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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Encontros Inesperados (1º Capítulo)
Acordar pela madrugada e sair para a rua era algo que Robert tinha costume de fazer quando estava morando com sua mãe. Ele se encontrava com alguns parceiros e eles saiam por aí, fazendo qualquer besteira que desse na telha. E era isso que ele pretendia fazer, se levantara da cama depois de um bom cochilo fortalecedor, colocara uma calça de moletom e uma camiseta qualquer, chinelos. Escovou os dentes.
Ele sabia que não mudaria em nada ficar por ali ou sair, afinal, de qualquer forma, ele não iria conseguir dormir novamente. Pegara as chaves da casa de cima da mesa e saíra portão afora.
Resolvera dar uma volta pela rua de trás e depois de voltar ficara sentado ali em frente à casa de seu pai. Robert nunca fora muito de apreciar as coisas. Nunca fora muito poético. Estava calado, pensando na vida e sentindo a brisa da calada da noite, quando pudera ouvir respirações chorosas.
Não. Não poderia ser verdade - olhara para os lados desacreditando no que via à sua frente.
Se aproximara delicadamente da menina, ela tinha uma feição delicada que o atraía muito, e o melhor, era a mesma por quem se interessava no dia que chegara de viagem.
-Olá? - dissera Robert, inseguro.
Marina fechara os olhos desacreditando no que via. Aquele rapaz com os olhos azuis, cabelos bagunçados e perfeitamente loiros, aquilo era um tanto quanto charmoso.
- Oi? - dissera Robert mais uma vez em alto e bom som aproximando-se, abanando as mãos de um lado para o outro bem em frente à menina.
- Ah. Oi desculpe, estava distraída aqui - falara enxugando as lágrimas.
Robert se sentara ao seu lado, era uma noite solitária para ele, e com certeza para ela também.
Ele a olhara de perto de forma rápida, para que ela não pensasse que ele era um safado, percebera que ela realmente era muito bonita.
Quebrando o silencio amedrontador - "Mas e então, o que faz essa hora da madrugada acordada? - Robert questionou.
"Ai meu deus, ele é muito gato" - pensou Marina, se reprovando no mesmo momento. - "Estava aqui pensando na vida, estou sem sono e resolvi ficar um tempo aqui na frente sentindo um ar puro - fizera uma breve pausa - Você deve achar loucura uma menina, sentada na calçada na frente de casa, em plena madrugada, mas é que aqui a cidade é pequena, não tem perigo" - finalizara com um breve sorriso.
Robert assentiu com um pequeno meneio de cabeça, realmente era algo que ele não costumava presenciar, mas não achava estranho ao ponto de ser 'loucura', como ela dissera.- "Verdade, lá onde minha mãe mora, é bem movimentado e com certeza, seria estranho ver uma menina assim como você está agora, sentada na calçada e chorando, mas por nenhum momento pensei que fosse loucura - dissera rindo e dando certo ênfase à palavra 'loucura'.
Chorando? -pensara Marina - Como ele poderia saber que ela estava chorando? Será que ela estava com uma aparência tão terrível assim? -"Como pôde saber que eu estava chorando?"- dissera curiosa. Ela não sabia ao certo, mas sentia algo diferente nesse rapaz, ele era enigmático e tinha cara de ser inteligente até demais. Ah. Aqueles olhos azuis poderiam deixar qualquer menina das redondezas, pirando de paixão, e aquele cabelo bagunçado, calças de moletom com uma camiseta vermelha gola 'V', e chinelos, o deixava bem charmoso. Ao mesmo tempo que se podia perceber que ele pegou qualquer coisa no roupeiro e vestiu, dava um ar de estilo e charme. 'Charme da madrugada', ela sabia que não poderia estar fazendo aquilo, ela ainda amava Caio, apesar da discussão. Sim, ela tinha sua parcela de culpa, mas Caio sempre soubera que Marina era assim. Saiu do transe de seus pensamentos ao ouvi-lo falar -"Bom, quando eu cheguei, vi você secando as lágrimas. E antes mesmo de lhe avistar, ouvi suspiros chorosos, fui ver o que era, e encontrei você, que apesar de termos conversado no dia em que cheguei, esqueci seu nome. Poderíamos nos reapresentar? - falara Robert, brincando.
Marina sorrira, percebendo que poderia cometer erros se não cuidasse o que ia fazer, pois realmente, era tentador.
Fizera uma cara, fingindo pensar sobre o assunto seriamente - "Bom, acho que posso lhe passar tais informações, desde que me passe as suas também" - dissera fingindo certa formalidade entre os dois, que logo caíram na gargalhada.
- Ok, eu sou Robert, serei seu vizinho durante um bom tempo e acho que é só isso né? - iniciara-se.
Robert, nome bonito. E sinceramente? Combinava com ele.
- Meu nome é Marina, e acho que é somente isso que tenho para dizer - dissera rindo.
Marina era um tanto quanto intrigante, era engraçado a forma humorística com que ela encarava as coisas, e ele não sabia o motivo, mas não conseguia criar estratégias enquanto estava com ela. Ele só queria curtir, usá-la e fim, mas percebera por ali, que no fundo, não queria somente isso. Ela era interessante demais para se jogar fora dessa forma. Ele sabia que era perigoso, e ele era alguém que amava correr, não do perigo em si mas sim em direção à ele. Adrenalina. Sua vida se baseava nisso, e para ele, o perigoso e proibido dava uma adrenalina que não se tem ideia ao certo.
- Gosta de sorvete? - perguntou Marina, quebrando o silencio repentino.
Robert achara engraçado a pergunta alheia, pois afinal, do nada ela chegar e perguntar algo assim com todo aquele sotaque interiorano, realmente hilário.
-Gosto. Gosto sim, porque? - dissera, ainda com algumas risadas.
Marina se sentiu acanhada em meio a reação dele. Será que ela fizera algo errado? Afinal, ela só perguntara se ele gostava de sorvete. Para que rir?
- Ah, me desculpe, mas eu fiz algo de errado? - dissera envergonhada.
Robert a olhara de um jeito como se estivesse questionando o motivo de ela ter o perguntado aquilo. - Porque está me perguntando isso?- dissera atônito.
- Não é nada, é só porque você começou a rir freneticamente quando eu lhe perguntei se você gostava de sorvete, achei que estivesse com algo errado. Sei lá.
Ele não pudera segurar o riso ao ver a reação da garota, ela realmente era incrível. Ele nunca houvera rido tanto como rira hoje com ela, e dela. - Não foi nada não querida - falara, passando os limites da formalidade - é só porque achei engraçado o seu sotaque, e também porque nunca ninguém chegou do nada e me perguntou se eu gostava de sorvete. - falara ele, divertindo-se.
Marina logo abrira um sorriso, gostara da forma como ele se referiu à ela - "Querida" - ela sabia que naquela noite, sonharia com isso.
-Ah. sim, eu fiquei assustada porque só perguntei pelo fato de eu estar indo pegar um pouco ali em casa, e então lhe oferecer caso você gostasse. - dissera rindo de toda aquela bobagem.
Ela era diferente, e isso se pudera-se notar somente pelo fato de ele não conseguir criar planos em sua mente enquanto estava com ela, aquilo era estranho e ele sabia que não seria tão fácil conquistá-la. Ou seria? Pois ela até parecia interessada.
- Ah, sim, eu gosto de sorvete - dissera novamente.
- Quer também? - perguntou Marina.
-Acho que vou aceitar um pouco para lhe acompanhar - dissera dando-lhe uma piscadela.
Marina não podia negar que se derretera toda ao vê-lo piscando para ela com aqueles cabelos bagunçados e loiros. Com aqueles olhos azuis que lhe pareciam tão indecifráveis. Aquilo era realmente excitante, ela precisava arrumar alguma forma de descobrir qual era a dele, afinal, apesar de ele ser super simpático e habilidoso socialmente, tal tinha algo que não estava sendo fácil de saber o que era, algo que lhe deixava curiosa. Mas o que ela estaria fazendo? Precisava parar com isso, afinal, ela já tinha Caio, seu namorado. E ela realmente o amava. O amava? Chega, claro que o amava e ainda o ama, não seria de uma hora para a outra que tudo se terminaria assim. Ela sabia que era errado pensar em Robert, mas era inevitável. Afinal, o que Caio fizera esta noite fora realmente algo deplorável. Marina chegara a conclusão de que ele merecera isso.
- Olha, eu amo sorvete de creme, mas este tem algo diferente. O que é? - perguntou Caio, curioso.
Marina sorrira ao ver como ele estava empolgado com o sorvete - "Ah. sim, é um sorvete caseiro que minha mãe faz. Bom né? - dissera, rindo por ver que ele esta com a beirada da boca levemente suja.
- Olha, muito bom mesmo viu? Dê meus parabéns para sua mãe.- dissera tão empolgado, que se sujara mais ainda.
Marina começou a rir compulsivamente por vê-lo com a boca toda suja, era engraçada a forma com que ele continuava ficando mais charmoso ainda daquele jeito.
- O que houve? - dissera Robert, rindo e entrando na brincadeira.
- É que... - hesitou um pouco, lembrando-se de que aquilo estava sendo muito romântico, ao seu ver.
- É que o que? - dissera esperando que ela continuasse a frase.
- Você está com a boca toda suja de sorvete - dissera gargalhando.
Robert a olhara sério, como se não estivesse acreditando no mico que estava pagando - Esta falando sério? - dissera segurando o riso.
Marina não conseguia segurar as gargalhadas, ela não conseguia responde-lo, mas meneou a cabeça querendo dizer sim.
Robert não se conteve e riu abertamente durante um longo tempo, ele realmente estava sendo sincero e se divertindo muito com toda aquela situação. Ele nunca havia sentido aquilo na vida, e ele tinha certeza de que era bom e que queria passar muito mais tempo perto daquela garota, ela era realmente especial.
Após todas as risadas eufóricas, Marina vira que ele não limpara as manchas de sorvete de sua boca - "E ai garoto? Não vai limpar o sorvete não?" - dissera tirando sarro.
- Limpa pra mim? - perguntara ele, a olhando seriamente, ele não estava brincando, realmente queria que ela limpasse.
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