quarta-feira, 27 de março de 2013

Retalhos do Fim (3º Capítulo)


"I need to rest in arms keep me safe from harm..."- escutar Robie Williams não era uma boa pedida, mas acredito que quando estamos tristes, sempre procuramos musicas com a mesma intensidade. Musicas que relembrem fatos, e que nos façam chorar. Lavar a alma enquanto a melodia toca. Ventos. Ventos que não falavam por si. Ventos da lembrança.
(1 ano antes).
Era uma noite fria de inverno, tudo o que Marina menos queria era sair de casa, preparava alguns chocolates quentes para algumas amigas, que lhe insistiam para resolver a sua situação com Caio. Ela realmente gostava dele, e o achava muito bonito, simpático... Fofo, só que isso ela não falava para ele, afinal, nenhum menino gosta de ser chamado de 'fofo'.
-Amiga, fala com ele. Você sabe muito bem que se você não quiser, nós queremos.-Isabella fez um bico, em sinal de tristeza.- Mas nem adianta muito, porque ele só quer você. - então as outras garotas começaram a rir e jogar almofadas uma na outra.
Marina sabia que ele era do tipo apaixonado. O que com certeza contavam uma boa quantidade de pontos entre eles.
-Parem meninas, eu sei que ele é lindo ok? Hoje ele me trouxe pra casa depois da aula. - Marina suspirou durante alguns segundos lembrando do ocorrido.
Laura batia palminhas - E aí? E aí? O que aconteceu? - dissera super empolgada.
Náuseas, medo, sufoco. Aquelas lembranças faziam com que transbordassem rios dos olhos de Marina, que estava totalmente inconformada com tudo aquilo. Ela sabia que naquele dia, dera seu primeiro beijo, com o menino que ela amava. Sim. - "Eu não o amo mais, ok? Cérebro, pare de discutir comigo um assunto que já está encerrado" - pensou, enquanto as lembranças vagavam por sua mente, no quanto ele foi delicado em cada passo. Em cada toque. Seus lábios se selaram vagarosamente, de uma forma romântica e sincera. Apaixonada. E ela poderia sentir de A a Z, que ele era perfeito. Corações caindo na beirada da calçada. Confetes de amor. Confetes que precisavam ir embora. Confetes que não existem mais, e não vão existir de novo. - secou sua lágrimas bruscamente. - Marina precisava descobrir sobre Robert. Robert era interessante e ela queria saber o que ele tinha à esconder.
Perto dali. Mas não tão perto assim, estava Robert, sentado em uma escadaria publica que lhe dava uma visão ampla da cidade. Talvez fosse errado procurar por Marina sendo que corria grande risco de não encontrar nada a respeito dela. Deveria ir até sua casa? Ele sabia que ela morava na mesma rua que a de seu pai, ou dele. Tanto faz. Mas ele sabia que estava perto dele de alguma forma, o que era bom. Muito bom - pensara maliciosamente.

terça-feira, 26 de março de 2013

Dores Incuráveis (3º Capítulo)


Aquilo não poderia estar acontecendo. Enquanto andava de um lado para o outro, questionava se o que ocorrera há algumas horas atrás era realmente verídico. Caio custava para processar que Marina simplesmente o deixara. Sem dó. Sem piedade ou temor. Olhava algumas coisas dela, cartas espalhadas pelo chão. Sim. Pelo chão, para demonstrar devoção. Para demonstrar angústia. Para demonstrar o amor que ele tanto lutara para construir e que do nada. Do nada. Tudo acabou, simplesmente assim. Puft. O sonho encantado terminou, está na hora de voltar para realidade nua e crua, ou cruel. Tanto faz. Pegava cartas e mais cartas. Lágrimas. Medo e mãos trêmulas de tristezas, e choros angustiados.
"Caio, meu amor, prometa para mim que jamais irá desistir de mim. Mesmo que seja difícil. Eu amo você querido" - leu o inicio de uma de suas cartas para ele. "Meu amor? Então porque me deixou, se eu era o 'seu amor'?"- pensara. Caio sentia seu mundo desabar como se pudesse amarrotar-se em si mesmo. Como se pudesse sentir seu próprio peso cair por seus ombros. Seus olhos vermelhos, inchados e prontos para deixar cair mais uma lágrima. E mais uma. E mais uma. "Droga" - dissera enquanto secava seu rosto com um pano qualquer, tentando amenizar e retirar qualquer registro de choro. Sua mãe jamais poderia saber desse momento, ele até já pudera imaginar a cena - "Oh sim, meu filho esses dias estava chorando, vocês acreditam? Eu não sei o que deu nele. Oh, desculpem garotas, aceitam mais um pedaço de bolo com uma xícara de chá?". Sua mãe jamais perderia a oportunidade de contar algo novo para suas amigas, e o que ele menos queria, eram boatos sobre ele. Principalmente, sobre ele estar chorando. Pegou aquelas cartas, colocou-as de volta em uma caixinha e as escondeu de si mesmo, prometendo-se que não as procuraria mais, de forma alguma.
Caio sabia que mesmo que não quisesse, ele amava Marina, e não procuraria ninguém. Marina era seu único e primeiro amor, aliás, ele também prometera a ela que não desistiria, como naquela carta.
Cenas. Cenas de terror e medo. Dor. Desespero. - "Acabou, eu não quero mais você" - foram as ultimas palavras de Marina até ele se lançar para fora, refugiando-se de. Lágrimas. Lágrimas surgem em seus olhos, inundando-os. Fazendo tempestades em alto mar. Tempestades dolorosas e incuráveis. Tempestades do amor. Tempestades obscuras na calada da noite, que sempre tendem a nos dar calafrios de medo. Ele precisava de Marina, e faria de tudo para que as coisas ficassem bem, mas sabia que não falaria com ela durante uma boa jornada ao longos dos meses. Sentiu seu coração apertar mais uma vez, e rios começaram a transbordar, como as chuvas de veraneio. Chuvas turbulentas. Águas que se movem sem medo ou razão, molhando tudo, molhando o tempo. Pintando os dias de cinza. Chuva que descia por seu interior como consolo da alma e alarme do coração. Chuva que o molhava por inteiro, o fazendo tremer de frio, de medo. De dor.

domingo, 24 de março de 2013

Fora de Foco. (2º Capítulo)


- Mamãe, apesar de todas as brigas e de pelo fato de eu ter feito o que fiz, me perdoe. Eu estava equivocado e realmente errei. - dizia Robert, enquanto revirava os olhos pelo outro lado da linha, louco para terminar logo com toda essa palhaçada.
Christine não sabia bem como lidar com seu filho, ela o conhecia bem para saber de sua perfeita capacidade para fazer com que seu arrependimento parecesse o mais real possível.
- Tudo bem querido - dissera fingindo acreditar - eu sei que você é um bom rapaz meu filho, e jamais ousaria em cometer nenhuma besteira momentânea.
- Eu só acabei me irritando sabe? Mas me perdoe mamãe, eu realmente me equivoquei, mas vou continuar aqui no papai por um tempo. Estou bem aqui. - disse sorrindo cinicamente por dentro, pelo fato de ver sua mãe caindo como uma idiota em seu papo de bom moço.
Christine precisava fingir acreditar naquele teatro, que apesar de tudo, ela não poderia negar estava sendo muito bem feito e que se não fosse seu próprio filho, e que ela não o conhecesse como o conhecia, caíria de primeira em todo aquele drama.
-Sim querido, acredito em você - mentiu. - mas agora, preciso arrumar algumas coisas aqui, vou ter que desligar, e que bom que você está se acertando por aí com seu pai.
- Tudo bem mãe, também tenho que arrumar algumas coisas por aqui. - falara logo depois despedindo-se rapidamente e desligando.
Christine desligara o tefelofone atônita, ela sabia que seu filho não era dos mais calmos, e com certeza estava tramando alguma por de baixo dos panos.
Talvez o certo a se fazer fosse calar-se e esperar. "Esperar? Esperar pelo que? Pelo pior? Pelo amor de Deus Christine, você não pode ficar parada enquanto tem praticamente certeza de que seu filho está tramando algo. Acorde!"- dissera para si mesma, em seu subconsciente.
Christine não sabia certamente como funcionava a mente de Robert, mas tinha certeza de que seu filho não teria esse tipo de atitude se não houvesse planos envolvidos junto com um jogo de interesses.
Robert estava sentado ao pé da cama, satisfeito com seu trabalho, ele imaginava que talvez sua mãe pudesse desconfiar, mas ela cumpriu seu bom papel de acreditar. Ou fingir ter acreditado. Não importa; o que importa mesmo é que ela não o confrontara. Se levantou e elevou seus pensamentos em Marina. Ele nunca mais falara com ela durante esse espaço de tempo, já faziam quase uma semana que ele estava pela cidade e a unica pessoa com quem criou algum laço, fora Marina, que por sinal...- Robert parou, se aprofundando em uma linguagem mais bruta do que ele pensava sobre Marina. Uma linguagem chula e machista. - "Gostosa, ela realmente é muito boa" - pensara maliciosamente. Não que  Robert tivesse interesses ruins com Marina, na verdade, ele estranhava o fato de não conseguir descartar a possibilidade de tê-la para si de sua mente. Ele queria ter algo mais sério com ela, mas sabia que aquilo poderia estragar tudo. Mesmo assim, queria. Sim, ela realmente era "gostosa" - como ele diria se estivesse com seu parceiros da madrugada.- mas ela tinha algo além disso, que o intrigava muito, e pelo mínimo que fosse, aquilo se sobressaía bem mais do que seu corpo e etc., mas Robert não poderia aceitar a possibilidade de ama-la. Ou poderia? Nessas alturas do campeonato, qualquer coisa está em jogo, até mesmo sentimentos.
Descera as escada rapidamente, e fora direto até a cozinha, pegando uma jarra de suco e bebendo dali mesmo. Seu pai iria lhe xingar muito se o visse fazendo-o, mas Robert amava a adrenalina de fazer algo onde seu pai não poderia saber em nem lhe fazer pagar por isso. Era uma forma de vingança oculta. - riu de si mesmo, engasgando-se com o suco.- "Vingança Oculta?! Robert, o que é isso?" - pensou sarcasticamente, rindo. Apesar de tudo, Robert se divertia consigo mesmo, mas se tinha algo que o fazia rir, era humor negro. Sinceramente? Os melhores, com licença por favor. Claro que isso não faz sentido algum com o ocorrido, mas falar de assuntos alheios sorrateiramente, ironizando tais, era algo que lhe parecia espirituoso, e ele amava isso.
Robert sabia que precisava procurar Marina, mas como? Não tinha o numero dela, na verdade, nem tivera tempo para isso. Guardara a jarra na geladeira rindo pelo fato de que sorrateiramente, pudera fazer algo de que seu pai não o punisse.  Talvez fosse coisas de sua cabeça, mas pela primeira vez, Robert não estava tramando algo minuciosamente. Marina... Marina; seria ela a causadora disso tudo? Não, ela não poderia ousar estragar tudo. Robert sabia que Marina seria a peça necessária, e diga-se de passagem que seria divertido tê-la em seus braços. Perigoso. Hum... Interessante.
Arrumou ligeiramente algumas roupas em seu quarto, escovara os dentes. Ele sabia que não estava seguindo sua linha de foco. Procurar Marina hoje não estava em seu planejamento, mas não pudera evitar a sensação de beijá-la pairar novamente por seus pensamentos e faze-lo sentir a noite o cobrindo com um manto de obscuridades. Obscuridades do amor... do coração.