhar apreensivo, ele tinha algo para confessar, mas sabia que se confessasse, iria sofrer muitos machucados após. Sentou-se na cadeira em frente a diretora, que o olhava seriamente, o fazendo sentir que poderia gaguejar em meio às palavras, ainda mais contando com o fato de que ele estaria mentindo. Dando um falso testemunho.
"Falso Testemunho" - aquilo fizera Caio despertar de seu devaneio por entre suas lembranças. Naquele dia, ele mentira para a diretora a respeito da briga, dissera não ter visto nada, afirmou e jurou por si mesmo. Deus estava o castigando agora. - "Que negócio é esse? Olhe no que estou pensando? - riu de si mesmo - que ridículo".
Caio estava realmente procurando algo que pudesse explicar o que ocorrera em sua vida, em seu namoro. Seu chão caiu e qualquer coisinha poderia ser a desculpa mais perfeita para que pudesse recomeçar. Inclusive uma mentira na escola, aos 7 anos.
Levantara-se devagar, um pouco sonolento. Queria comer alguma coisa enquanto escrevia alguns cronogramas de corrida. Caio agora passara a correr todas as manhãs. Corria durante uma hora sem parar, então logo após, sentava na escadaria principal da cidade, visualizando como os dias são bonitos quando acordamos cedo, logo após comprava uma água por qualquer comércio das redondezas e corria por mais uma hora. Durante esse tempo de corrida, sentia aquele pesadelo todo se desvanecer por dentro de si, o fazendo esquecer que tudo aquilo era real. Por algumas vezes, esquecia-se que havia chegado ao fim de seu namoro e então planejava passar na casa da Marina para matar a saudade. Tristeza. Sim, alguns segundos depois se abatia pelo fato de lembrar-se que tudo aquilo havia passado. Marina não iria recebe-lo com um sorriso e um abraço. Com um beijo. Ela era a primeira menina que, nunca havia se desfeito de o abraçar pelo fato de estar suado, sujo. Terrivelmente inceitável em questão de etiqueta. Quando ele passava na casa dela depois das corridas, ela corria em sua direção sorrindo, parecia que não se viam por décadas. - "Amor, que surpresa" - gritava. Então o abraçava rindo. - "Estava correndo?" "Sim querida, resolvi passar aqui para lhe dar um beijo e ir tomar banho, vamos tomar um sorvete hoje de tarde?" - seu sorriso lhe deixava sem folego - "Claaaaaaaro" - dizia empolgada mas com a voz suave ao mesmo tempo, enquanto lhe enchia de beijos sem parar.
Como num passe de mágica. Puft. Se encontrou sozinho, preparando um misto e um suco de laranja. Sentiu sua garganta arranhar por dentro. A saudade bateu. As lágrimas caíram sem que ele pudesse nem ao menos tentar evitar.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Decisões. (3º Capítulo)
Sentado no banco de seu carro, enquanto virava a chave para dar partida, sentira pontadas de insegurança invadirem seu eu. Como ladrões da noite, que sem medo, andam em passos largos levando tudo o que puderem. Havia marcado com com o tal de Dr. Holler, lá por umas 15hs30, mas sinceramente? Não sabia porque, mas não se sentia preparado para encará-lo de frente. Afinal, o que ele iria pensar? - "Oh. mais um par de chifres para me dar um belo de um lucro." - Seria ele, frio o bastante?
Correndo o percurso, Petterson não poderia descartar a hipótese de voltar para casa com seu dinheiro, com sua auto-estima remunerada fingindo estar tudo bem, desprezando assim, toda sua falta de confiança em Lindsay. Mas sua mente estava rebelando-se contra ele, por debaixo dos panos. Mas iria ele parar no meio do caminho? Não. Jamais. Petterson precisava saber o que estava acontecendo, apesar de todos os rodeios que dera no início, resolveu desprezar a si mesmo e a seu querido bolso, que iria ter de lhe garantir $5.000.
Sentado na sala de espera, devaneava enquanto não estava em seu horário de ser atendido. Os minutos se passaram rapidamente.
- Sr. Wakcher, por favor, se dirija para a segunda sala à direita, após o corredor.
Robert estava nervoso, e sua expressão o demonstrava nitidamente do quão inseguro estava.
Enquanto adentrava pela sala, pode ver um homem bem vestido, numa faixa dos quarenta. Ele bebericava um pouco do que lhe parecia ser café.
- Oh. Sim, Sr. Wakcher, sente-se por favor. - dissera apontando para uma cadeira em frente à sua mesa de trabalho.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Planejamentos. (3º Capítulo)
"Qual é? O que eu estou fazendo aqui? Robert, você está louco ou o que? Pois, afinal, a um tempo atrás só estava querendo planejar algo interessante para fazer na madrugada, e agora? Agora você está sentado em uma escadaria, sem fazer nada a não ser pensar em Marina. Marina. Essa garota ainda me paga". - sentira uma raiva invadir seu interior, mas rapidamente se esvaiu ao lembrar de como seus cabelos davam um belo contraste com sua pele. E seus olhos? Ah, seus olhos eram o toque final da perfeição. Ele sabia que precisava encontrar Marina, a cidade era pequena e não havia como não se esbarrarem, apesar de tudo, os dias passavam e nada de Marina chegar, nada daquele beijo. Aquele beijo. Jamais Robert poderia esquecer de como aquela explosão de emoções lhe fez bem, e de como dormiu bem naquela noite. E agora, ele estava lá, apaixonado por ela, mas não era algo arrebatador, existia muita atração física entre os dois. Robert não poderia negar que era um tanto quanto. Não vamos ser humildes quando se trata de beleza, ok? - Ele era bonitão, o estilo bad boy que pegava quem queria, quando queria e sempre que queria. E agora? Ele iria fazer isso também, e seria assim. Levantara-se da escada, desejando caminhar por aí e esbarrar com aquela garota dos cabelos pretos e olhos claros. Não tão claros, mas claros o bastante para contrastar e dar uma beleza exótica para com seu rosto. Marina. Ela era essa menina da qual gostaria de se esbarrar por aí, e então deixar cair alguns papéis, e ela. Como a boa cidadã que é, iria ajudá-lo a juntar os papeis, sendo assim, iriam se olhar novamente e então se reconhecerem. Ele iria chamá-la para tomar um sorvete e ela aceitaria, pois quem recusaria uma proposta dessas, com ele? Ninguém em sã consciência faria isso. Então seus olhos iriam brilhar e eles iria se aproximar cada vez mais. Um beijo. Aquele beijo que lhe dava calma, amor. Aquele beijo que ele lembrava toda hora... "Qual é Marina, não dá pra dar um tempo não?" - pensara.
Não se sabia ao certo o que iria acontecer, mas de uma coisa, ele tinha certeza, precisava resolver isso antes que todos seus planos fossem devorados por tsunamis. Tsunamis da paixão. Tsunamis de desespero por não conseguir encontrá-la outra vezes, bastava-lhe um olhar para que seu dia voltasse a ter aquele sol.
Marina estava em casa, e realmente transtornada. Sabia que as consequências não seriam poucas, e durante longas horas do dia, pegara seu celular. Ousando em tentar ligar para Caio e dizer que nada fora real. Que ela estava realmente confusa. Fracassou como um senhor das redondezas, que começara a ter visões falando que se tentasse ressuscitar os mortos com apenas batidas de palma em cada túmulo durante 2hs, eles iriam reviver. O senhor era realmente perturbado, as notícias saíram até no jornal. Passara meses o fazendo, e as vezes, passava um dia inteiro batendo palmas para somente um túmulo. Fora enviado para um manicômio, pois não comia direito e começara a agir como indigente. Sua família resolvera assim. Acharam o mais certo a se fazer. - Marina riu ao lembrar-se de quando leu esta notícia. Estava sentada no sofá, seus pais na cozinha terminando o almoço, e Caio. - "Caio" - aquilo ecoava em sua cabeça, lhe dando tristeza. Mas ao mesmo tempo, sentira algo tão bom ao lembrar-se de como riram juntos com aquilo. Na maior parte das tardes, ele ia para a casa dela e eles liam juntos tudo o que podiam, inclusive notícias bizarras, o que lhes fazia rir de doer a barriga e faltar a respiração, então logo após ele a abraçava levando-a para mais perto de si. Caio amava vê-la rir, era algo tão espontâneo. Ele a amava. - "Marina, pare, não posso amá-lo. Não devo amá-lo." - pausara com raiva de si mesma por não conseguir esquecê-lo de jeito maneira. Robert, ele era por quem deveria procurar.
Marina sentia saudades daquele dia em que conhecera Robert, aquele garoto charmoso que lhe chamou atenção de longe. Aquele garoto charmoso que lhe fez tão bem naquele dia triste. Aquele que lhe compreendeu no momento em que mais precisava. Um beijo. Aquele garoto. Aquele beijo... Mas que droga é essa? Faziam semanas que não o encontrava, que não se esbarravam. Faziam dias que ela não via aqueles olhos azulados tão cheios de segredos que não conseguia desvendar. Aquele olhar tão enigmático e que lhe passava tanta fixação, confiança e devoção. Marina sabia que precisava encontrá-lo de forma ou de outra, mas não o deixaria passar. - pegara mais um pouco de chocolate. - Enquanto olhava algo na televisão, pensava em como precisava voltar a dar caminhadas pela manhã como fazia com Caio algumas vezes.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Triângulo Amoroso. (3º Capítulo)
Forte. Muito forte, para poder carregar consigo toda uma vida mentirosa. Para poder desenfrear palavras sem medo. Ela tem medo, medo de ficar só. Medo de se entregar ao seu universo corrupto, seu universo cheio de desestruturas, rejeição. Porque mentir? Fugir da realidade, como qualquer executivo que pela vigésima vez, está arrumando as malas. E então sair voando por aí, as palavras são suas asas. Seu abrigo? A mentira, que soa como um sino forte de desgosto, de perdição. Manchas que se alastram sem medo e se opõe ao universo, desviando-se de qualquer coisa que possa ser boa.
Lindsay sabia que levava uma vida de faixada, afinal, ninguém jamais imaginaria que a 'senhorita-bem-resolvida', poderia ter um caso com Marcos e namorar Petterson ao mesmo tempo. Porque estava fazendo isso? Sendo que Petterson não poderia ser melhor. Ou poderia? -parou por um momento, analisando se havia algo inapreciável em seu relacionamento com Petterson.- Claro que há. Eu. - decepcionara-se consigo mesma." Eu, a traidora. Eu, pior ladra que pode existir. A que sequestra corações nas caladas da noite. A que machuca a si mesma. Eu; O erro que poderia ser evitado."- pensara. Lindsay sabia que estava errada, mas não podia deixar de amar Marcos. - "Marcos" - sentira a raiva pulsar por suas veias, ele era o autor principal. O pior cúmplice que poderia haver. O mais rídículo e trapaceiro. - prendera a respiração e apertara forte as mãos, estava com raiva. - "O culpado de tudo. Sim, ele é o culpado. Eu? Eu sou uma pobre vítima que caí nas garras da madrugada sem fim, que caí nas garras de um arranha céu que nunca acaba. Eu? Lindsay? Jamais em sã consciência iria trair meu querido Petterson, o homem com quem posso ter uma vida estável. O homem com qual posso contar sempre, mas não, eu precisava me deixar levar. Eu? Ops, eu não. Eu fui raptada pela escuridão que me cercou; Fui raptada pelo desejo. Eu não fiz nada. Nada. " - Tentara se consolar em seus pensamentos.
Marcos era o culpado de toda essa desordem, mas no fundo, ela sabia que também fazia parte do jogo e que se entregasse os pontos, jamais sua vida seria igual. Jamais poderia tomar um café da tarde ao lado de seu amor. Sim. Seu amor, Petterson. O homem que ela amava. Não. Sim? Diabos! O que seria essa vida? O que é isso? Um triângulo amoroso. O pior triângulo que poderia existir. - suspirou por uns momentos, tentando tirar esse pensamento do ar - "Triângulo amoroso! - sorriu, gozando de si mesma - que ridícula hipótese, Lindsay!" - pensou. Ela jamais poderia aceitar isso em sua vida.
Petterson estava sentado, na varanda de sua casa, imaginando se por algum momento, sua vida poderia ser mais turbulenta. -"Dr. Holler... Dr. Holler" - aquilo matutava em sua cabeça por horas, e realmente, ele estava decidido.
Depois de esperar alguns minutos, conseguira obter a conversa que tanto desejava com o dito cujo, que tinha uma voz capaz de dar pesadelos. Voz forte, imponente. Mas com um tom que demonstrava ser prestativo, e que sabe muito bem como trabalhar e deixar um cliente satisfeito. "5 mil reais Petterson... 5 mil reais" - dissera a si mesmo mentalmente. Não era pouco. Petterson tinha uma vida estável, dava para esbaldar um pouquinho, sair da linha quando bem entendia. mas '5 mil' de uma vez? Talvez não fosse tão necessário. Coisas da cabeça de Petterson, quem sabe. - Levantara-se rapidamente, indo até a cozinha encher seu copo com um pouco mais de limonada, tentando assim, acalmar os nervos.
Abrindo Horizontes. (3º Capítulo)
Petterson estava decidido, apesar de passar meses matutando em tal possibilidade. Sentia aquela duvida impetuosa entrando dentro de si como um nevoeiro em época errada. Como um nevoeiro que te congela por dentro, congela tudo, menos o medo. Medo. Sim, medo de não poder mais sentir as brisas e não ver mais o sol brilhar. O amor brilhar. Medo de não poder seguir a penumbra das estrelas e tocá-las. Voar pelo céu. Mãos entrelaçadas e bocas juntas. Medo de perder tudo. Lindsay era o tipo de mulher que todo o homem quer, e ele sabia que além dele, existiam muitos de olho nela. Petterson tinha medo do que poderia descobrir, mas também não poderia ficar naquela situação de duvida que o corroia por dentro cada vez mais. Olhara para aquele cartão, e sabia que o que estava fazendo poderia colocar em risco toda a sua vida. - " Detetive Particular, Dr. Holler".
Petterson não sabia mais para onde recorrer, ele jamais imaginara que chegaria à esse ponto. Revirava algumas coisas, buscando refúgio. Tentando se desfazer dessa desconfiança, tentando dizer para si mesmo que não seria mais necessário. Tentando se conformar com a duvida que o apertava a garganta a cada pensamento, sobre Lindsay. Ele e Lindsay. "Petterson, cale a boca, Lindsay jamais o trairia. Jamais. Você é atencioso, sempre segue o ritual de bom moço. A leva para jantar, fala o quanto a ama e escuta com atenção cada coisa que ela lhe conta. Detalhe por detalhe. E depois, no fim da noite, demonstra todo o romantismo que pode existir, lhe levando para casa e então sentindo o compasso das estrelas brilhando a cada batida, a cada melodia. A cada respiração ofegante. Sentindo o calor que o amor pode dar, e a calmaria que a penumbra da noite sempre transpassa, em sintonia com o ritmo das brisas". - pensara repreendendo sua dúvida sobre a fidelidade de Lindsay.
Enquanto discava o numero em seu celular, sabia que estava fazendo algo que poderia acabar com tudo. Acabar até mesmo com a admiração e amor que sentia por Lindsay.
- Agência de detetives particulares, bom dia - dissera uma mulher com a voz, digamos que poderia se considerar aceitável.
- Bom dia, gostaria de falar com Dr. Holler, ele está?
- Espere uns minutinhos, preciso ver se ele está disponível.
-Tudo bem.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Retalhos do Fim (3º Capítulo)
"I need to rest in arms keep me safe from harm..."- escutar Robie Williams não era uma boa pedida, mas acredito que quando estamos tristes, sempre procuramos musicas com a mesma intensidade. Musicas que relembrem fatos, e que nos façam chorar. Lavar a alma enquanto a melodia toca. Ventos. Ventos que não falavam por si. Ventos da lembrança.
(1 ano antes).
Era uma noite fria de inverno, tudo o que Marina menos queria era sair de casa, preparava alguns chocolates quentes para algumas amigas, que lhe insistiam para resolver a sua situação com Caio. Ela realmente gostava dele, e o achava muito bonito, simpático... Fofo, só que isso ela não falava para ele, afinal, nenhum menino gosta de ser chamado de 'fofo'.
-Amiga, fala com ele. Você sabe muito bem que se você não quiser, nós queremos.-Isabella fez um bico, em sinal de tristeza.- Mas nem adianta muito, porque ele só quer você. - então as outras garotas começaram a rir e jogar almofadas uma na outra.
Marina sabia que ele era do tipo apaixonado. O que com certeza contavam uma boa quantidade de pontos entre eles.
-Parem meninas, eu sei que ele é lindo ok? Hoje ele me trouxe pra casa depois da aula. - Marina suspirou durante alguns segundos lembrando do ocorrido.
Laura batia palminhas - E aí? E aí? O que aconteceu? - dissera super empolgada.
Náuseas, medo, sufoco. Aquelas lembranças faziam com que transbordassem rios dos olhos de Marina, que estava totalmente inconformada com tudo aquilo. Ela sabia que naquele dia, dera seu primeiro beijo, com o menino que ela amava. Sim. - "Eu não o amo mais, ok? Cérebro, pare de discutir comigo um assunto que já está encerrado" - pensou, enquanto as lembranças vagavam por sua mente, no quanto ele foi delicado em cada passo. Em cada toque. Seus lábios se selaram vagarosamente, de uma forma romântica e sincera. Apaixonada. E ela poderia sentir de A a Z, que ele era perfeito. Corações caindo na beirada da calçada. Confetes de amor. Confetes que precisavam ir embora. Confetes que não existem mais, e não vão existir de novo. - secou sua lágrimas bruscamente. - Marina precisava descobrir sobre Robert. Robert era interessante e ela queria saber o que ele tinha à esconder.
Perto dali. Mas não tão perto assim, estava Robert, sentado em uma escadaria publica que lhe dava uma visão ampla da cidade. Talvez fosse errado procurar por Marina sendo que corria grande risco de não encontrar nada a respeito dela. Deveria ir até sua casa? Ele sabia que ela morava na mesma rua que a de seu pai, ou dele. Tanto faz. Mas ele sabia que estava perto dele de alguma forma, o que era bom. Muito bom - pensara maliciosamente.
terça-feira, 26 de março de 2013
Dores Incuráveis (3º Capítulo)
Aquilo não poderia estar acontecendo. Enquanto andava de um lado para o outro, questionava se o que ocorrera há algumas horas atrás era realmente verídico. Caio custava para processar que Marina simplesmente o deixara. Sem dó. Sem piedade ou temor. Olhava algumas coisas dela, cartas espalhadas pelo chão. Sim. Pelo chão, para demonstrar devoção. Para demonstrar angústia. Para demonstrar o amor que ele tanto lutara para construir e que do nada. Do nada. Tudo acabou, simplesmente assim. Puft. O sonho encantado terminou, está na hora de voltar para realidade nua e crua, ou cruel. Tanto faz. Pegava cartas e mais cartas. Lágrimas. Medo e mãos trêmulas de tristezas, e choros angustiados.
"Caio, meu amor, prometa para mim que jamais irá desistir de mim. Mesmo que seja difícil. Eu amo você querido" - leu o inicio de uma de suas cartas para ele. "Meu amor? Então porque me deixou, se eu era o 'seu amor'?"- pensara. Caio sentia seu mundo desabar como se pudesse amarrotar-se em si mesmo. Como se pudesse sentir seu próprio peso cair por seus ombros. Seus olhos vermelhos, inchados e prontos para deixar cair mais uma lágrima. E mais uma. E mais uma. "Droga" - dissera enquanto secava seu rosto com um pano qualquer, tentando amenizar e retirar qualquer registro de choro. Sua mãe jamais poderia saber desse momento, ele até já pudera imaginar a cena - "Oh sim, meu filho esses dias estava chorando, vocês acreditam? Eu não sei o que deu nele. Oh, desculpem garotas, aceitam mais um pedaço de bolo com uma xícara de chá?". Sua mãe jamais perderia a oportunidade de contar algo novo para suas amigas, e o que ele menos queria, eram boatos sobre ele. Principalmente, sobre ele estar chorando. Pegou aquelas cartas, colocou-as de volta em uma caixinha e as escondeu de si mesmo, prometendo-se que não as procuraria mais, de forma alguma.
Caio sabia que mesmo que não quisesse, ele amava Marina, e não procuraria ninguém. Marina era seu único e primeiro amor, aliás, ele também prometera a ela que não desistiria, como naquela carta.
Cenas. Cenas de terror e medo. Dor. Desespero. - "Acabou, eu não quero mais você" - foram as ultimas palavras de Marina até ele se lançar para fora, refugiando-se de. Lágrimas. Lágrimas surgem em seus olhos, inundando-os. Fazendo tempestades em alto mar. Tempestades dolorosas e incuráveis. Tempestades do amor. Tempestades obscuras na calada da noite, que sempre tendem a nos dar calafrios de medo. Ele precisava de Marina, e faria de tudo para que as coisas ficassem bem, mas sabia que não falaria com ela durante uma boa jornada ao longos dos meses. Sentiu seu coração apertar mais uma vez, e rios começaram a transbordar, como as chuvas de veraneio. Chuvas turbulentas. Águas que se movem sem medo ou razão, molhando tudo, molhando o tempo. Pintando os dias de cinza. Chuva que descia por seu interior como consolo da alma e alarme do coração. Chuva que o molhava por inteiro, o fazendo tremer de frio, de medo. De dor.
domingo, 24 de março de 2013
Fora de Foco. (2º Capítulo)
- Mamãe, apesar de todas as brigas e de pelo fato de eu ter feito o que fiz, me perdoe. Eu estava equivocado e realmente errei. - dizia Robert, enquanto revirava os olhos pelo outro lado da linha, louco para terminar logo com toda essa palhaçada.
Christine não sabia bem como lidar com seu filho, ela o conhecia bem para saber de sua perfeita capacidade para fazer com que seu arrependimento parecesse o mais real possível.
- Tudo bem querido - dissera fingindo acreditar - eu sei que você é um bom rapaz meu filho, e jamais ousaria em cometer nenhuma besteira momentânea.
- Eu só acabei me irritando sabe? Mas me perdoe mamãe, eu realmente me equivoquei, mas vou continuar aqui no papai por um tempo. Estou bem aqui. - disse sorrindo cinicamente por dentro, pelo fato de ver sua mãe caindo como uma idiota em seu papo de bom moço.
Christine precisava fingir acreditar naquele teatro, que apesar de tudo, ela não poderia negar estava sendo muito bem feito e que se não fosse seu próprio filho, e que ela não o conhecesse como o conhecia, caíria de primeira em todo aquele drama.
-Sim querido, acredito em você - mentiu. - mas agora, preciso arrumar algumas coisas aqui, vou ter que desligar, e que bom que você está se acertando por aí com seu pai.
- Tudo bem mãe, também tenho que arrumar algumas coisas por aqui. - falara logo depois despedindo-se rapidamente e desligando.
Christine desligara o tefelofone atônita, ela sabia que seu filho não era dos mais calmos, e com certeza estava tramando alguma por de baixo dos panos.
Talvez o certo a se fazer fosse calar-se e esperar. "Esperar? Esperar pelo que? Pelo pior? Pelo amor de Deus Christine, você não pode ficar parada enquanto tem praticamente certeza de que seu filho está tramando algo. Acorde!"- dissera para si mesma, em seu subconsciente.
Christine não sabia certamente como funcionava a mente de Robert, mas tinha certeza de que seu filho não teria esse tipo de atitude se não houvesse planos envolvidos junto com um jogo de interesses.
Robert estava sentado ao pé da cama, satisfeito com seu trabalho, ele imaginava que talvez sua mãe pudesse desconfiar, mas ela cumpriu seu bom papel de acreditar. Ou fingir ter acreditado. Não importa; o que importa mesmo é que ela não o confrontara. Se levantou e elevou seus pensamentos em Marina. Ele nunca mais falara com ela durante esse espaço de tempo, já faziam quase uma semana que ele estava pela cidade e a unica pessoa com quem criou algum laço, fora Marina, que por sinal...- Robert parou, se aprofundando em uma linguagem mais bruta do que ele pensava sobre Marina. Uma linguagem chula e machista. - "Gostosa, ela realmente é muito boa" - pensara maliciosamente. Não que Robert tivesse interesses ruins com Marina, na verdade, ele estranhava o fato de não conseguir descartar a possibilidade de tê-la para si de sua mente. Ele queria ter algo mais sério com ela, mas sabia que aquilo poderia estragar tudo. Mesmo assim, queria. Sim, ela realmente era "gostosa" - como ele diria se estivesse com seu parceiros da madrugada.- mas ela tinha algo além disso, que o intrigava muito, e pelo mínimo que fosse, aquilo se sobressaía bem mais do que seu corpo e etc., mas Robert não poderia aceitar a possibilidade de ama-la. Ou poderia? Nessas alturas do campeonato, qualquer coisa está em jogo, até mesmo sentimentos.
Descera as escada rapidamente, e fora direto até a cozinha, pegando uma jarra de suco e bebendo dali mesmo. Seu pai iria lhe xingar muito se o visse fazendo-o, mas Robert amava a adrenalina de fazer algo onde seu pai não poderia saber em nem lhe fazer pagar por isso. Era uma forma de vingança oculta. - riu de si mesmo, engasgando-se com o suco.- "Vingança Oculta?! Robert, o que é isso?" - pensou sarcasticamente, rindo. Apesar de tudo, Robert se divertia consigo mesmo, mas se tinha algo que o fazia rir, era humor negro. Sinceramente? Os melhores, com licença por favor. Claro que isso não faz sentido algum com o ocorrido, mas falar de assuntos alheios sorrateiramente, ironizando tais, era algo que lhe parecia espirituoso, e ele amava isso.
Robert sabia que precisava procurar Marina, mas como? Não tinha o numero dela, na verdade, nem tivera tempo para isso. Guardara a jarra na geladeira rindo pelo fato de que sorrateiramente, pudera fazer algo de que seu pai não o punisse. Talvez fosse coisas de sua cabeça, mas pela primeira vez, Robert não estava tramando algo minuciosamente. Marina... Marina; seria ela a causadora disso tudo? Não, ela não poderia ousar estragar tudo. Robert sabia que Marina seria a peça necessária, e diga-se de passagem que seria divertido tê-la em seus braços. Perigoso. Hum... Interessante.
Arrumou ligeiramente algumas roupas em seu quarto, escovara os dentes. Ele sabia que não estava seguindo sua linha de foco. Procurar Marina hoje não estava em seu planejamento, mas não pudera evitar a sensação de beijá-la pairar novamente por seus pensamentos e faze-lo sentir a noite o cobrindo com um manto de obscuridades. Obscuridades do amor... do coração.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Consequências. (2º Capítulo)
Marina estava sentada no sofá, angustiada pelo que faria dali a pouco. Ela sabia que se arrependeria, mas precisava fazer aquilo como uma forma de punição. Caio era doce e era tudo o que ela sempre quis. Atencioso. Apaixonado.
Revirava alguns cd's em uma caixa buscando algo que a fizesse se distrair. - "Porque isso está acontecendo comigo?" - sussurrou para si enquanto sentia as lágrimas inundarem seus olhos e escorrerem em seu rosto.
Aquilo não poderia estar acontecendo, como poderia se interessar tão rapidamente por Robert? Aquele garoto era estranho, lhe fazia perder as estribeiras, mas apesar de tudo, ela continuava interessada em Robert de certa forma, estaria se apaixonando? Que ridículo, algo tão rápido e tão sem graça. Sentia as lágrimas caírem de seus olhos freneticamente, mas logo se aquietara ao ouvir a campainha tocar. Marina sabia que seria Caio, secara os olhos rapidamente com as mãos, foi ao banheiro lavar o rosto.
Caio estava nervoso e sabia que seria o pior dia de sua vida, mesmo sabendo disso, não se sentia preparado. Ele ainda queria acreditar que pudesse se surpreender. - "Oi amor" - dissera Caio ao vê-la abrindo o portão. Até tentara sorrir, mas fora uma tentativa frustrada.
"Oi" - disse Marina secamente, mas com olhar tristonho.
Novamente aquele aperto no coração surgira em Caio, ele ficara mais aflito ao sentir tamanha frieza nas palavras da garota.
Caio a abraçou forte sussurrando em seu ouvido - "Me perdoa pequena? Por favor" - implorou. Marina sabia que não iria suportar aquilo. Ele era irresistível, assim como Robert.
Sentou-se na poltrona e o convidou a sentar-se na outra à sua frente, a fim de resolver a situação logo.
"Caio, - começara apreensiva - eu perdoo você por tudo, você é muito bom para mim e eu te amo, mas... - estava atônita, ela não sabia bem o que fazer ou falar, acabou se embolando no meio das palavras deixando um vago silencio tomar conta do lugar.
"Mas o que amor?" - Caio insistia em chamá-la de amor, tentando não se assustar, tentando amenizar o que sentia e o medo de que tudo aquilo acabasse. Chamá-la daquela forma, lhe deixava mais seguro de que, talvez, fosse somente um dia comum e que tudo se resolveria facilmente.
"Precisamos terminar" - dissera nervosa, suas mãos estavam tremulas e ela estava segurando as lágrimas. Marina sabia que se arrependeria, mas precisava se punir de alguma forma por ter se interessado do nada por Robert. Por tê-lo beijado, inclusive.
Aquelas palavras não saiam da cabeça de Caio um segundo sequer - "Precisamos terminar... Precisamos terminar" - ecoava em sua mente de um em um segundo.
Fechara os olhos, tentando fazer com que nada daquilo tivesse acontecido. Tentando ter uma maquina do tempo para voltar ao passado e desfazer tudo. Tentando mudar aquelas palavras. Sentira as lágrimas caírem de seus olhos, uma tempestade invadia seu corpo fervorosamente, com direito a relâmpagos e trovoadas fortes, ventos que poderiam destruir todas as casas da região. Tempestades fortes de inverno. Tempestades, que desta vez, estavam destruindo seu interior por inteiro, dilacerando seu coração de todas as formas.
"Terminar? - dissera atônito, em meio ao nervosismo- Meu amor, nós nos amamos? Não? - finalizou descrente.
Marina continuava com seu olhar em direção ao chão, deixando as lágrimas rolarem em seu rosto, enquanto Caio continuou.
- Pequena, pare de brincadeira, não gosto disso sabia? Você me assutou sabia amor? - disse manhoso, secando as lágrimas, tentando acreditar que aquilo não passou de um sonho enquanto ia em direção a ela.
Caio se ajoelhou em frente à Marina, que se encontrava sentada de cabeça baixa, chorando. Chegara perto dela ternamente, encostando suas testas e narizes. - "Amor, eu te amo. Não faça isso comigo" - suplicou em meio a sussurros enquanto acariciava seu rosto, secando as lágrimas dela gentilmente.
Marina não conseguia se suportar por estar fazendo aquilo consigo mesma. Ela sentira ele envolve-la em seus braços, e não fizera nenhuma questão de impedir, ela queria sentir um pouco mais de tudo aquilo antes de vê-lo partir de sua vida. De qualquer jeito, acabara sorrindo com lágrimas nos olhos ao sentir o calor do seu corpo contra o dela.
Caio escorou seu rosto ao dela, consequentemente, molhando-o com as lágrimas que caiam sem cessar do rosto de Marina. Ele estava com medo, não queria perde-la, ele a amava e faria de tudo para tê-la em seus braços outra vez.
Marina sentia seu corpo estremecer por inteiro, mas por um impulso inconsciente, o empurrou para longe - "Caio, não podemos continuar assim, estou terminando com você e é isso o que eu realmente quero" - dissera com a voz firme, mas com lágrimas escorrendo pelo rosto freneticamente.
Caio se assustou com tal atitude, e ainda mais com as palavras que saíram da boca de Marina. Era exatamente o que ele temia, era exatamente o que ele menos esperava.
"Amor - dissera atônito - se acalme, podemos conversar depois né? Você está nervosa, tudo vai se ajeitar, eu prometo pequena" - finalizou manhosamente, ignorando tudo o que ela dissera. Ele tentava fugir daquilo, e sabia disso.
"Pare Caio, acabou ok? A-C-A-B-O-U" - dissera pausadamente.
Marina já estava sofrendo as consequências, e sabia disso. Ela sentia seu coração apertar forte enquanto as lágrimas caiam cada vez mais ao ver Caio indo embora, apesar de tudo, ela queria ter o numero de Robert e desabafar. Ela queria ligar para alguma amiga e chorar até o ultimo fio de cabelo.
Ela sabia que seria difícil esquece-lo, mas precisava se punir. Precisava saber o que Robert tinha de tão intrigante, ela estava sentindo algo forte e precisava descobrir o porquê.
Apesar de todas as consequências que iria sofrer. Apesar de todas as dores que sentira durante esse dia. Ela sabia que ao menos iria descobrir o que tinha de tão diferente, esse garoto que a fez terminar com Caio mesmo sem pedir, sem falar. Ele a intrigava, e naquele momento, quem se importa com consequências?
Enquanto bebericava um pouco de sua água com açúcar, a fim de acalmar os nervos, pensava em ligar para Isabella mais tarde contando o ocorrido.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Satisfação Interior (2º Capítulo)
Robert acabara de se levantar, e se sentia muito bem. Pela primeira vez no ano, acordara de bom humor. Bebericando sua xícara de café, filosofava mentalmente sobre o beijo que dera em Marina pela madrugada. Sorriu para o vento ao lembrar-se da cara que ela ficou quando percebeu que ele não iria continuar, era uma mistura de decepção com desapontamento. Havia algo de errado com ele. Robert não conseguia pensar em mais nada, queria Marina para ele. Ela iria se apaixonar por ele, e ele faria com que isso acontecesse o mais rápido possível, mas de certa forma, ele sentia algo diferente por ela, era uma sensação de nervosismo ao vê-la, ele tinha medo de estar apaixonado, mas resolvera aceitar a situação em que se encontrava.
Enquanto ia diretamente para seu quarto, avistara seu pai que lhe chamou com um aceno. Robert ficara confuso, seu pai nunca fora de muita conversa entre eles, e ele também não fazia muita questão que trocar ideias com tal.
Petterson estava com medo da pergunta que faria, mas era realmente necessário para seu próprio bem estar. - "Filho, eu me lembro que você me falou uma vez que existia coisas obscuras sobre Lindsay que eu não sabia, e que isso afetava meu relacionamento com ela de certa forma" - fizera uma breve pausa, sentindo a garganta arranhar por dentro - " O que são essas coisas obscuras?"? - finalizara assim, sentido um peso sobre si. Ele sentia medo da resposta e das coisas de Robert poderia dizer-lhe, mas também precisava saber da verdade.
Robert sabia que não poderia abrir o jogo com seu pai, ele sabia que teria problemas depois. - "Do que você está falando?" - dissera, fazendo-se de desentendido. Robert realmente não queria se envolver no namoro do pai com Lindsay, mesmo sabendo que ela o traía, se sentia incapaz de falar isso naquele momento.
Petterson o olhara desconfiado - "Não minta, fale-me logo a verdade Robert!" - o olhara exaltado.
-Pai, naquele dia, eu estava nervoso, não sabia bem o que estava fazendo o falando. Dá pra parar de encher? - mentiu Robert.
Petterson sabia que ele estava mentindo, tinha certeza disso. Mas resolvera aliviar, iria descobrir por si só.
Robert subira as escadas em direção ao quarto em que estava instalado, deitou-se na cama e pensava em alguma estratégia para tirar Caio de seu caminho e ter Marina em seus braços. Em frações de segundos, seus lábios estavam junto aos dela, selando-lhe a boca delicadamente, eles estavam abraçados em algum lugar bonito, mas Robert nunca fora muito de descrever as coisas. Ele entrelaçava as mãos dele nas de Marina, e a puxava para perto de si, aquele beijo poderia durar uma eternidade se quise..- Antes que pudesse concluir, acordara assustado, mas ao mesmo tempo, sorrindo pelo sonho estranho. Ele poderia dizer que estava satisfeito consigo mesmo. Com aquele sonho, e por saber que com algumas coisas em jogo, tiraria o namorado da garota do caminho. Robert não poderia negar que o cara era realmente 'presença', e não era de se jogar fora em um sentido físico, mas não admitia aquilo. Poderia ser o que fosse, Robert tinha uma auto-confiança um tanto quanto gigantesca quando se falava de qualquer coisa. Sim. Qualquer coisa.
Ele estava satisfeito por ter conseguido se livrar de seu pai há algumas horas atrás, e também por conseguir planejar algo para tirar Caio de seu caminho, coisa que seria fácil para ele. - Sorrira levemente enquanto lembrava de como a feição de Marina ficava doce quando sorria, ele estava feliz interiormente. Estava satisfeito... Simplesmente bem...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Confrontos Emocionais (2º Capítulo)
Caio se levantou cedo, estava com peso na consciência por ter comido tanto chocolate pela madrugada. Escovou os dentes, limitou-se a comer uma maça antes de sair para correr.
Enquanto corria, pensava em como se resolveria com Marina naquele mesmo dia. Ele mal podia esperar para pedir desculpas à ela, e vê-la sorrir daquele jeitinho bobo que só ela tinha. Ele realmente a amava e a queria por perto. Eles estavam destinados um ao outro, e ele tinha convicção disso. Marina era o tipo de garota que não se podia jogar fora, ela era delicada, mas sabia usar sua agressividade de forma ousada quando necessário. Ele a pediria desculpas, seguraria em suas mãos a levaria para passear por alguma praça das redondezas.
Após chegar em casa exausto, tirou a roupa e fora diretamente para o chuveiro, estava com a pele grudenta de suor e ele não suportava aquela sensação de sujeira em seu corpo. Durante alguns minutos, seus pensamentos se voltaram para os dias em que ele e Marina conversavam sobre o futuro, ele achava tão interessante a forma com que ela era convicta do que queria, e de certa forma, ele temia aquilo. E se ela decidisse que não o queria mais? Isso não poderia acontecer. Não. Que ridícula ideia - revirou os olhos.
Marina estava em sua casa, aflita com tudo o que ocorrera pela madrugada, apesar de tudo, ela sentia-se extasiada ao lembrar do encontro dos seus lábios com os de Robert. Caio iria conversar com ela hoje, e ela sabia que as coisas não poderiam continuar daquela forma. Iria trair Caio? Não, aquilo seria mal caráter de sua parte. Não fazia seu estilo. E se Robert não a procurasse mais? Dane-se, ela não poderia ficar impune sobre aquele ato errado que cometera. Iria terminar com ele, estava decidida. Mas ela o amava, ela sabia que iria chorar muito, mas precisaria ser forte.-"Porque você foi fazer isso?" - xingou-se mentalmente.
Caio já havia tomado seu banho, colocado uma calça jeans, uma blusa branca gola 'V' e um tênis. Estava se arrumando para ir à casa de Marina antes do almoço. Ele queria levá-la para almoçar ainda hoje como pedido de desculpa. Após arrumar tudo o que tinha de ser arrumado, ligou para Marina, que logo atendera. - "Bom dia amor!" - dissera Caio, carinhosamente.
Marina não sabia como agir com ele, ela estava com a consciência pesada e não tinha cara para falar nada para ele além de... -" Bom dia" - dissera com uma tentativa fracassada de ser meiga.
Caio sentiu-se congelar por dentro. Ele sentira uma vontade imensa de chorar, de se jogar em sua cama e se perguntar o porque de tudo isso. Sentira seu coração explodir por dentro, uma dor forte no peito. Algo lhe dizia que Marina iria deixá-lo. Não só seu subconsciente, como os próprios fatos. - "Amor, você ainda está triste comigo? Recebeu minha mensagem?" - dissera tristonho.- "Recebi, eu ia responder agora a pouco, mas você me ligou" - mentiu. - "Ah, sim querida. Bom, eu estava pensando em passar aí pra nós conversarmos um pouco" - disse relutante.
Marina sabia no que daria tudo isso, e ela estava insegura, com medo. Mas deixara o orgulho passar por cima de si mesma - "Pode vir, nos temos que conversar mesmo"- dissera fraquejando a voz. -"Tudo bem querida, estou chegando aí em 5 minutos"- dissera Caio atônito. Ele não sabia bem o que esperar de hoje. Só sabia que não seriam coisas agradáveis e nem nada parecido com o dia que planejara para os dois. Ele precisava ir resolver isso, mas não se sentia preparado. Será que ela nunca mais iria perdoá-lo? Caio não pudera conter as lágrimas ao pensar em perde-la. Isso não poderia acontecer, não agora.
Ele a amava e queria construir uma vida com ele, queria poder chamá-la de 'minha esposa' quando perguntassem qual o papel dela em sua vida. Ele queria poder chamá-la de meu amor ao pé do ouvido a cada amanhecer, mas estava vendo que aquilo não seria possível. Estava tudo acabado, e ele pressentia isso como se já estivesse vivendo a situação.
Fechou os olhos sentado em um banquinho perto do jardim sentindo o vendo ir de encontro aos seus cabelo ainda úmidos. Ele sabia que de qualquer forma, ele teria de ser forte.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Recompensas. (2º Capítulo)
Marcos se encontrava em casa, fitando o teto, com raiva de tudo o que Lindsay fizera e ainda fazia com ele. Ele sabia que aquilo era mais errado do que parecia, e ele tinha ódio dela. Ninguém mandou ela ser bonita, ninguém mandou ela chegar na dele e dar liberdade.
Deitado em sua cama, mal podia esperar pelo que iria presenciar dali algum tempinho. Marcos tinha certeza que ela iria atrás dele essa noite, ele sabia que ela iria brigar com ele por culpa das grosserias ao telefone. Que ela iria dizer que não merecia isso, que ele não a merecia. Ele a beijaria calorosamente, e no fim... Estariam esparramados na cama, trocando palavras de amor. E ele estava animado para tudo isso acontecer, porque ele adorava a sensação que lhe dava quando ela brigava e depois, eles se amavam até amanhecer. Era relaxante. Voraz. Proibido.
Fechou os olhos e se lembrara da ultima vez que se encontraram. Sorriu para o vento, ele a queria muito e não suportava a ideia de dividi-la com Petterson.
- O que você está pensando? Que depois de falar daquele jeito comigo, tudo vai ficar assim? - dissera Lindsay raivosamente, assustando Marcos que estava fechado em seus pensamentos - Você acha mesmo que eu vou deixar você me tratar mal, me fazer chorar e depois desligar o telefone na minha cara achando que nada iria acontecer?
Marcos se assustara, levara alguns segundos para compreender o que estava havendo. Ele sabia que as coisas seriam complicadas, mas iriam se ajeitar.
- O que você está fazendo aqui? Qual é o seu problema? Acha que pode ir entrando na minha casa do nada, sem avisar e me xingar? - dissera Marcos, alterando a voz.
Lindsay sabia que ele iria fazer isso, ela sabia que ele iria querer irritá-la da pior forma possível. Se aproximara dele corajosamente - "Depois do que você, eu tenho direito de ter bater se eu quiser" - dissera apontando o dedo para ele.
Você tem direito de que? - dissera ele, fingindo não ter ouvido direito - Você não tem direito de nada, se enxergue e cale essa boca, ouviu? Você me usa, trai seu namorado comigo e exige consideração e respeito? Mas feche essa boca agora, você não tem direito de reclamar. - dissera ele, alterado.
Lindsay sentira as lágrimas caírem de seus olhos, por um instante, se sentira como uma vadia qualquer que andava pelas ruas à noite. Ela sabia que o que fazia era errado, ela sabia que não poderia continuar assim. Mas o que ela podia fazer que amava Petterson ao mesmo tempo que amava Marcos? Saira do quarto em disparada, fora até a cozinha, abriu a geladeira e serviu um copo de água para si. Logo após, sentou-se no sofá da sala, em prantos. Ela segurava os suspiros chorosos para não demonstrar tanta fraqueza perto dele.
No quarto, Marcos estava deitado em sua cama, se sentindo culpado pelo que ele havia falado. Ele sabia que havia sido bruto demais em suas palavras. Se levantou, e se pegou indo em direção à Lindsay, que ao vê-lo, secou as lágrimas rapidamente.
Se aproximou mais, sentando ao seu lado - "Sai daqui Marcos, já não machucou o bastante?"- falou Lindsay em tom choroso.
Marcos se sentira culpado, se sentira mal pelo que falara. Enquanto se aproximava, houvera certa resistência dela, mas depois de um tempo. Enquanto abraçava-a pela cintura carinhosamente, chegava mais perto de seu pescoço, fungando levemente - Lindsay logo estremeceu. Ela amava aquilo, na verdade, ela o amava. Sentira Marcos arrastando a boca até sua orelha e a mordiscando carinhosamente - "Desculpa amor, mas eu te amo e te quero só pra mim" - sussurrou Marcos enquanto vira um sorriso bobo saindo pelos lábios de Lindsay. Ele realmente a amava, e não gostava da ideia de saber que a dividia com outro homem.
"Porque você faz isso comigo?" - sussurrou Lindsay sentindo seus lábios roçarem aos dele. - fechara os olhos, sentindo o calor que lhe dava ao sentir seus lábios colados um ao outro, como se fossem a peça perfeita. O melhor encaixe de bocas que já pudera experimentar. Sentira uma leve descarga elétrica ao sentir a boca de Marcos abrir-se, sentindo suas línguas juntarem-se boca a boca. O movimentos eram leves e circulares, Marcos sabia o que estava fazendo. Lindsay sabia onde aquilo iria parar, enquanto sentia as mãos dele deslizarem por suas costas maliciosamente. Marcos desceu para seu pescoço dando-lhe leve beijos e mordidas. Ele a amava e a queria toda para si. Não queria mais estar naquela situação.
Lindsay desceu até sua boca e o beijara vorazmente, sentindo-o enquanto o abraçava. Ela sabia que o que estava fazendo era errado, mas não poderia evitar. Petterson era um bom homem, mas não era do tipo que lhe pregava surpresas, como Marcos.
Enquanto ele mordiscava seus lábios e lhes dava selinhos demorados, ela pensava no quão era urgente a necessidade que regularizar as coisas entre os dias. Ela sabia que aquilo precisava ser feito para ontem. Mas tinha medo de perder todo esse gostinho de proibido, medo de que ele perdesse o interesse e cair na rotina.
Marcos fechou os olhos enquanto acariciava sua cintura. Ele realmente a amava, e o que ele mais queria, era poder fazer com que todos vissem isso - "Eu te amo" - sussurrou ele, enquanto selava seus lábios contra os dela.
Lindsay sentiu uma carga elétrica por todo o seu corpo quando o ouvira dizer aquilo tão docemente. Enquanto o ajudava a tirar a blusa, sabia que no outro dia, eles brigariam novamente. Ela não só sabia como tinha certeza disso. - Beijando seus ombros até o pescoço, Marcos sentia que precisava tê-la durante a vida inteira, ele sabia que precisava dar um tempo nas brigas. Mas ele amava a eletricidade que seus corpos tinham quando se tocavam. Ele amava toda aquela sensação de ter de repor algo, de ter de recompensar o erro.
Ele amava a sensação de seus corpos juntos. Ele a amava... Simplesmente, a amava.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Lindsay Hammilton (2º Capítulo)
Lindsay estava no banheiro tentando ligar para Marcos, que não lhe atendia de jeito algum. Ela sabia que era errado o que estava fazendo. Lindsay nunca tivera motivos concretos para trair Petterson, ela gostava do jeito tranquilo e sereno dele, tal lhe proporcionava um relacionamento estável, sem muitas brigas e muito bem resolvido. Um homem atraente e charmoso que arrasava muitos corações pela cidade. Mas também gostava das aventuras que Marcos lhe proporcionava, ela nunca sabia o que estava por vir, e isso era o que a deixava interessada. Já com Petterson, ela sabia que eles teriam uma noite agradável, beberiam um pouco de vinho no Boulevard's Restaurant, conversariam sobre a vida, sobre seus filhos e também sobre um futuro distante. Ele lhe diria palavras agradáveis e românticas ao pé do ouvido antes de deixá-la em casa, e então a beijaria com intensidade e devoção. Paixão. Realmente, aquilo era bom, ele lhe atraía muito, mas ela não sabia bem a certo o que gostava mais. Com Marcos, ela nunca sabia o que iria acontecer, e isso era realmente intrigante, as vezes ele lhe tratava romântico, cheio de declarações, suplicas de amor eterno, e outras era bruto e dizia o quanto a odiava por tudo o que ela fazia, o quando ele a odiava por não terminar com Petterson e ficar com ele.
Enquanto ligava para Marcos, estava se preparando psicologicamente para receber os desaforos diários.
-Alô, o que você quer? - dissera Marcos, com eminente irritação.
Lindsay conteve o aperto no peito, ela detestava aquilo, mas não tinha culpa de amar os dois ao mesmo tempo.
- Calma Marcos, não precisa ser tão estúpido, eu só queria saber se vai querer fazer algo hoje. - dissera com calmaria, mas agoniada por dentro, com vontade de espancá-lo por a tratar daquele jeito.
-Lindsay, o que você está pensando que eu sou? O seu brinquedinho nas horas vagas? - ironizou - está achando o que? Que quando não estiver com aquele cara vai me ligar, e eu vou ir correndo atrás de você? - fizera uma pausa - "ó meu querido, venha aqui satisfazer o meu ego, porque Petterson não é o suficiente para isso" - dissera Marcos, imitando voz feminina - já estou saturado disso, sabia? - falara impaciente.
Marcos realmente detestava a ideia de ter que dividir Lindsay com Petterson, ele não suportava mais aquilo e tinha ódio só de pensar. Ele sabia que ela estava no Boulevard com ele, e aquilo o deixava nos nervos. Porque? Para que tudo isso? Era tão difícil dar um pé na bunda desse infeliz? Se ela realmente o amava como dizia, deveria começar a abrir o olho, ele não estava gostando nada daquela situação.
Lindsay tentou segurar as lágrimas do outro lado da linha, mas não conseguiu. Mas para manteve a voz firme.
-Marcos, porque você é assim? Pare, isso me machuca, eu não suporto mais acordar com uma mensagem sua falando o quanto sente saudade e o quanto me ama, e depois te ligar e receber isso. Porque tudo isso? Você sabe que as coisas tem sido difíceis para mim, e eu vou precisar do seu apoio. Eu amo você - dissera tentando não demonstrar que estava chorando.
- "O que ela pensa que é pra me dizer isso? Apoio? Amor? Qual é a dela." - pensara Marcos antes de começar a falar.
- "Você me ama? Cale a sua boca, nem sabe o que diz, fica aí aos beijos com esse babaca, e depois vem me ligar dizendo que me ama? Tome vergonha na cara, eu não suporto mais essas situação. Detesto saber que enquanto você não está comigo, está nos braços de outro homem - Marcos sabia que tomara uma atitude grotesca, e sofreria as consequências depois, mas ele não queria mais ouvir uma palavra que ela pudesse ter a dizer a respeito de tudo, ele já estava saturado de tudo isso e não suportava mais essa situação. Sentiu um alivio enorme ao desligar o celular, talvez se arrependesse disso depois, mas por enquanto, sentiu que foi a melhor coisa a se fazer.
Lindsay se encontrava no banheiro, lavando o rosto e retocando a maquiagem, tentando fazer com que seus olhos vermelhos e inchados por chorar, ficassem imperceptíveis para Petterson. - Ele não poderia ter desligado o telefone na cara dela. Não. Isso já é o cúmulo da falta de respeito. Mas quem era ela para falar de respeito afinal? Traía seu namorado com outro cara, e queria respeito? Marcos tinha direito de fazer o que estava fazendo.
Na mesa, Petterson já estava preocupado com Lindsay que logo chegara com os olhos vermelhos, ele sabia que ela havia chorado, e realmente ficou curioso com aquilo. - Você estava chorando, meu amor? - questionou enquanto Lindsay ajeitava-se na cadeira.
Após ouvir aquilo, sentiu um gelo tomar conta de si, e também viu que todas suas tentativas de disfarce foram frustradas - É... -hesitou um pouco - é que a Marjorie me ligou me contando sobre o estado de sua mãe, realmente deplorável, não consegui evitar as lágrimas - mentiu.
Petterson sabia que a mãe de Marjorie estava com sérios problemas, já estava em um estágio avançado do alzheimer, realmente, era algo para se chorar. - Mas e então? Como ela está, o que houve? - dissera preocupado.
Lindsay abaixou o olhar, fingindo tristeza profunda, sendo que na verdade, estava pensando em alguma coisa para dizer, ela realmente não esperava que fosse chorar por culpa de Marcos, e ele iria pagar caro por isso. Ah, se ia. Ninguém a tratava assim e sairia por fora, de corpo mole, isso não iria acontecer. Não com ela.
- Amor? O caso está tão grave assim? - dissera Petterson, mais preocupado ainda, acordando-a de seu devaneio.
-Não. Não é isso - dissera nervosa - é que... - hesitou - Sabe como é né? Ela começa a fazer coisas que são adequadas para a idade, Marjorie me contou que ontem no almoço, tiveram que contê-la, pois ela estava pegando arroz compulsivamente a todo o momento, não conseguia se controlar - dissera, vendo-o ouvir atentamente. Era por essas e outras, que ela sabia que Petterson era a pessoa ideal para ela, ele era atencioso. Se fosse Marcos teria a mandado calar a boca a muito tempo, e da forma mais grosseira que pudesse haver.- hesitou em seus pensamentos- Marcos - sentira a raiva tomar conta de si ao lembrar do que ele fizera ao telefone.
Petterson segurou a mão de Lindsay, entrelaçando os dedos suavemente, em forma de afeto - É realmente muito triste isso querida, fico triste por Marjorie, mande lembranças à ela. Mas me responde uma coisa, porque você chorou então? - dissera ternamente.
Lindsay sabia que mentir, seria errado, mas era a única saída - Ah querido, me emocionei com o fato de ela estar passando por essa situação, me coloquei no lugar dela e percebi o quão forte ela está sendo. Acabei chorando sem querer, você sabe como eu sou né? - dissera, dando-lhe uma leve piscadela enquanto sorria.
Apesar das dúvidas, Petterson a amava, ele gostava do jeito sensível que ela tinha. Aquilo realmente lhe atraía, mas ele teria suas dúvidas, e não era de hoje. Tal sentia as mudanças de comportamento dela, e não era de hoje. Resolvera ir aos poucos, para não levantar suspeitas da desconfiança - "Ah querida, é realmente uma situação difícil, fico triste por ela também" - dissera finalizando seus pensamentos desconfiados.
Enquanto saíam dali, Lindsay sabia o que iria fazer. Iria até a casa de Marcos, e as coisas não ficariam assim. Não, aquilo não ficaria barato.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Confusões Internas (2º Capítulo)
Marina estava atônita com o que Robert acabara de falar, ela realmente não esperava aquilo. Ele estava a olhando charmosamente, com a boca suja de sorvete. Por mais incrível que fosse, ele ficava mais atraente ainda daquela forma. "O que eu vou fazer?" - pensara. Ela sabia que seria errado fazer aquilo, mas realmente era tentador. Aqueles olhos azuis penetrantes a faziam delirar, e ele sabia muito bem se aproveitar disso, jogando-a olhares sedutores. "O que ele quer agora? Está realmente querendo me matar? Ok Marina, se controle, ele é um gato lindo charmoso - hesitou enquanto suspirava mentalmente - cabelos loiros... Olhos azuis - delirou. - Chega, preciso manter o controle, eu tenho Caio, que não deixa de ser super atraente e com um conteúdo que não deixa brechas" - finalizou assim sua luta interna.
Caio realmente tinha seus atrativos, cabelos pretos e olhos verdes penetrantes e sinceros, mas tal nunca tivera um olhar muito galanteador, ele era respeitador e ela realmente amava isso nele. Caio nunca tivera olhares charmosos, mas tinha um conteúdo e uma beleza que 'meu Deus', de parar tudo.
Robert estava sentado, olhando para ela, esperando alguma palavra, alguma ação. Algum sinal de vida - dramatizou.
Antes que ele pudesse falar algo, estalar os dedos ou algo assim - "Espere, vou ali buscar guardanapos para você limpar a sua boca" - dissera Marina, levantando-se. Robert assentiu. Ele sabia que fora audacioso demais em sua última pergunta, e realmente estava com medo da reação que a garota teria após isso.
Enquanto Marina pegava o guardanapo, ela sabia que precisava segurar as rédias em relação à Robert, ele realmente era tentador. Ela queria poder fazer algo com ele, e até mesmo sair para algum lugar e limpar as manchas de sorvete dele com alguns beijos sem compromisso - "Marina!" - xingou-se mentalmente. Mas era a verdade, que não podia ser dita, mas podia ser pensada.
Robert estava sentado na calçada, pensando em como conquistaria a garota. Ela tinha olhos bonitos , um cabelo liso e preto, com um corte exótico que lhe chamava atenção. Ele a queria antes somente pela atração física que tivera aos primeiros olhares. Mas agora, ele a queria por se sentir bem ao seu lado, por se sentir confortável. Como se por algum momento, ele pudesse ser aceito. Ser... Normal.
Marina chegara, e sentou-se ao seu lado novamente, apreciando a beleza vibrante que ele demonstrava - "Aqui estão os guardanapos" - falara entregando-lhe, recebendo um sorriso aberto como agradecimento.
"Não vai limpar para mim?" - Arriscou Robert, vendo Marina rir acanhadamente.
"Você não desiste né garoto?" - dissera fingindo irritação.
"Jamais devemos desistir de nossos ideais" - dissera ironicamente, finalizando um uma piscadela.
Marina o olhara com um tom de "o que isso tem a ver com o assunto?"
"Não dá, tenho namorado. Esqueceu?" - dissera ela.
O que isso tem a ver com você me ajudar a tirar esse sorvete da minha boca?- dissera ele, pegando os guardanapos e passando por toda a extensão do rosto, menos onde realmente estava sujo - Viu? Eu não consigo limpar. - dissera cinicamente, com ar tristonho.
Marina sabia o que estava prestes a fazer, ela sabia que aquilo seria um bom motivo para Caio sentir ciúmes, mas era tentador. Aqueles olhos cinicamente tristonhos, implorando algo que ela não poderia fazer, mas sentia vontade. Ao ver suas mãos com um guardanapo, ela estava se aproximando demais, e sabia que aquilo era perigoso. Seus rostos estava cada vez mais próximos. Nervosismo era apelido.
"Eu não posso fazer isso Robert" - sussurrou Marina, enquanto o via colocar o dedo em seus lábios em sinal de silêncio. - Os olhos dele a faziam delirar, ela a recém havia o conhecido, mas sabia que algo a fizera se interessar. Talvez fosse aquele jeito meio enigmático.
Robert estava nervoso pela primeira vez na vida, quando se tratava de meninas, ele nunca havia sentido aquilo e com certeza, era algo bom.
Os olhos fechados, rostos encostados e as bocas se aproximando cada vez mais - "Não posso" - dissera Marina, abrindo os olhos e se afastando dele rapidamente. "Preciso ir" - dissera numa tentativa de fuga, ela não resistiria se continuasse ali. E tudo o que ela menos queria, ela trair Caio, aquilo seria errado. Mas era muito tentador, e ela queria aquilo.
Mas Caio merecia- pensou.
Robert se aproximara novamente, arriscando-se. Aquela sensação de perigo era boa para ele. Sim, Robert sabia que ela tinha namorado, e aquilo era o que mais lhe deixava com vontade. Aproximara-se do rosto de Marina, vira que ela não hesitou.
Marina queria aquilo, ela precisava saber o que tinha de tão intrigante nele, ela precisava descobrir o que ele tinha. Enquanto sentia ele se aproximar, fechara os olhos. Aquilo era errado, e ela estava ciente disso quando seus rostos juntaram-se um ao outro, ela conseguia sentir a respiração ofegante de Robert.
Suas bocas se encontraram e Robert sentira uma coisa estranha, ele sentia vontade de abraçá-la. Isso nunca havia acontecido, era realmente algo novo para ele. Havia se apaixonado? Não, jamais poderia se apaixonar por ninguém. "Que ridícula hipótese Robert" - pensara enquanto ria de si mesmo mentalmente. Nem a conhecia direito e iria se apaixonar? Que ridículo.
Seus lábios se selaram, e Marina sabia que não sentia o mesmo por ele do que o que sentia por Caio. Mas Robert a intrigava de uma maneira incrivelmente insana.
Robert a puxou para mais perto de si, sentindo tudo aquilo, sentindo aquilo que ele não sabia dizer o que era. Sentira a boca de Marina abrindo levemente, ele sabia que eram indícios de que ela gostava de se aventurar. Gostava do perigo. Mas não quisera avançar, ele queria deixá-la mais intrigada. Finalizara mordiscando-lhe os lábios, dando um ar de desejo.
Aqui intrigou Marina mais ainda, ela precisava saber o que era. Ela sabia que o que estava fazendo era errado, mas estava confusa. Ela não sabia bem como saber o que estava havendo. Ela amava Caio, e tinha certeza disso. Só que com a chegada de Robert, ela sentia uma necessidade de saber o que ele guardava, era algo minucioso, uma curiosidade alheia que lhe tomara conta de uma hora para a outra.
Ela se sentia confusa, não sabia muito bem o que fazer a respeito dos dois. Deitada em sua cama, pegara seu celular e vira a mensagem de Caio para ela. Sentiu a culpa tomar conta de si. Caio era o melhor garoto que ela já pudera ver, mas não poderia continuar nessa situação.
A decisão precisava ser tomada de imediato. Resolvera não responder por agora, mas sabia que pela manhã, iria ter de decidir o que fazer, e dormira pensando no mesmo.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Desconfianças (2º Capítulo)
Petterson se encontrava em pequeno restaurante requintado na cidade, para dizer a verdade, o único. Tomava uma taça de vinho tinto enquanto olhava diretamente para Lindsay, sua namorada. Eles já estavam juntos haviam uns longos tempos, ela realmente lhe fazia bem. Petterson se considerava novo para ter um filho de 19 anos, e ele realmente era. Estava na flor da idade de seus 47 anos, e se orgulhava por isso.
Tinha uma boa casa, com cômodos grandes e confortáveis, que lhe davam direito a uma vista extraordinária do pôr-do-sol, olhando pela sacada de seu quarto. Uma namorada bonita e elegante, inteligente e que lhe fazia tão bem quanto escutar o bom e velho som de Rolling Stones.
Ele andava desconfiado de algumas coisas, fazia um bom tempo, mas Petterson sempre fora um tanto quanto minucioso em qualquer atitude que pretendesse tomar. Bebericou um pouco de seu vinho, enquanto pensava em como tivera sorte em encontrar uma mulher tão bonita como Lindsay - "Nada mal para um cara de 45 anos" - pensara. Apesar de se sentir novo e na flor da idade, ele gostava de brincar consigo mesmo.
Lindsay era uma mulher realmente carismática, bonita e reservada. Apesar de tudo, lhe deixava um "Q" de curiosidade em alguns pontos.
-Querido, vou ao banheiro e já volto - dissera Lindsay, atrapalhando toda a linha de pensamento de Petterson- Tudo bem - dissera com um leve sorriso.
Ele sabia que era errado desconfiar de sua namorada, depois de tantos anos juntos, mas ele não conseguia deixar de cogitar a possibilidade de ela estar lhe traindo. Ou seria impressão sua? Todos os dias, ela saía com as amigas e, sinceramente, ele tinhas duvidas de que era com as amigas mesmo. Talvez fosse fruto da imaginação, seu filho já tivera lhe dado algumas indiretas bobas, que o fizeram desconfiar de certas coisas. Petterson sabia que Robert poderia ser o que quisesse, mas não era capaz de mentir ao algo assim para seu pai. Por alguns instantes pensou no que seu filho estaria fazendo, ele temia que Robert resolvesse arrumar confusões por aí. A cidade era pequena, qualquer coisa poderia dar fofocas durante o ano todo.
Todos os dias, ele tinha uma esperança que Robert poderia voltar a ser aquele garoto que sempre fora outrora. Ele tinha esperanças de ver seu filho dizendo que o ama novamente, ele tinha esperanças, que ao menos um dia. Seu filha teria uma boa ação para contar.
Olhara rapidamente seu relógio, eram meia-noite e quarenta e cinco minutos. Estava tarde, e ele automaticamente se preocupara mais ainda com Robert, que não era nada santo.
Christine Wakcher (2º Capítulo)
- Pare, eu não aguento mais isso Robert. Você sai à noite com esses caras que você chama e amigos, mas que só te metem em furada. Eu já lhe pedi uma porção de vezes para sair dessa vida, eu não aguento mais ter de ir resolver seus problemas na delegacia, pagando fiança as vezes. Chega - gritara em meio ao nervosismo. - você sabe que estou falando para o seu bem, meu filho, saia dessa vida. Você é melhor que isso - dissera ternamente.
Robert odiava discutir com sua mãe, além de ser cansativo, era irritante. "Será que ela não cansa de se meter na minha vida?" - pensara.
Enquanto Fitava o teto, fingindo ouvir todas aquelas coisas que sua mãe sempre lhe falava toda a hora, pensava em como seria divertido grafitar nesta noite, até mesmo já estava se preparando para ligar para algum parceiro.
Christine sabia que seu filho não tinha jeito, mas ela ainda tinha esperanças, assim como todas as mães tem, as vezes corrompidas e cheias de machucados, mas ainda existe bem lá no fundo uma esperança sob a incerteza. Todos os dias de sua vida, ela se perguntava o porque de Robert agir daquela maneira. Sentira as lágrimas caírem de seus olhos, como as tempestades fortes de inverno. Só que era algo pior, algo que lhe trazia angústia, dor, receios. Ao pensar na atitude que deveria tomar naquele momento. Não, jamais poderia cogitar isso. Jamais.
Sentira as palavras saírem de sua boca, como os ventos fortes de um temporal de verão. Ela sabia que aquilo poderia ser o pior erro, ou o maior acerto de sua vida. Ela precisava se conter, mas as palavras foram mais rápidas, o impulso fora maior - "Robert, você precisa ir embora, assim desse jeito você não fica mais aqui - dissera brutalmente - não suporto mais brigar com você todos os dias por causa dessas suas amizades, por culpa das suas atitudes - gritara tudo o que já estava preso em sua garganta há muito tempo - Chega Robert, vá embora - dissera sentindo um aperto enorme no peito, ela sabia que precisava se conter, mesmo com uma dor no coração demonstrara pulso firme e olhos atentos. Rigidez.
Robert a olhara assustado com a atitude se sua mãe, e sentira o ódio e a raiva pulsarem em suas veias, pensando em como queria matá-la naquele momento. Não, ela realmente não tinha o direito de fazer aquilo. De forma alguma, ele sabia que ela iria pagar caro por tudo isso. Ele realmente não deixaria barato, ela merecia uns belos de uns corretivos bem dados. - "Onde já se viu? Está pensando o que sua velha fracassada? Acha mesmo que as coisas funcionam assim comigo?" - pensara.
Christine sabia que havia feito a coisa certa, mas tinha medo do que ele poderia fazer, ela sabia que ele não tinha medo de nada, nem de si mesmo. Ao vê-lo partir com suas coisas, sentira um aperto forte no peito, se conteve para não chamá-lo de volta. Ele era rebelde, lhe decepcionava quase sempre, mas era seu filho, o seu único filho, e ela o amava mais do que deveria e sabia disso. Ela queria protegê-lo de todo o mal, mas parecia algo impossível, pois ela ela via que ele era o seu próprio mal.
As lágrimas caíram fortemente do rosto de Christine, e tudo o que ela menos queria, era sofrer. Algo realmente impossível.
Ao entrar em casa, fora direto até a cozinha, pegara um chá na geladeira. Chá gelado realmente lhe acalmava os nervos, não importava o sabor, para ela era algo acalmante. Se lembrara de Robert logo quando pequeno, ele realmente era uma criança linda e ao se tornar jovem, como atualmente, um homem realmente muito atraente e sedutor. Onde passava, deixava meninas suspirando. Sorrira ao lembrar-se de quando ele era um bebê ainda, na faixa de 3 aninhos e não conseguia abrir o pote de bolachas, era realmente engraçado - "Mamãe. Mamãe - dizia balbuciando e entregando-lhe o pote em mãos - não consigo abrir o pote de bolachas, e eu estou triste por isso. Você poderia abrir, por favor? - falava ele com aquela voz manhosa.- Christine visualizava aquela cena em sua mente por um bom tempo, rindo sozinha. Ele bem pequenino, com os cabelos tão loiros que pareciam até mesmo brancos, os olhos azuis como o céu fazendo manhã para abrir um potinho de biscoito. Naquele momento, ela sentira vontade de abraçar seu filho tão forte que poderia quebrá-lo inteiro.
-Eu te amo mamãe - ela sabia que aquelas palavras nunca mais saíram da boca de Robert desde seus 6 anos. Mas ela sentia falta, pois para ela, ele ainda continuava sendo aquele garotinho choramingando para abrir o pote de bolachas, e aquela lembrança jamais seria apagada da mente de Christine.
Bebericou mais um pouco de seu chá gelado. Ela sabia que tinha tomado a decisão certa.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Turbulências (1º Capítulo)
Caio estava deitado em sua cama. Literalmente não conseguia dormir de forma alguma. Ele sabia que as coisas não estavam indo bem entre Marina e ele. Ele sabia que se perdesse Marina, faria de tudo para tê-la novamente, e era isso que o irritava, Porque? Porque justo ela? Uma garota complicada, pensativa e que ficava palpitando e tentando achar a razão de tudo e de todos. Porque? Mas ele a amava, e a amava o bastante para morrer por ela se fosse necessário.
Caio sentira as lágrimas caírem em seu rosto. Lágrimas pesadas. Lágrimas de aflição... Dor.
Levantara-se rapidamente, ele sabia que não conseguiria dormir, então resolvera comer alguma coisa. Quem sabe assim, o tempo passaria mais rápido, para que ele pudesse resolver as coisas logo com sua pequena. Sim, sua pequena, porque apesar de tudo, ele a amava e ainda a queria ao seu lado. Ele não tivera a intenção de ofendê-la falando aquilo. Sinceramente? Só quisera ser romântico, mas sua tentativa fora um fracasso. E agora ele estava com medo do que Marina poderia fazer, será que ela teria a audácia de terminar com ele por isso?
Ao chegar na cozinha, ligou a luz e fora direto abrir a geladeira. - "Nada de interessante"- pensou. Ao abrir o armário, seus olhos brilharam, ele sabia que poderia ser coisa de mulherzinha - diriam os machistas. Mas tudo o que ele precisava era de um bom chocolate, e era justamente o que ele comeria, ligaria a televisão e comeria quantos chocolates suportasse.
Deitado no sofá da sala, se perguntava se não seria possível ter Marina ali com ele naquele momento. Tudo o que ele queria era poder abraçá-la o mais forte possível - "Desculpe-me meu amor, eu realmente errei, não deveria ter lhe falado aquilo, mas prometo recompensar por tudo isso lhe demonstrando o quanto eu lhe amo" - ele realmente queria lhe falar aquilo naquele momento. Seria muito clichê? Não importa, era o que ele estava sentindo no momento e era o que ele iria falar de todo o coração.
Marina sempre fora uma menina muito diferente, ele custara a desvendar alguns dos mistérios que ela guardava para si, e ele sentia que cada vez mais mistérios surgiam e aquilo realmente o fazia transbordar de paixão. Seu coração estava pesado, e ele não sabia se chorava ou se simplesmente se tornava indiferente. Se lembrara de quando a conheceu. Ela era uma menina peculiar, e lhe deixava desajeitado com aquela postura formal de garota inteligente. Aquilo realmente o atraía muito, ela era bastante persuasiva em sua opiniões e o convencia em questão de segundos em fazer o que ela queria, as vezes sem utilizar nenhuma palavra.
No primeiro dia em que começaram a se encontrar e sair juntos como um casal. Aquele dia fora muito marcante. Ali ele percebeu o quanto ela tinha personalidade forte e que com ela, não existiam problemas em questão de 'mandar', ele não sabia o porque, mas aquilo o atraía mais ainda. Beijos? Que beijos o que, aquela garota o tirava do sério, ela era osso duro e fazia greves o tempo inteiro, castigando-o durante dias as vezes. Mas depois haviam suas ótimas recompensas. Ela sabia muito bem como castigar um garoto, tanto quanto sabia muito bem como recompensá-lo depois. Marina sempre fora uma menina muito reservada, nunca dera liberdade à Caio para muitas coisas, mas ela o amava e ele sabia disso. Ele sentia isso. Seu namoro se baseava em confiança, respeito e era algo totalmente puritano. Marina nunca fora uma menina oferecida, e nem dava muita liberdade à ele. O máximo que trocavam eram alguns beijos, e nem eram todos os dias que o faziam. E de certa forma, ele amava isso nela. Aquilo lhe deixava com a sensação de que tinha a necessidade de conquistá-la todos os dias em que se encontravam. Ele sentia a necessidade de demonstrar a ela tudo o que sentia, pois assim ele sabia que a faria derreter-se. Marina sempre fora romântica, e se quisesse ter um pequeno beijo no fim da noite, ele precisaria batalhar para isso. Não que ele estivesse somente interessado nisso, mas ele também gostava daquela etapa de conquista. Ele gostava daquele jeito dela, de ser durona e castigá-lo, o deixando louco, e depois recompensá-lo com o melhor de todos os beijos que pudessem existir. Aquilo era realmente charmoso e combinava perfeitamente com ela.
Mordiscou mais um pedaço de chocolate, ele amava sentir aquilo derreter em sua boca, o provocando sensações indecifráveis. Aquelas sensações, aquele gosto o lembrava de Marina, e era tudo o que ele precisava. Resolvera enviar-lhe uma mensagem,e saiu revirando tudo procurando a droga do celular, que ele não encontrava em lugar algum - "Aqui, achei" - dissera com uma sensação de alívio e felicidade.
Pegara o celular e lhe enviara uma mensagem - "Amor, quero lhe pedir perdão pelo que aconteceu hoje, eu sei que já é madrugada. Eu não consigo dormir, me sinto muito mal pelo que aconteceu e espero que tudo se resolva amanhã. Beijos, te amo" - finalizara assim. Ele sabia que ela até já estaria dormindo, teve certo receio até mesmo de acabar acordando-a. Após enviar a mensagem, percebeu que havia comido todo o chocolate, mas afinal, quem se importa? Ele estava mal mesmo e merecia uns quilinhos a mais né? Ou não? Será que engordaria muito e então Marina o olharia com desprezo e não iria querer namorar uma bolota gorda em forma de garoto. Decidira que iria correr logo que acordasse para recompensar aqueles chocolates. Dormira deitado no sofá pensando na corrida pesada que faria amanhã.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Encontros Inesperados (1º Capítulo)
Acordar pela madrugada e sair para a rua era algo que Robert tinha costume de fazer quando estava morando com sua mãe. Ele se encontrava com alguns parceiros e eles saiam por aí, fazendo qualquer besteira que desse na telha. E era isso que ele pretendia fazer, se levantara da cama depois de um bom cochilo fortalecedor, colocara uma calça de moletom e uma camiseta qualquer, chinelos. Escovou os dentes.
Ele sabia que não mudaria em nada ficar por ali ou sair, afinal, de qualquer forma, ele não iria conseguir dormir novamente. Pegara as chaves da casa de cima da mesa e saíra portão afora.
Resolvera dar uma volta pela rua de trás e depois de voltar ficara sentado ali em frente à casa de seu pai. Robert nunca fora muito de apreciar as coisas. Nunca fora muito poético. Estava calado, pensando na vida e sentindo a brisa da calada da noite, quando pudera ouvir respirações chorosas.
Não. Não poderia ser verdade - olhara para os lados desacreditando no que via à sua frente.
Se aproximara delicadamente da menina, ela tinha uma feição delicada que o atraía muito, e o melhor, era a mesma por quem se interessava no dia que chegara de viagem.
-Olá? - dissera Robert, inseguro.
Marina fechara os olhos desacreditando no que via. Aquele rapaz com os olhos azuis, cabelos bagunçados e perfeitamente loiros, aquilo era um tanto quanto charmoso.
- Oi? - dissera Robert mais uma vez em alto e bom som aproximando-se, abanando as mãos de um lado para o outro bem em frente à menina.
- Ah. Oi desculpe, estava distraída aqui - falara enxugando as lágrimas.
Robert se sentara ao seu lado, era uma noite solitária para ele, e com certeza para ela também.
Ele a olhara de perto de forma rápida, para que ela não pensasse que ele era um safado, percebera que ela realmente era muito bonita.
Quebrando o silencio amedrontador - "Mas e então, o que faz essa hora da madrugada acordada? - Robert questionou.
"Ai meu deus, ele é muito gato" - pensou Marina, se reprovando no mesmo momento. - "Estava aqui pensando na vida, estou sem sono e resolvi ficar um tempo aqui na frente sentindo um ar puro - fizera uma breve pausa - Você deve achar loucura uma menina, sentada na calçada na frente de casa, em plena madrugada, mas é que aqui a cidade é pequena, não tem perigo" - finalizara com um breve sorriso.
Robert assentiu com um pequeno meneio de cabeça, realmente era algo que ele não costumava presenciar, mas não achava estranho ao ponto de ser 'loucura', como ela dissera.- "Verdade, lá onde minha mãe mora, é bem movimentado e com certeza, seria estranho ver uma menina assim como você está agora, sentada na calçada e chorando, mas por nenhum momento pensei que fosse loucura - dissera rindo e dando certo ênfase à palavra 'loucura'.
Chorando? -pensara Marina - Como ele poderia saber que ela estava chorando? Será que ela estava com uma aparência tão terrível assim? -"Como pôde saber que eu estava chorando?"- dissera curiosa. Ela não sabia ao certo, mas sentia algo diferente nesse rapaz, ele era enigmático e tinha cara de ser inteligente até demais. Ah. Aqueles olhos azuis poderiam deixar qualquer menina das redondezas, pirando de paixão, e aquele cabelo bagunçado, calças de moletom com uma camiseta vermelha gola 'V', e chinelos, o deixava bem charmoso. Ao mesmo tempo que se podia perceber que ele pegou qualquer coisa no roupeiro e vestiu, dava um ar de estilo e charme. 'Charme da madrugada', ela sabia que não poderia estar fazendo aquilo, ela ainda amava Caio, apesar da discussão. Sim, ela tinha sua parcela de culpa, mas Caio sempre soubera que Marina era assim. Saiu do transe de seus pensamentos ao ouvi-lo falar -"Bom, quando eu cheguei, vi você secando as lágrimas. E antes mesmo de lhe avistar, ouvi suspiros chorosos, fui ver o que era, e encontrei você, que apesar de termos conversado no dia em que cheguei, esqueci seu nome. Poderíamos nos reapresentar? - falara Robert, brincando.
Marina sorrira, percebendo que poderia cometer erros se não cuidasse o que ia fazer, pois realmente, era tentador.
Fizera uma cara, fingindo pensar sobre o assunto seriamente - "Bom, acho que posso lhe passar tais informações, desde que me passe as suas também" - dissera fingindo certa formalidade entre os dois, que logo caíram na gargalhada.
- Ok, eu sou Robert, serei seu vizinho durante um bom tempo e acho que é só isso né? - iniciara-se.
Robert, nome bonito. E sinceramente? Combinava com ele.
- Meu nome é Marina, e acho que é somente isso que tenho para dizer - dissera rindo.
Marina era um tanto quanto intrigante, era engraçado a forma humorística com que ela encarava as coisas, e ele não sabia o motivo, mas não conseguia criar estratégias enquanto estava com ela. Ele só queria curtir, usá-la e fim, mas percebera por ali, que no fundo, não queria somente isso. Ela era interessante demais para se jogar fora dessa forma. Ele sabia que era perigoso, e ele era alguém que amava correr, não do perigo em si mas sim em direção à ele. Adrenalina. Sua vida se baseava nisso, e para ele, o perigoso e proibido dava uma adrenalina que não se tem ideia ao certo.
- Gosta de sorvete? - perguntou Marina, quebrando o silencio repentino.
Robert achara engraçado a pergunta alheia, pois afinal, do nada ela chegar e perguntar algo assim com todo aquele sotaque interiorano, realmente hilário.
-Gosto. Gosto sim, porque? - dissera, ainda com algumas risadas.
Marina se sentiu acanhada em meio a reação dele. Será que ela fizera algo errado? Afinal, ela só perguntara se ele gostava de sorvete. Para que rir?
- Ah, me desculpe, mas eu fiz algo de errado? - dissera envergonhada.
Robert a olhara de um jeito como se estivesse questionando o motivo de ela ter o perguntado aquilo. - Porque está me perguntando isso?- dissera atônito.
- Não é nada, é só porque você começou a rir freneticamente quando eu lhe perguntei se você gostava de sorvete, achei que estivesse com algo errado. Sei lá.
Ele não pudera segurar o riso ao ver a reação da garota, ela realmente era incrível. Ele nunca houvera rido tanto como rira hoje com ela, e dela. - Não foi nada não querida - falara, passando os limites da formalidade - é só porque achei engraçado o seu sotaque, e também porque nunca ninguém chegou do nada e me perguntou se eu gostava de sorvete. - falara ele, divertindo-se.
Marina logo abrira um sorriso, gostara da forma como ele se referiu à ela - "Querida" - ela sabia que naquela noite, sonharia com isso.
-Ah. sim, eu fiquei assustada porque só perguntei pelo fato de eu estar indo pegar um pouco ali em casa, e então lhe oferecer caso você gostasse. - dissera rindo de toda aquela bobagem.
Ela era diferente, e isso se pudera-se notar somente pelo fato de ele não conseguir criar planos em sua mente enquanto estava com ela, aquilo era estranho e ele sabia que não seria tão fácil conquistá-la. Ou seria? Pois ela até parecia interessada.
- Ah, sim, eu gosto de sorvete - dissera novamente.
- Quer também? - perguntou Marina.
-Acho que vou aceitar um pouco para lhe acompanhar - dissera dando-lhe uma piscadela.
Marina não podia negar que se derretera toda ao vê-lo piscando para ela com aqueles cabelos bagunçados e loiros. Com aqueles olhos azuis que lhe pareciam tão indecifráveis. Aquilo era realmente excitante, ela precisava arrumar alguma forma de descobrir qual era a dele, afinal, apesar de ele ser super simpático e habilidoso socialmente, tal tinha algo que não estava sendo fácil de saber o que era, algo que lhe deixava curiosa. Mas o que ela estaria fazendo? Precisava parar com isso, afinal, ela já tinha Caio, seu namorado. E ela realmente o amava. O amava? Chega, claro que o amava e ainda o ama, não seria de uma hora para a outra que tudo se terminaria assim. Ela sabia que era errado pensar em Robert, mas era inevitável. Afinal, o que Caio fizera esta noite fora realmente algo deplorável. Marina chegara a conclusão de que ele merecera isso.
- Olha, eu amo sorvete de creme, mas este tem algo diferente. O que é? - perguntou Caio, curioso.
Marina sorrira ao ver como ele estava empolgado com o sorvete - "Ah. sim, é um sorvete caseiro que minha mãe faz. Bom né? - dissera, rindo por ver que ele esta com a beirada da boca levemente suja.
- Olha, muito bom mesmo viu? Dê meus parabéns para sua mãe.- dissera tão empolgado, que se sujara mais ainda.
Marina começou a rir compulsivamente por vê-lo com a boca toda suja, era engraçada a forma com que ele continuava ficando mais charmoso ainda daquele jeito.
- O que houve? - dissera Robert, rindo e entrando na brincadeira.
- É que... - hesitou um pouco, lembrando-se de que aquilo estava sendo muito romântico, ao seu ver.
- É que o que? - dissera esperando que ela continuasse a frase.
- Você está com a boca toda suja de sorvete - dissera gargalhando.
Robert a olhara sério, como se não estivesse acreditando no mico que estava pagando - Esta falando sério? - dissera segurando o riso.
Marina não conseguia segurar as gargalhadas, ela não conseguia responde-lo, mas meneou a cabeça querendo dizer sim.
Robert não se conteve e riu abertamente durante um longo tempo, ele realmente estava sendo sincero e se divertindo muito com toda aquela situação. Ele nunca havia sentido aquilo na vida, e ele tinha certeza de que era bom e que queria passar muito mais tempo perto daquela garota, ela era realmente especial.
Após todas as risadas eufóricas, Marina vira que ele não limpara as manchas de sorvete de sua boca - "E ai garoto? Não vai limpar o sorvete não?" - dissera tirando sarro.
- Limpa pra mim? - perguntara ele, a olhando seriamente, ele não estava brincando, realmente queria que ela limpasse.
Petterson Wakcher (1º Capítulo)
Sr. Petterson, sempre fora um homem dedicado à sua família e seu trabalho, enquanto lavava a louça, pensava em como o tempo corria rápido. Em como as coisas mudaram, analisara rapidamente alguns arranhões leves em sua xícara preferida, ela já estava velha, e plausivelmente bem conservada de acordo com sua idade, logo tivera leves recordações de quando ganhara essa xícara, tal fizera um papel importante, foi a partir daquele dia que um novo capítulo iniciara na vida da família.
Petterson estava sentado em uma cadeira, logo em uma das primeiras fileiras do teatro. A escola de seu filho estaria fazendo uma breve apresentação para os pais, e ele sabia que aquilo seria um momento único em sua vida e na vida de seu filho de 6 anos. Era realmente marcante.
Robert Wakcher, seu único filho vivo. Ele amava aquele filho mais do que pudesse querer, Robert era a relíquia. Robert era a única parte de Petterson que permanecera viva após tantos incidentes - sentira a tristeza pesar nos olhos ao lembrar dos fatos. As lembranças não tiveram piedade, as cenas fizeram questão de lhe provocar lágrimas. Seria ele, alguém que pudesse ser considerado como um bom e responsável pai? Não. Não, como ele poderia deixar que aquilo acontecesse? - sentira ódio de si mesmo. Tudo poderia ter sido diferente, mas eu fui tonto, não pude evitar - pensara.
Naquela noite, ele estava ansioso pela apresentação de seu filho, o seu melhor e maior presente. - sorrira ao lembrar-se de como Robert estava nervoso naquele dia, e também pelo fato de conseguir se refugiar daquelas memórias indesejadas.
A apresentação fora um teatro que contava sobre a amizade entre o pai e o filho. Robert faria um papel importante na peça, e ele tivera orgulho do filho, pois sempre percebera uma habilidade incrível nele quando se tratava de interpretar personagens, ele realmente era um garoto talentoso, vivia com um bloquinho de notas e seu mp3. Petterson sempre achara isso um tanto quanto engraçadinho, era divertido ver seu filho anotando seus objetivos em um bloco de notas enquanto escutava musicas.
Robert falava habilmente, e decorou todas as falas em menos de uma semana, o teatro realmente lhe fez perceber mais ainda, o quanto seu filho era precioso para ele. O quanto seu filho. Seu único filho vivo, era essencial em sua vida.
Ao fim da peça teatral, ele nunca se esquecera daquela cena, que nunca mais se repetiu durante toda a sua vida.
Seu filho correndo em direção à ele, com um sorriso largo no rosto, de orelha a orelha, gritando -"Papai, papai. Eu te amo!"- sentira um aperto no peito, ao lembrar-se que depois daquele dia, Robert nunca mais dissera que o amava.
Tal o abraçara ao chegar perto dele e lhe entregar uma caneca, a sua caneca preferida hoje em dia, que citava a seguinte frase: "Papai, eu vou te amar sempre, haja o que houver" - e o que mais intrigara Petterson, é que cada caneca tinha frases diferentes, pois cada aluno da escolinha havia criado sua própria frase, e realmente, a de seu filho, tinha sido a mais bem elaborada - sem clichês, não era só por ser seu filho, mas sim, porque realmente, era a mais bem elaborada diante das outras. A partir dali, decidira que aquela frase seria seu lema, e aquela caneca, seria seu mais novo tesouro.
Seu filho crescera, já não era o mesmo garotinho. Petterson não podia negar que perdera a alegria de viver, desde a ultima vez que falara com seu filho, a briga foi feia, e Robert foi embora e prometera que jamais voltaria lá.
Ouvira a campainha tocar. Desligara a torneira, secou as mãos rapidamente.
Irônico destino. Enquanto acomodava-se no sofá em frente à quem? Justamente. Robert.
Ele sabia que seu filho iria dar um arrependido, sabia bem os truques de Robert, mas se fazia de bobo, pois sabia que o filho estava precisando de ajuda, e acima de tudo. Robert era seu único filho, e ele jamais se perdoaria se algo acontecesse à ele. E lá estava Petterson, mostrando o quarto de hóspedes sem pensar duas vezes, mesmo sabendo que seu filho não merecia nem um terço daquilo. Mas ele era pai, e essas coisas, só os pais entendem.
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