sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tempestade de Reações (3º Capítulo)


Sentado em sua cama, analisando toda a sua trajetória com Marina, Caio estava um caco. Estilhaçado por sua cama como um homem qualquer, sem saber bem definir o vazio que sentia, e o pressentimento ruim que andara tendo durante esses dias tão demorados e cheios de angústia. Ele sentia raiva de si mesmo por não esquecer Marina; por não conseguir apagá-la e recomeçar como todas a pessoas fazem.
Passou a mão pelos cabelos rapidamente, perguntando-se o porque tanta desgraça em sua vida. Será que havia atirado um encruzilhado de pedras na cruz? Havia ele tomado as mesmas dores e feito trocadilhos a respeito de Deus e seus princípios?- "Não matarás! - não, não matei ninguém ainda." - conferiu. - " Não darás falso testemunho!".
 Lembranças.
7 anos. Escola no interior da mesma cidade onde residia.
- Qual é a sua Caio? Não vai querer estragar tudo né? A gente bateu nele sim, mas se você abrir o bico, apanha também. - dissera Roger, o valentão da turma, na época.
Caio havia visto a briga na hora do recreio, toda a turma fora chamada para 'depor', na época, como os alunos eram conhecidos e estavam recém cursando o primeiro ano, era assim que funcionava.
-Caio Oliver, por favor comparecer na diretoria imediatamente. - falou a coordenadora, Srta. Flourença.
Sentira suas mãos estremecerem, e assim, fora em direção à salinha da diretora. Uma sala bonita e bem organizada, com paredes brancas, mas uma era vermelha, da cor da camiseta da escola. Sentara-se no sofá da salinha de espera onde logo, a diretora chamou seu nome. O outro aluno saiu da sala imediatamente e Caio entrou com olhar apreensivo, ele tinha algo para confessar, mas sabia que se confessasse, iria sofrer muitos machucados após. Sentou-se na cadeira em frente a diretora, que o olhava seriamente, o fazendo sentir que poderia gaguejar em meio às palavras, ainda mais contando com o fato de que ele estaria mentindo. Dando um falso testemunho.
"Falso Testemunho" - aquilo fizera Caio despertar de seu devaneio por entre suas lembranças. Naquele dia, ele mentira para a diretora a respeito da briga, dissera não ter visto nada, afirmou e jurou por si mesmo. Deus estava o castigando agora. - "Que negócio é esse? Olhe no que estou pensando? - riu de si mesmo - que ridículo".
Caio estava realmente procurando algo que pudesse explicar o que ocorrera em sua vida, em seu namoro. Seu chão caiu e qualquer coisinha poderia ser a desculpa mais perfeita para que pudesse recomeçar. Inclusive uma mentira na escola, aos 7 anos.
Levantara-se devagar, um pouco sonolento. Queria comer alguma coisa enquanto escrevia alguns cronogramas de corrida. Caio agora passara a correr todas as manhãs. Corria durante uma hora sem parar, então logo após, sentava na escadaria principal da cidade, visualizando como os dias são bonitos quando acordamos cedo, logo após comprava uma água por qualquer comércio das redondezas e corria por mais uma hora. Durante esse tempo de corrida, sentia aquele pesadelo todo se desvanecer por dentro de si, o fazendo esquecer que tudo aquilo era real. Por algumas vezes, esquecia-se que havia chegado ao fim de seu namoro e então planejava passar na casa da Marina para matar a saudade. Tristeza. Sim, alguns segundos depois se abatia pelo fato de lembrar-se que tudo aquilo havia passado. Marina não iria recebe-lo com um sorriso e um abraço. Com um beijo. Ela era a primeira menina que, nunca havia se desfeito de o abraçar pelo fato de estar suado, sujo. Terrivelmente inceitável em questão de etiqueta. Quando ele passava na casa dela depois das corridas, ela corria em sua direção sorrindo, parecia que não se viam por décadas. - "Amor, que surpresa" - gritava. Então o abraçava rindo. - "Estava correndo?" "Sim querida, resolvi passar aqui para lhe dar um beijo e ir tomar banho, vamos tomar um sorvete hoje de tarde?" - seu sorriso lhe deixava sem folego - "Claaaaaaaro" - dizia empolgada mas com a voz suave ao mesmo tempo, enquanto lhe enchia de beijos sem parar.
Como num passe de mágica. Puft. Se encontrou sozinho, preparando um misto e um suco de laranja. Sentiu sua garganta arranhar por dentro. A saudade bateu. As lágrimas caíram sem que ele pudesse nem ao menos tentar evitar.


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