terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Petterson Wakcher (1º Capítulo)


Sr. Petterson, sempre fora um homem dedicado à sua família e seu trabalho, enquanto lavava a louça, pensava em como o tempo corria rápido. Em como as coisas mudaram, analisara rapidamente alguns arranhões leves em sua xícara preferida, ela já estava velha, e plausivelmente bem conservada de acordo com sua idade, logo tivera leves recordações de quando ganhara essa xícara, tal fizera um papel importante, foi a partir daquele dia que um novo capítulo iniciara na vida da família.
Petterson estava sentado em uma cadeira, logo em uma das primeiras fileiras do teatro. A escola de seu filho estaria fazendo uma breve apresentação para os pais, e ele sabia que aquilo seria um momento único em sua vida e na vida de seu filho de 6 anos. Era realmente marcante.
Robert Wakcher, seu único filho vivo. Ele amava aquele filho mais do que pudesse querer, Robert era a relíquia. Robert era a única parte de Petterson que permanecera viva após tantos incidentes - sentira a tristeza pesar nos olhos ao lembrar dos fatos. As lembranças não tiveram piedade, as cenas fizeram questão de lhe provocar lágrimas. Seria ele, alguém que pudesse ser considerado como um bom e responsável pai? Não. Não, como ele poderia deixar que aquilo acontecesse? - sentira ódio de si mesmo. Tudo poderia ter sido diferente, mas eu fui tonto, não pude evitar - pensara.
Naquela noite,  ele estava ansioso pela apresentação de seu filho, o seu melhor e maior presente. - sorrira ao lembrar-se de como Robert estava nervoso naquele dia, e também pelo fato de conseguir se refugiar daquelas memórias indesejadas.
A apresentação fora um teatro que contava sobre a amizade entre o pai e o filho. Robert faria um papel importante na peça, e ele tivera orgulho do filho, pois sempre percebera uma habilidade incrível nele quando se tratava de interpretar personagens, ele realmente era um garoto talentoso, vivia com um bloquinho de notas e seu mp3. Petterson sempre achara isso um tanto quanto engraçadinho, era divertido ver seu filho anotando seus objetivos em um bloco de notas enquanto escutava musicas.
Robert falava habilmente, e decorou todas as falas em menos de uma semana, o teatro realmente lhe fez perceber mais ainda, o quanto seu filho era precioso para ele. O quanto seu filho. Seu único filho vivo, era essencial em sua vida.
Ao fim da peça teatral, ele nunca se esquecera daquela cena, que nunca mais se repetiu durante toda a sua vida.
Seu filho correndo em direção à ele, com um sorriso largo no rosto, de orelha a orelha, gritando -"Papai, papai. Eu te amo!"- sentira um aperto no peito, ao lembrar-se que depois daquele dia, Robert nunca mais dissera que o amava.
 Tal o abraçara ao chegar perto dele e lhe entregar uma caneca, a sua caneca preferida hoje em dia, que citava a seguinte frase: "Papai, eu vou te amar sempre, haja o que houver" - e o que mais intrigara Petterson, é que cada caneca  tinha frases diferentes, pois cada aluno da escolinha havia criado sua própria frase, e realmente, a de seu filho, tinha sido a mais bem elaborada - sem clichês, não era só por ser seu filho, mas sim, porque realmente, era a mais bem elaborada diante das outras.  A partir dali, decidira que aquela frase seria seu lema, e aquela caneca, seria seu mais novo tesouro.
 Seu filho crescera, já não era o mesmo garotinho. Petterson não podia negar que perdera a alegria de viver, desde a ultima vez que falara com seu filho, a briga foi feia, e Robert foi embora e prometera que jamais voltaria lá.
Ouvira a campainha tocar. Desligara a torneira, secou as mãos rapidamente.
Irônico destino.  Enquanto acomodava-se no sofá em frente à quem? Justamente. Robert.
 Ele sabia que seu filho iria dar um arrependido, sabia bem os truques de Robert, mas se fazia de bobo, pois sabia que o filho estava precisando de ajuda, e acima de tudo. Robert era seu único filho, e ele jamais se perdoaria se algo acontecesse à ele. E lá estava Petterson, mostrando o quarto de hóspedes sem pensar duas vezes, mesmo sabendo que seu filho não merecia nem um terço daquilo. Mas ele era pai, e essas coisas, só os pais entendem.

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