sexta-feira, 31 de julho de 2015

Hostil Opressor (4˚ Capítulo)

Quem dera estivesse com Petterson naquela noite. Quem dera não passasse de uma meretriz indigna.
 Lindsay poderia definir-se em qualquer palavra, menos em uma: dama. Poderia esconder as lágrimas, enquanto tapas e socos ricocheteavam por toda a sua extensão corporal, mas de que adiantaria? A água que caia de suas íris eram de desgosto e amargor por si mesma. No fundo, sentia-se merecedora de todas as marcas que se alastravam aos poucos por seu corpo. A pior parte não seria aquela. A pior parte seria depois, ao se olhar no espelho e ver no âmago o quão suja ela era.
 Marcos não economizava em sua palavras, e o prazer dele estaria em vê-la implorar por remissão. Ajoelharia-na aos seus pés e ela pagaria ali por aquilo que merecia, e da forma que mais faria jus ao seu nome: Pécora.
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Petterson não se preocupara com mais nada além de pegar as chaves de seu carro e partir em disparada para a residência de Lindsay. Ele sabia que havia pago por serviços de espionagem, mas seu coração não era de ferro, e algo lhe dizia que precisava agir rápido. A casa de Lindy, como costumava chamá-la às vezes, não era tão longo ao ponto de lhe fazer surtar, mais nem tão perto para lhe deixar tranquilo em seu trajeto. Ele não sabia o motivo, mas sentia uma dor forte, como se adivinhasse que aquele seria o pior dia de toda a sua vida, mas o que o homem de cabelos grisalhos altamente sedutores menos sabia, era que aquele realmente seria um dia único: o dia em que tudo voltaria ao pó!
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Marcos batia em Lindsay com violência, enquanto dava sinais de que aquele não seria o fim. Seus olhos beiravam um abismo entre o prazer a consternação. Prazer ao ver aquela mulher se rastejando aos seus pés, suplicante, com marcas roxas pelo corpo e a boca ensanguentada. Consternação ao lembrar-se que, mesmo assim, era para os braços de outro homem que ela correria. Aquilo o fizera elucidar, transcender em cólera. Ódio que exalava por suas entranhas. Socos não eram suficientes. Arrastou-a pelos cabelos enquanto chutava-na e batia sua cabeça pelas quinas dos móveis. Pisoteava em seu rosto e gritava de forma gutural o quão exulcera era sua existência. "Você é uma biscate de marca maior" - gritava ao mesmo tempo que a mandava tirar suas roupas e lhe esbofeteava a face sem dó ou piedade. - "Vamos, repita o que eu disse sua piranha!".
 "Marcos, por favor, me deixe em paz, - suplicava em lágrimas - não faça isso comigo. Vá embora, eu imploro!". Lindsay não tinha mais lágrimas para serem choradas, senão as de sangue. Sua alma estava pagando por todos os seus pecados. Sua injurias seriam cobertas aquela noite. Quanto mais ela falava, mais levava chutes e tapas. Silenciou e obedecera Marcos, tirando sua roupa e declarando-se a maior prostituta dentre todas da redondeza. Chorava calada por seus erros e pedia a Deus a ajuda que não merecia, enquanto o homem mais repugnante que já pôde existir aos seus olhos, lhe ordenava indecências asquerosas.
 Talvez a vida estivesse sendo legal com ela.
 Lindsay não acreditava que valesse muito mais do que aquilo que estava sendo coagida a fazer...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Devasso Prazer (3˚ Capítulo)

Existe uma grande fenda entre o certo e o errado, mas com certeza não faria nenhum grande contraste.
Existe um abismo entre o medo e o agir impensado, porém a indiferença se torna a ponte.
Não existe amor.
Robert poderia até ter aberto mão de seu lado negro, mas se fosse por isso, que se matasse. Existem coisas que sentimentos fraternos não podem dar valor. Coisas que só o menosprezo e a insensibilidade podem nos dar. Sentado num banco qualquer, sadicamente pensava sobre como seria terrível acordar pela manhã sem ter cometido nenhuma indolência. Ele sabia que aquilo machucaria alguém, mas esse era o objetivo final. Era madrugada, sexo pago não tinha graça e nunca teve. Prostitutas não sabem atuar. Prostitutas são um lixo. Fazer amor? Procurar alguém para se aventurar em um flerte casual? Cansativo demais.
 Ele precisava agir rápido caso ainda quisesse se divertir naquela madrugada. O que fazer?-Levantara-se, caminhando em direção ao parque deserto. Aquele lugar era sombrio, muitos considerariam assustador. Ao chegar mais perto, sentou-se debaixo de uma das muitas árvores que povoavam o local, que não tinha muita iluminação, mas o suficiente para perceber que não estava só. Havia um casal ali. Eles estavam brigando, e feio. Ouviu barulhos de tapas, de alguém caindo no chão e, em seguida, o reflexo de um homem esvaindo-se pelas sombras do parque.
 Existiam muitas possibilidades, mas nenhuma delas era positiva. Existia uma variedade de escolhas, mas nenhuma dela incluiria ajudar a vítima. Na mochila ele carregava alguns brinquedinhos que lhe poderia ser úteis. Ele iria se divertir.
 A passos curtos caminhava em direção à presa, que, graças à nequícia que se alojava em seu ser, teria o pior dia de sua vida. Claro que ela teria direito às últimas palavras, mas normalmente esses idiotas são burros e não sabem escolher direito. É incrível, dá-se a chance de eles pronunciarem seu ultimo verbete em terra e eles só sabem dizer "Por favor, mimimi, me deixe viver". - Realmente, nessas horas dá vontade de nunca mais oferecer-lhes a oportunidade... Robert nunca havia matado alguém, mas amava o desespero do último fôlego. Amava ver a dor dilacerando e refletindo no rosto. O medo de morrer sem dizer seu último adeus aos familiares... Aquilo era melhor que sexo ou drogas. Era algo que só a sordidez a devassidão podem proporcionar. Algo que somente psicopatas poderiam considerar prazeroso.