quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Turbulências (1º Capítulo)


Caio estava deitado em sua cama. Literalmente não conseguia dormir de forma alguma. Ele sabia que as coisas não estavam indo bem entre Marina e ele. Ele sabia que se perdesse Marina, faria de tudo para tê-la novamente, e era isso que o irritava, Porque? Porque justo ela? Uma garota complicada, pensativa e que ficava palpitando e tentando achar a razão de tudo e de todos. Porque? Mas ele a amava, e a amava o bastante para morrer por ela se fosse necessário.
Caio sentira as lágrimas caírem em seu rosto. Lágrimas pesadas. Lágrimas de aflição... Dor.
Levantara-se rapidamente, ele sabia que não conseguiria dormir, então resolvera comer alguma coisa. Quem sabe assim, o tempo passaria mais rápido, para que ele pudesse resolver as coisas logo com sua pequena. Sim, sua pequena, porque apesar de tudo, ele a amava e ainda a queria ao seu lado. Ele não tivera a intenção de ofendê-la falando aquilo. Sinceramente? Só quisera ser romântico, mas sua tentativa fora um fracasso. E agora ele estava com medo do que Marina poderia fazer, será que ela teria a audácia de terminar com ele por isso?
Ao chegar na cozinha, ligou a luz e fora direto abrir a geladeira. - "Nada de interessante"- pensou. Ao abrir o armário, seus olhos brilharam, ele sabia que poderia ser coisa de mulherzinha - diriam os machistas. Mas tudo o que ele precisava era de um bom chocolate, e era justamente o que ele comeria, ligaria a televisão e comeria quantos chocolates suportasse.
Deitado no sofá da sala, se perguntava se não seria possível ter Marina ali com ele naquele momento. Tudo o que ele queria era poder abraçá-la o mais forte possível - "Desculpe-me meu amor, eu realmente errei, não deveria ter lhe falado aquilo, mas prometo recompensar por tudo isso lhe demonstrando o quanto eu lhe amo" - ele realmente queria lhe falar aquilo naquele momento. Seria muito clichê? Não importa, era o que ele estava sentindo no momento e era o que ele iria falar de todo o coração.
 Marina sempre fora uma menina muito diferente, ele custara a desvendar alguns dos mistérios que ela guardava para si, e ele sentia que cada vez mais mistérios surgiam e aquilo realmente o fazia transbordar de paixão. Seu coração estava pesado, e ele não sabia se chorava ou se simplesmente se tornava indiferente. Se lembrara de quando a conheceu. Ela era uma menina peculiar, e lhe deixava desajeitado com aquela postura formal de garota inteligente. Aquilo realmente o atraía muito, ela era bastante persuasiva em sua opiniões e o convencia em questão de segundos em fazer o que ela queria, as vezes sem utilizar nenhuma palavra.
 No primeiro dia em que começaram a se encontrar e sair juntos como um casal. Aquele dia fora muito marcante. Ali ele percebeu o quanto ela tinha personalidade forte e que com ela, não existiam problemas em questão de 'mandar', ele não sabia o porque, mas aquilo o atraía mais ainda. Beijos? Que beijos o que, aquela garota o tirava do sério, ela era osso duro e fazia greves o tempo inteiro, castigando-o durante dias as vezes. Mas depois haviam suas ótimas recompensas. Ela sabia muito bem como castigar um garoto, tanto quanto sabia muito bem como recompensá-lo depois. Marina sempre fora uma menina muito reservada, nunca dera liberdade à Caio para muitas coisas, mas ela o amava e ele sabia disso. Ele sentia isso. Seu namoro se baseava em confiança, respeito e era algo totalmente puritano. Marina nunca fora uma menina oferecida, e nem dava muita liberdade à ele. O máximo que trocavam eram alguns beijos, e nem eram todos os dias que o faziam. E de certa forma, ele amava isso nela. Aquilo lhe deixava com a sensação de que tinha a necessidade de conquistá-la todos os dias em que se encontravam. Ele sentia a necessidade de demonstrar a ela tudo o que sentia, pois assim ele sabia que a faria derreter-se. Marina sempre fora romântica, e se quisesse ter um pequeno beijo no fim da noite, ele precisaria batalhar para isso. Não que ele estivesse somente interessado nisso, mas ele também gostava daquela etapa de conquista. Ele gostava daquele jeito dela, de ser durona e castigá-lo, o deixando louco, e depois recompensá-lo com o melhor de todos os beijos que pudessem existir. Aquilo era realmente charmoso e combinava perfeitamente com ela.
Mordiscou mais um pedaço de chocolate, ele amava sentir aquilo derreter em sua boca, o provocando sensações indecifráveis. Aquelas sensações, aquele gosto o lembrava de Marina, e era tudo o que ele precisava.  Resolvera enviar-lhe uma mensagem,e  saiu revirando tudo procurando a droga do celular, que ele não encontrava em lugar algum - "Aqui, achei" - dissera com uma sensação de alívio e felicidade.
Pegara o celular e lhe enviara uma mensagem - "Amor, quero lhe pedir perdão pelo que aconteceu hoje, eu sei que já é madrugada. Eu não consigo dormir, me sinto muito mal pelo que aconteceu e espero que tudo se resolva amanhã. Beijos, te amo" - finalizara assim. Ele sabia que ela até já estaria dormindo, teve certo receio até mesmo de acabar acordando-a. Após enviar a mensagem, percebeu que havia comido todo o chocolate, mas afinal, quem se importa? Ele estava mal mesmo e merecia uns quilinhos a mais né? Ou não? Será que engordaria muito e então Marina o olharia com desprezo e não iria querer namorar uma bolota gorda em forma de garoto. Decidira que iria correr logo que acordasse para recompensar aqueles chocolates. Dormira deitado no sofá pensando na corrida pesada que faria amanhã.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Encontros Inesperados (1º Capítulo)


 Acordar pela madrugada e sair para a rua era algo que Robert tinha costume de fazer quando estava morando com sua mãe. Ele se encontrava com alguns parceiros e eles saiam por aí, fazendo qualquer besteira que desse na telha. E era isso que ele pretendia fazer, se levantara da cama depois de um bom cochilo fortalecedor, colocara uma calça de moletom e uma camiseta qualquer, chinelos. Escovou os dentes.
 Ele sabia que não mudaria em nada ficar por ali ou sair, afinal, de qualquer forma, ele não iria conseguir dormir novamente. Pegara as chaves da casa de cima da mesa e saíra portão afora.
Resolvera dar uma volta pela rua de trás e depois de voltar ficara sentado ali em frente à casa de seu pai. Robert nunca fora muito de apreciar as coisas. Nunca fora muito poético. Estava calado, pensando na vida e sentindo a brisa da calada da noite, quando pudera ouvir respirações chorosas.
Não. Não poderia ser verdade - olhara para os lados desacreditando no que via à sua frente.
Se aproximara delicadamente da menina, ela tinha uma feição delicada que o atraía muito, e o melhor, era a mesma por quem se interessava no dia que chegara de viagem.
-Olá? - dissera Robert, inseguro.
Marina fechara os olhos desacreditando no que via. Aquele rapaz com os olhos azuis, cabelos bagunçados e perfeitamente loiros, aquilo era um tanto quanto charmoso.
- Oi? - dissera Robert mais uma vez em alto e bom som aproximando-se, abanando as mãos de um lado para o outro bem em frente à menina.
- Ah. Oi desculpe, estava distraída aqui - falara enxugando as lágrimas.
Robert se sentara ao seu lado, era uma noite solitária para ele, e com certeza para ela também.
Ele a olhara de perto de forma rápida, para que ela não pensasse que ele era um safado, percebera que ela realmente era muito bonita.
Quebrando o silencio amedrontador - "Mas e então, o que faz essa hora da madrugada acordada? - Robert questionou.
"Ai meu deus, ele é muito gato" - pensou Marina, se reprovando no mesmo momento. - "Estava aqui pensando na vida, estou sem sono e resolvi ficar um tempo aqui na frente sentindo um ar puro - fizera uma breve pausa - Você deve achar loucura uma menina, sentada na calçada na frente de casa, em plena madrugada, mas é que aqui a cidade é pequena, não tem perigo" - finalizara com um breve sorriso.
Robert assentiu com um pequeno meneio de cabeça, realmente era algo que ele não costumava presenciar, mas não achava estranho ao ponto de ser 'loucura', como ela dissera.- "Verdade, lá onde minha mãe mora, é bem movimentado e com certeza, seria estranho ver uma menina assim como você está agora, sentada na calçada e chorando, mas por nenhum momento pensei que fosse loucura - dissera rindo e dando certo ênfase à palavra 'loucura'.
Chorando? -pensara Marina - Como ele poderia saber que ela estava chorando? Será que ela estava com uma aparência tão terrível assim? -"Como pôde saber que eu estava chorando?"- dissera curiosa. Ela não sabia ao certo, mas sentia algo diferente nesse rapaz, ele era enigmático e tinha cara de ser inteligente até demais. Ah. Aqueles olhos azuis poderiam deixar qualquer menina das redondezas, pirando de paixão, e aquele cabelo bagunçado, calças de moletom com uma camiseta vermelha gola 'V', e chinelos, o deixava bem charmoso. Ao mesmo tempo que se podia perceber que ele pegou qualquer coisa no roupeiro e vestiu, dava um ar de estilo e charme. 'Charme da madrugada', ela sabia que não poderia estar fazendo aquilo, ela ainda amava Caio, apesar da discussão. Sim, ela tinha sua parcela de culpa, mas Caio sempre soubera que Marina era assim. Saiu do transe de seus pensamentos ao ouvi-lo falar -"Bom, quando eu cheguei, vi você secando as lágrimas. E antes mesmo de lhe avistar, ouvi suspiros chorosos, fui ver o que era, e encontrei você, que apesar de termos conversado no dia em que cheguei, esqueci seu nome. Poderíamos nos reapresentar? - falara Robert, brincando.
Marina sorrira, percebendo que poderia cometer erros se não cuidasse o que ia fazer, pois realmente, era tentador.
Fizera uma cara, fingindo pensar sobre o assunto seriamente - "Bom, acho que posso lhe passar tais informações, desde que me passe as suas também" - dissera fingindo certa formalidade entre os dois, que logo caíram na gargalhada.
- Ok, eu sou Robert, serei seu vizinho durante um bom tempo e acho que é só isso né? - iniciara-se.
Robert, nome bonito. E sinceramente? Combinava com ele.
- Meu nome é Marina, e acho que é somente isso que tenho para dizer - dissera rindo.
Marina era um tanto quanto intrigante, era engraçado a forma humorística com que ela encarava as coisas, e ele não sabia o motivo, mas não conseguia criar estratégias enquanto estava com ela. Ele só queria curtir, usá-la e fim, mas percebera por ali, que no fundo, não queria somente isso. Ela era interessante demais para se jogar fora dessa forma. Ele sabia que era perigoso, e ele era alguém que amava correr, não do perigo em si mas sim em direção à ele. Adrenalina. Sua vida se baseava nisso, e para ele, o perigoso e proibido dava uma adrenalina que não se tem ideia ao certo.
- Gosta de sorvete? - perguntou Marina, quebrando o silencio repentino.
Robert achara engraçado a pergunta alheia, pois afinal, do nada ela chegar e perguntar algo assim com todo aquele sotaque interiorano, realmente hilário.
-Gosto. Gosto sim, porque? - dissera, ainda com algumas risadas.
Marina se sentiu acanhada em meio a reação dele. Será que ela fizera algo errado? Afinal, ela só perguntara se ele gostava de sorvete. Para que rir?
- Ah, me desculpe, mas eu fiz algo de errado? - dissera envergonhada.
Robert a olhara de um jeito como se estivesse questionando o motivo de ela ter o perguntado aquilo. - Porque está me perguntando isso?- dissera atônito.
- Não é nada, é só porque você começou a rir freneticamente quando eu lhe perguntei se você gostava de sorvete, achei que estivesse com algo errado. Sei lá.
Ele não pudera segurar o riso ao ver a reação da garota, ela realmente era incrível. Ele nunca houvera rido tanto como rira hoje com ela, e dela. - Não foi nada não querida - falara, passando os limites da formalidade - é só porque achei engraçado o seu sotaque, e também porque nunca ninguém chegou do nada e me perguntou se eu gostava de sorvete. - falara ele, divertindo-se.
Marina logo abrira um sorriso, gostara da forma como ele se referiu à ela - "Querida" - ela sabia que naquela noite, sonharia com isso.
-Ah. sim, eu fiquei assustada porque só perguntei pelo fato de eu estar indo pegar um pouco ali em casa, e então lhe oferecer caso você gostasse. - dissera rindo de toda aquela bobagem.
Ela era diferente, e isso se pudera-se notar somente pelo fato de ele não conseguir criar planos em sua mente enquanto estava com ela, aquilo era estranho e ele sabia que não seria tão fácil conquistá-la. Ou seria? Pois ela até parecia interessada.
- Ah, sim, eu gosto de sorvete - dissera novamente.
- Quer também? - perguntou Marina.
-Acho que vou aceitar um pouco para lhe acompanhar - dissera dando-lhe uma piscadela.
Marina não podia negar que se derretera toda ao vê-lo piscando para ela com aqueles cabelos bagunçados e loiros. Com aqueles olhos azuis que lhe pareciam tão indecifráveis. Aquilo era realmente excitante, ela precisava arrumar alguma forma de descobrir qual era a dele, afinal, apesar de ele ser super simpático e habilidoso socialmente, tal tinha algo que não estava sendo fácil de saber o que era, algo que lhe deixava curiosa. Mas o que ela estaria fazendo? Precisava parar com isso, afinal, ela já tinha Caio, seu namorado. E ela realmente o amava. O amava? Chega, claro que o amava e ainda o ama, não seria de uma hora para a outra que tudo se terminaria assim. Ela sabia que era errado pensar em Robert, mas era inevitável. Afinal, o que Caio fizera esta noite fora realmente algo deplorável. Marina chegara a conclusão de que ele merecera isso.
- Olha, eu amo sorvete de creme, mas este tem algo diferente. O que é? - perguntou Caio, curioso.
Marina sorrira ao ver como ele estava empolgado com o sorvete - "Ah. sim, é um sorvete caseiro que minha mãe faz. Bom né? - dissera, rindo por ver que ele esta com a beirada da boca levemente suja.
- Olha, muito bom mesmo viu? Dê meus parabéns para sua mãe.- dissera tão empolgado, que se sujara mais ainda.
Marina começou a rir compulsivamente por vê-lo com a boca toda suja, era engraçada a forma com que ele continuava ficando mais charmoso ainda daquele jeito.
- O que houve? - dissera Robert, rindo e entrando na brincadeira.
- É que... - hesitou um pouco, lembrando-se de que aquilo estava sendo muito romântico, ao seu ver.
- É que o que? - dissera esperando que ela continuasse a frase.
- Você está com a boca toda suja de sorvete - dissera gargalhando.
Robert a olhara sério, como se não estivesse acreditando no mico que estava pagando - Esta falando sério? - dissera segurando o riso.
Marina não conseguia segurar as gargalhadas, ela não conseguia responde-lo, mas meneou a cabeça querendo dizer sim.
Robert não se conteve e riu abertamente durante um longo tempo, ele realmente estava sendo sincero e se divertindo muito com toda aquela situação. Ele nunca havia sentido aquilo na vida, e ele tinha certeza de que era bom e que queria passar muito mais tempo perto daquela garota, ela era realmente especial.
Após todas as risadas eufóricas, Marina vira que ele não limpara as manchas de sorvete de sua boca - "E ai garoto? Não vai limpar o sorvete não?" - dissera tirando sarro.
- Limpa pra mim? - perguntara ele, a olhando seriamente, ele não estava brincando, realmente queria que ela limpasse.

Petterson Wakcher (1º Capítulo)


Sr. Petterson, sempre fora um homem dedicado à sua família e seu trabalho, enquanto lavava a louça, pensava em como o tempo corria rápido. Em como as coisas mudaram, analisara rapidamente alguns arranhões leves em sua xícara preferida, ela já estava velha, e plausivelmente bem conservada de acordo com sua idade, logo tivera leves recordações de quando ganhara essa xícara, tal fizera um papel importante, foi a partir daquele dia que um novo capítulo iniciara na vida da família.
Petterson estava sentado em uma cadeira, logo em uma das primeiras fileiras do teatro. A escola de seu filho estaria fazendo uma breve apresentação para os pais, e ele sabia que aquilo seria um momento único em sua vida e na vida de seu filho de 6 anos. Era realmente marcante.
Robert Wakcher, seu único filho vivo. Ele amava aquele filho mais do que pudesse querer, Robert era a relíquia. Robert era a única parte de Petterson que permanecera viva após tantos incidentes - sentira a tristeza pesar nos olhos ao lembrar dos fatos. As lembranças não tiveram piedade, as cenas fizeram questão de lhe provocar lágrimas. Seria ele, alguém que pudesse ser considerado como um bom e responsável pai? Não. Não, como ele poderia deixar que aquilo acontecesse? - sentira ódio de si mesmo. Tudo poderia ter sido diferente, mas eu fui tonto, não pude evitar - pensara.
Naquela noite,  ele estava ansioso pela apresentação de seu filho, o seu melhor e maior presente. - sorrira ao lembrar-se de como Robert estava nervoso naquele dia, e também pelo fato de conseguir se refugiar daquelas memórias indesejadas.
A apresentação fora um teatro que contava sobre a amizade entre o pai e o filho. Robert faria um papel importante na peça, e ele tivera orgulho do filho, pois sempre percebera uma habilidade incrível nele quando se tratava de interpretar personagens, ele realmente era um garoto talentoso, vivia com um bloquinho de notas e seu mp3. Petterson sempre achara isso um tanto quanto engraçadinho, era divertido ver seu filho anotando seus objetivos em um bloco de notas enquanto escutava musicas.
Robert falava habilmente, e decorou todas as falas em menos de uma semana, o teatro realmente lhe fez perceber mais ainda, o quanto seu filho era precioso para ele. O quanto seu filho. Seu único filho vivo, era essencial em sua vida.
Ao fim da peça teatral, ele nunca se esquecera daquela cena, que nunca mais se repetiu durante toda a sua vida.
Seu filho correndo em direção à ele, com um sorriso largo no rosto, de orelha a orelha, gritando -"Papai, papai. Eu te amo!"- sentira um aperto no peito, ao lembrar-se que depois daquele dia, Robert nunca mais dissera que o amava.
 Tal o abraçara ao chegar perto dele e lhe entregar uma caneca, a sua caneca preferida hoje em dia, que citava a seguinte frase: "Papai, eu vou te amar sempre, haja o que houver" - e o que mais intrigara Petterson, é que cada caneca  tinha frases diferentes, pois cada aluno da escolinha havia criado sua própria frase, e realmente, a de seu filho, tinha sido a mais bem elaborada - sem clichês, não era só por ser seu filho, mas sim, porque realmente, era a mais bem elaborada diante das outras.  A partir dali, decidira que aquela frase seria seu lema, e aquela caneca, seria seu mais novo tesouro.
 Seu filho crescera, já não era o mesmo garotinho. Petterson não podia negar que perdera a alegria de viver, desde a ultima vez que falara com seu filho, a briga foi feia, e Robert foi embora e prometera que jamais voltaria lá.
Ouvira a campainha tocar. Desligara a torneira, secou as mãos rapidamente.
Irônico destino.  Enquanto acomodava-se no sofá em frente à quem? Justamente. Robert.
 Ele sabia que seu filho iria dar um arrependido, sabia bem os truques de Robert, mas se fazia de bobo, pois sabia que o filho estava precisando de ajuda, e acima de tudo. Robert era seu único filho, e ele jamais se perdoaria se algo acontecesse à ele. E lá estava Petterson, mostrando o quarto de hóspedes sem pensar duas vezes, mesmo sabendo que seu filho não merecia nem um terço daquilo. Mas ele era pai, e essas coisas, só os pais entendem.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eternidade. (1º Capítulo)


Marina estava absorta em seus pensamentos enquanto abraçava Caio, ela sabia que estava apaixonada por ele. Caio era realmente um garoto bom e muito responsável, sempre a levara em casa de acordo com os comandos de seu pai. Ele era dedicado e romântico. Bonito, e cobiçado na cidade, afinal, quem não gostaria de um cara bem arrumado, alto, cabelos negros como a noite e os olhos verdes como uma esmeralda? Quem? Bom, ao menos ela gostaria e gosta. Agora, eles se encontravam em uma pracinha deserta. Marina sempre gostara daquela praça, pela tranquilidade que lhe passava, ali ela conseguia pensa e analisar tudo o que quisesse, na hora que quisesse. Ali ela sentia calmaria, era a mesma sensação de quando estava com Caio, uma sensação boa de que tudo ficaria tranquilo sempre. E ela amava essa sensação de que a paz reinaria para sempre.
"Amor? Você está muito pensativa hoje, o que houve?" - questionara Caio.
O transe se quebrou, e Marina ficara desconsertada, ela não sabia muito bem como reagir e demorou alguns segundos para voltar ao pleno raciocínio. Marina se aproximara do rosto de Caio, o dando um beijo da bochecha - "Desculpe amor, eu estava pensando em nós dois e me distraí sem querer" - dissera sobrepondo seu rosto ao dele carinhosamente.
Caio sentira um leve formigamento no corpo, ele amava a forma com que Marina o deixava bobo quando falava sobre eles dois. Ela realmente era perfeita ao olhos dele. Ela falava de um jeitinho tão amável que o deixava como um bobalhão, ele faria tudo o que ela quisesse, tudo o que ela pedisse, pois ela o deixava daquele jeito, e aquela sensação era boa.
Caio a abraçara mais forte, envolvendo-a em seus braços, enquanto a via aconchegar-se nos mesmos. Entrelaçara as mãos nas dela e sentira como se o universo não pudesse ter preparado algo melhor para ele.
"Eu te amo" - falara ao pé do ouvido de Marina, que logo abrira um sorriso de orelha a orelha. Ele sempre soube que essa era uma das coisas que ela não sabia como resistir, e ele realmente a amava.
Marina começara uma nova reflexão, ela era do tipo que amava refletir sobre qualquer detalhe, sobre qualquer palavra boba. E nesse caso, ela começara refletindo sobre o amor. O amor poderia se basear em uma emoção? - não. Não, isso não poderia ser verdade, o que ela sentia por Caio era bem mais que isso, e ela jamais aceitaria direcionar o amor à algo tão repentino. Todas as luzes apagadas, as cenas passando em sua mente, ela sabia que sempre esperou por algo assim em sua vida. Ela acreditou durante muito tempo, até ver que seria um caso perdido. Ela sabia que essas memórias lhe davam náuseas. Não, o amor não poderia ser somente isso. - Tentara voltar ao seu raciocínio inicial, com esperanças de tirar essas cenas de sua mente, que continuava teimando com todos aqueles medos. Com toda aquela confusão, aquela falta de paz. Sentira-se perturbada durante alguns instantes, conseguira livrar-se fazendo uma pergunta rápida e objetiva à Caio.
"Do que você tem medo?" - dissera quebrando o silêncio, quebrando o encanto do farfalhar das folhas e o canto dos grilos.
Caio analisara um pouco o questionamento de Marina e após alguns segundos, sabia do que tinha medo.
- Da eternidade - afirmou.
Marina se assustara com o medo de Caio, ela realmente, não conseguira compreender o motivo de um medo tão peculiar.
"Medo da eternidade? Que estranho!" - pensara. Porque alguém teria medo da eternidade? Não fazia sentido e ela não conseguia encontrar motivos persuasivos o bastante para convence-la de que aquilo poderia ser normal.
Antes que ela pudesse questioná-lo qualquer coisa, sentira Caio se aprochegar ao rosto dela. Ele a abraçava e acariciava seu rosto, chegando cada vez mais perto. Ele olhara em direção à boca de Marina, ela sabia que ele iria beijá-la.
Caio escorregou o rosto pelo de Marina, sentindo como sua pele era macia. Ela realmente impossível não amá-la, ele sabia que ela estava se questionando o motivo de ele ter medo da eternidade, mas naquele momento ele não queria falar sobre aquilo. Em questão de segundos sentira seus lábio tocarem os de Marina, e aquela sensação para ele, era inigualável a qualquer outra.
 Marina sabia que não resistiria ao beijo de Caio, seus lábios se tocaram e foram encaixando compassadamente.  Tudo o que ela menos queria, era estragar aquele momento.  Caio finalizara o beijo, chegando ao pé do ouvido de Marina:
- Porque você precisa ficar pensando em tudo? - sussurrou - Acalme-se, você não tem necessidade de saber todas as respostas. Já não basta o nosso amor?
No momento em que ouvira aquilo de Caio, ao mesmo tempo que soara romântico, Marina se sentira ofendida. Se afastou rapidamente, com movimentos bruscos, e já entrara na defensiva.
- O que você pensa que está fazendo? - vociferou - Você não tem o direito de me fazer não querer questionar as coisas. Do nada, chega você dizendo que tem medo da eternidade. O que quer que eu pense? - interrogou grosseiramente.
Caio a olhou amedrontado, aquilo nunca acontecera antes. Qual era o problema afinal? Ele não queria brigar, mas também não queria deixar aquilo por ali mesmo.
- Qual o problema de eu ter medo da eternidade? -interrogou friamente - Ah. sim, você precisa saber todos os motivos de eu ter medo disso ou daquilo, porque você acha isso divertido. Pare - gritara irritado - Se eu tenho medo ou não, não interessa. Você me ama, não é? Eu te amo também, então porque você você precisa ficar analisando cada 'porquê' que aparecer no caminho? - vociferou.
 Marina sentira seus olhos encherem d'água, ela sabia que tinha essa mania. Mas ela lá teria culpa de ser curiosa? Não. Não, ela teria de ser mais forte, aquilo não poderia acontecer. Chorar na frente dele depois de tudo? Jamais ela faria isso.
Sentira as lágrimas caírem, ela não pudera evitar, e aquilo lhe dera um sentimento de fracasso total. Ela saira correndo, a praça onde estavam, era perto de sua casa, ela não suportava a sensação de chorar na frente dele após uma briga.  Ela sabia que ele estava indo a passos longos atrás dela, mas quem liga?
Caio sabia que pegara pesado com a namorada. Ele não devia ter falado tudo aquilo, ele sabia que ela era frágil, mas se descontrolara, e então, deixou-se levar pela emoção. - "Marina" - gritou, na esperança de que ela olhasse para trás e o deixasse se explicar. Era obvio que ela não olharia para trás.
Ao chegar em casa, Marina correra para seu quarto, secou as lágrimas, tentando parar de chorar, mas tudo o que ela mais queria, era se livrar das lembranças dessa briga.
 Do nada vieram cenas em sua mente, daquele garoto dos olhos azuis, ele realmente lhe parecia muito atraente e estiloso. Não só lhe parecia, como era.  Ela sabia que parecia ser errado, Caio era o garoto mais perfeito, romântico, dedicado. Mas aquele garoto... - suspirou - ele tinha algo que Marina precisava desvendar.
 Decidira ficar um pouco na frente de casa, sentindo o ar puro. Pegara um casaco, por pura precaução e descera as escadas rapidamente, indo em direção à porta.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Objetivos em Pauta (1º Capítulo)


Robert sempre destacava todos os seus objetivos em blocos de anotação. Era uma mania persuasiva, que sempre o perseguira ao longo dos anos. Hoje, ele sentiu-se renovado após tomar um banho, deitar-se em sua cama e relembrar em como aquela garota era bonita. Ele realmente não sabia muito bem ao certo, o que fazer. Ele não tinha muita noção do que estava sentindo, só sabia que era algo relaxante.
 Ele sabia que hoje, deixara um "Q" de curiosidade na garota, somente pela forma com que ela olhava para ele, como quem quer dizer - "Ui, você é um gato sabia?" - era mais ou menos o que dava a entender.
Robert sabia que era atraente, e isso fazia parte de seu charme, ninguém resistia à seus cabelos loiros, e seus olhos azuis. Sua altura também não deixava a desejar, ele realmente era feliz consigo mesmo e amava se admirar em frente ao espelho.
Caminhara em direção à cozinha, a fome estava batendo. Seu pai não estava em casa e com certeza voltaria tarde. Estava com sua namorada e com certeza voltaria tarde, aquele burro nem era capaz de perceber que aquela mulher o traía. Era muito ridículo, mas ele se divertia. Jamais contaria para seu pai que sabia do assunto. Ao parar em frente à geladeira, vira um bilhete de seu pai - "Filho, como você já sabe, saí com a Lindsay e não voltarei a tempo para o jantar, então ligue para o restaurante Hommer's" - no resto do papel estavam os números para contato.
Pela primeira vez, agradecera mentalmente ao velho.
 Pedira um  "X- burguer" com batatas fritas e uma boa e velha coca-cola.  Já estava se irritando de esperar, quando lembrou-se que não tinha pego nenhuma informação do casal além de seus nomes, e infelizmente o nome da garota ele já esquecera. Talvez amanhã ele esbarra-se por tais novamente, afinal, a cidade era pequena.
 Colocara seus fones de ouvido, após pagar o entregador, fora à cozinha, e comera ouvindo uma boa musica. Ele se sentia completo ao colocar seus fones e sentir o mundo cair ao seu redor, como nas tempestades de inverno.
Robert se pegara analisando o motivo de sentir algo estranho por aquela menina, o que seria isso? Ele sabia que não era algo que fosse agradar ao namorado dela, e por isso, precisaria ser minucioso em cada detalhe. Mas se ele a encontrasse por aí, não perderia tempo de partir para o ataque de alguma forma suave. Ele percebera o interesse nela, mas precisava colocar a cabeça no lugar. Aquilo não era certo. Mas, afinal, quem se importa? Quantas coisas piores ele já não fizera, sabendo que seriam erradas. Agora ele iria se privar de quebrar essa regrinha boba de não mexer com garotas que já tem namorado. Que coisa mais ridículo, se ele não amarelou durante todos esse anos, não seria agora que ele iria fazer papel de bobo.
Tomara um copo d'água, e fora se deitar, enquanto ouvia musicas e dava uma lida, como de costume.
 "Preciso me preparar para amanhã" - pensara segundos antes de adormecer.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Nervosismos. (1º Capítulo)


O cara estranho entrara na casa do Sr. Petterson, ficara lá tempo o bastante para que pudesse ser previsto de que não sairia mais. Caio vira que ele era estranho, parecia meio perturbado, mas tirando isso, ele tinha boa aparência e se vestia nos conformes. Tudo estava normal para ele, um dia normal ao lado de Marina, a garota com quem ele pretendia formar uma vida, mas ele sentira uma certa insegurança ao ver aquele cara passando e olhando para sua garota como se quisesse devorá-la, como se estivesse traçando planos com ela, mas naquele momento, não era tempo de pensar.
Seus olhos se arregalaram ao ver o cara vindo na direção deles - "Não pode ser"- pensara.
"Olá - o nervosismo na voz do desconhecido ela algo realmente notável - desculpe incomodar vocês, sou novo e vim passar uns tempos por aqui na casa de meu pai, pensei em fazer alguns amigos"
 Naquele instante, Caio sentira seus musculos relaxarem e a tensão baixar - "Não poderia ser tão mal assim"- pensara.
Marina se acomodara um pouco mais, demonstrando consentimento em conhecer pessoas novas, cultivar uma nova amizade sempre era algo legal de se fazer.
"Oi, prazer, me chamo Caio Oliver - olhara apaixonadamente para Marina, e logo após apontara para ela - e esta é minha namorada, Marina Rosa" - dissera simpáticamente,
 Automáticamente, Marina sorrira era em direção ao - "desconhecido bonitão" - pensara. Não que ela estivesse interessada nele, mas ele realmente era um cara atraente.
"Desculpe-me, nem me apresentei direito. Sou Robert Wakcher, e como vocês já sabem, vim passar uns tempos aqui com meu pai". - dera um sorriso aberto e sincero, com a mente mirabolando tudo, ele sabia que era necessário demonstrar normalidade e espontâneidade em tudo.  Se sentara ao lado de Marina.
- Mas e ai? O que te  levou a vir morar com seu pai? - questionou Marina, ao mesmo tempo, pensando em como ele realmente era um cara bonitão.
Robert sorriu, olhou para os lados como se precisasse de um tempo para assimilar as coisas que estavam acontecendo no momento.
- Bom, eu estava cansado da cidade grande, resolvi vir para cá com meu pai para aliviar um pouco da tensão que as ruas movimentadas sempre tem. Mas ao chegar na rodoviária, achei que estaria tudo certo. Mas me deparei com mais um longo percuso pela frente. 3 ônibus , e ainda tive de caminhar um pedaço a pé. Isso me estressou o bastante para amaldiçoar minha decisão. - falara em tom extrovertido, mas tentando imitar 'revolta'.
Marina sorrira, achando engraçado o jeito com que ele conseguia ser engraçado imitando uma certa 'revolta' na voz.
Robert questionou Caio, a respeito de trivialidades.
 Enquanto Caio abraçava Marina, Robert falava sobre as coisas que fazia em sua cidade, antes de ir para casa de seu pai.
"Mas então você quer dizer que simplesmente cansou da cidade urbana e decidira esperimentar o interior? Isso é realmente intrigante."- dissera Caio, interessado no assunto.
Robert tentava não reparar muito na garota, mas era realmente impossível. Pois ela era muito bonita, e Caio só não tinha problemas pelo fato de não estarem em uma cidade grande. Porque se estivessem, o ciúme ia ser grande, e qualquer descuido poderia ser fatal. Ela estava com um short jeans e uma regata bege. Com isso, ele percebera que ela não era uma 'olivia palito' - como costumava chamar as garotas magrelas - ela era realmente, respeitável em questão de corpo, tinha tudo em seu devido lugar e muito bem distrubuído, com uma quantia necessária para deixar os homens loucos.  Ele sabia que não poderia deixar esse desejo muito perceptível. Precisava fazer os lados com namorado dela.
- Vamos sair hoje á noite, quer aproveitar o embalo? - dissera Marina, intrometendo-se mesmo sem saber se Caio aprovaria a ideia.
Robert a olhara sem demonstrar a vontade que sentia por dentro - Acho melhor não - dissera - não quero atrapalhar o tempo de vocês a sós.
Caio se sentira alíviado, ele realmente queria passar esse tempo a sós com Marina, e não com um cara que recém conhecera de relance. Claro que seria legal e tal. Mas essa noite, ele queria passar somente com Marina, pois ele a amava, e eles não tinham muito tempo para ficar juntos. O horário também não ajudava, pois sempre que saía com ela, tinha que deixá-la em casa às 23hs, pontualmente. - era um simples acordo que tinha com os pais dela.
- Tudo bem então - dissera Marina, aconchegando-se em Caio - mas com certeza, marcamos algo para outro dia, pois amizades são sempre bem vindas - deixara um sorriso no ar.
 - Bom, eu vou indo lá, pois ainda tenho que organizar algumas coisas e a fome também está batendo. Vou ver se como algo e vou dormir, outro dia nos falamos - Falara Robert, enquanto levantava-se indo em direção à casa de seu pai.





sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Teatro Perfeito. (1º Capítulo)


Depois de pegar a droga dos 3 ônibus para chegar na casa de seu pai, chegara na esquina da rua e vira grupinhos de pessoas com a média de idade dele, mas ele não se importara muito com isso. Olhara para o outro lado. "Agora sim." - pensara.  Um casal. Sentados na calçada, abraçados de forma calorosa e apaixonada. Não, não estavam se agarrando, ou se esfregando, mas estavam perto o bastante para perceber que estavam apaixonados. "Bonita essa garota"- pensara.
 Robert era do tipo de pessoa que custava a achar alguém bonito, nunca houvera nenhum momento de sua vida onde ele se apaixonara por alguém e amara verdadeiramente, sem que fosse um jogo de interesses possessivos e, as vezes, um tanto quanto esquizofrênicos. Olhara fixamente para o casal - "Preciso fazer amigos" - pensara rapidamente, intencionando-se em conquistar a garota.
Voltara a caminhar em direção à casa de seu pai, desejando que ele estivesse em casa, pois realmente, ele não estava afim de esperar aquele velho fracassado. Tocou a campainha, preparando-se emocionalmente para ser o mais real possível em seu fingimento. Sentara na calçada de costas para a casa, com a cabeça baixa, querendo aparentar tristeza, ele sabia que se seu pai estivesse em casa, iria demorar em torno de 1 minuto para pegar a chave e 30 segundos para abrir a porta e deixá-lo entrar.
Suspirou, ouvindo os passos de seu pai, realmente suas contas foram exatas, e logo entrou sem falar nenhuma palavra. Ao acomodar-se no sofá, esperou que ele sentasse também e começara a melhor parte do dia. - "Papai, me desculpe estar por aqui, eu sei que não deveria e realmente estou envergonhado - sentira os olhos se encherem d'água- mamãe me tirou de casa e não sei mais o que fazer, eu só saí com uns amigos na sexta-feira a noite. Você sabe como ela é, ela não gosta de ver me divertindo, sempre fica me perseguindo e não me deixa sair com os amigos. Ela é egoísta - falara raivosamente - e eu detesto brigar com ela sabe? Mas é praticamente impossível, pois ela sempre dá um jeito de fazer tempestades em copo d'água" - balbuciou secando as lágrimas.
Ele sabia que cumprira um bom papel, como sempre. E enquanto arrumava suas coisas no quarto de visitas, sorria sarcasticamente. Robert apreciava e se alimentava da compaixão de todos, pois achava incrível a forma com que as pessoas se comoviam com todas aquelas cenas tristes e melancólicas. Algo ridículo e clichê, mas que ele sempre soubera fazer perfeitamente bem.
Até pensara em ligar para sua mãe, mas já estava exausto, precisava de um tempo, pois hoje, já usara boa parte de suas habilidades, conseguindo um lugar para ficar, e agora era tempo de conseguir amizades, principalmente a do namorado daquela garota, e este seria seu maior objetivo por ali, por enquanto.
 Enquanto caminhava em direção ao casal pela estreita calçada, pensara no que dizer para iniciar conversa - "Olá, tudo bem? Sou novo por aqui"- Não. Não. Muito clichê. - "Olá, prazer, meu nome é Robert, vim morar com meu pai aqui na vizinhança." - Não. Muito atirado. - "O clima está bom hoje né?" - Não. Assunto de velhos fracassados como seu pai.
 Robert já estava chegando perto, mas não sabia muito bem o que dizer, afinal, como agir quando quer conversar com alguém? Faziam tempos que ele não fazia novas amizades.

Destinos Traçados (1º Capítulo)


Segurando-a pela cintura, Caio sabia no que ela estava pensando. Depois de um tempo juntos, já conseguira reconhecer seu jeito, e principalmente o jeito que ficava quando pensava a respeito de decisões.  Ele sabia que quando seu rosto ganhava seriedade, era sinal de que pensava em que rumo deveria tomar de sua vida, e quando ela estava pensando nisso, ele sempre tivera receio em falar algo, ao invés disso, abraçava-a pela cintura enquanto esperava alguma palavra sair. Caio estava com seu pensamento longe, com os olhos fechados, sentindo a brisa do anoitecer acariciar seus cabelos pretos. “Amor, o que você pensa quando me vê?” - Caio abrira os olhos rapidamente com uma expressão um pouco assustada, saíra do transe entre um pensamento e outro. Até sua mente processar a pergunta, levara alguns segundos. “ Porque está me perguntando isso pequena?” - Marina o olhara com um expressão triste, desanimada, e com a voz embargada, iniciou-se a falar - “ é que toda a vez que me olho no espelho, sinto que tudo poderia ter sido diferente, eu não consigo me encontrar, me sinto tão triste. Eu sei - afirmara - você está me ajudando tanto, e isso tem melhorado muito minha auto-estima, mas mesmo assim - sua voz falhara, mesmo forçando para não chorar, as lágrimas rolaram singelamente enquanto se aninhava cada vez mais em Caio - eu nem sei, mas eu só queria ser uma pessoa melhor, uma pessoa normal e aceitável para mim mesma - finalizara ela, choramingando. Caio se questionara mentalmente -" Mais perfeita do que já é?" - após analisar bem a colocação de Marina, se vira a enxugar suas lágrimas em um ato generoso de amor - " Porque você acha isso? Você é uma menina linda - Marina tentara dar um pequeno sorriso, mas a tentativa fora um fracasso - querida, pare de pensar que você não é uma pessoa boa. As pessoas te amam. Eu te amo. Você é carismática, tem uma beleza que. Meu Deus. Para tudo né pequena? - falara a envolvendo em seus braços, e a ouvindo dar uns leves sorrisinhos - você é linda, e é minha. Não quero te ver sofrer de novo, aliás, não quero que você sofra em nenhuma circunstância, porque você é linda e não tem motivos pra chorar. - finalizara a dando um beijo na bochecha.
Marina pensara um pouco no que Caio dissera a ela, enquanto sentia ele passar a mão entre um fio de cabelo e outro; Ela realmente se sentia segura e confiante com ele ao seu lado, era como se o mundo estivesse em suas mãos. - "Você sabe como me deixar bem, mas mesmo assim, eu não consigo entender. Porque? - exclamara - Porque tudo sempre acontece comigo? Mas o pior, é que é tudo de ruim" - finalizara demonstrando uma revolta passiva.
Caio a olhara com com um sorrisinho na esperança de enxergar algo além de uma expressão séria e tristonha - "Querida, eu sou ruim também? Eu fui algo ruim na sua vida? Pois se é tudo, eu também estou incluído nesse pacote" - falara em um tom brincalhão, mas não de forma indiferente ao momento ruim dela, mas sim querendo fazê-la ficar bem novamente. Seus olhares se encontraram. Clichê, não? Mas é a pura verdade, pois quando os olhares se encontrar, é sinal de amor, paixão, devoção, mas também pode ser um simples acaso, o que acaba com o clima romântico de tudo...                                                                                                                                                                                      
Marina sorrira, mas desta vez sorrira com vontade - "Para Caio, você entendeu minha colocação" - falara.
"Eu? Eu não entendi nada não viu?" - dissera em um tom um pouco sarcástico.-Caio a olhara docemente, demonstrando que a amava, pois realmente era isso que ele sentia por ela. Ele a amava.                                                
  Enquanto ela arrumava rapidamente seus cabelos, sentira de perto o perfume que exalava em Caio. Era extremamente relaxante estar em sua companhia, pelo fato de ele ser sempre alguém que, para ela, representava calmaria. E era exatamente disso que ela precisava. Calmaria. O que nunca tivera durante um longo percurso de sua vida.
Marina se aconchegara mais em Caio - Você acredita em destino? - questionara a ele.
Caio nunca houvera parado para refletir sobre essa possibilidade de estar destinado à algo. Mas mesmo assim, quando ouvira soar a palavra "destino" , pensara imediatamente - "Marina" - aquilo o assustara, mas ao mesmo tempo, o trouxera uma tranquilidade tão boa. Algo que não poderia ser explicado muito bem.
- Acredito sim pequena. Porque? - dissera ele.
Marina analisara a respostas de Caio, percebendo que sua sinceridade era um pouco duvidosa, mas ao mesmo tempo verdadeira.
- É que nesses tempos pra cá, tenho pensado muito nisso sabe; As coisas tem acontecido muito rapidamente e eu tenho medo que meu destino não seja agradável, então prefiro acreditar que nossa vida depende de escolhas. Pois, eu escolhi estar com você, então eu vou estar com você a vida inteira se eu quiser - ela ficara vermelha ao ver Caio sorrir ouvindo aquilo - mas se minha vida for um 'destino', eu não poderei escolher ficar com você, pois posso estar destinada à outra pessoa, mesmo sem querer, e então mesmo que eu não queira, meu destino me levará à isso. E eu não gosto da sensação de estar aprisionada pelo 'destino', pois quero ser livre, então eu acredito em escolhas, talvez seja uma forma de consolo, por medo. Não sei, mas eu gosto de acreditar que meu futuro depende de mim e do que eu vou optar, e não do que o suposto 'destino' - falara ironizando - escolhera para mim.
Caio analisara o pensamento de Marina e achara um tanto quanto filosófico. Ele nunca tivera parado para pensar nisso, mas apesar de tudo, ele sentia que estava destinado a Marina. Ele sentia que era ela com quem ele viveria todos os seus dias. Mas e o destino? E se tudo fosse destinado de uma forma diferente? Não, ele não poderia aceitar algo assim, pois afinal, isso é uma injustiça. Como alguém poderia escolher à que ele estaria destinado, sem ele mesmo querer? Injusto - Caio pensara nisso sentindo a raiva tomar conta e rapidamente sair ás pressas, como as chuvas de verão.
Marina o abraçara com mais força, chegando perto de seu ouvido - " Amor, não se preocupe. Pois se o destino quiser trocar minha rota até você, nós lutamos contra ele." -  sussurrou, vendo-o sorrir baixinho.

Robert. (1º Capítulo)


- Tudo o que eu queria saber era o que a faz pensar que pode fazer isso, não existe, não tem como, depois de tudo o que eu fiz por ela, ela não tem o direito. - pensara Robert raivosamente, enquanto caminhava em direção á rodoviária.
Seus pensamentos estavam equivocados, e na tensão, ele poderia matar alguém se quisesse, sua raiva era extrema, e ele sabia que sua mãe tinha medo do que ele poderia fazer. Enquanto comprava uma passagem de ida para a cidade onde seu pai residia, pensava em alguma desculpa aceitável. Até já pensara no teatrinho que teria de fazer - Papai me perdoe, eu sei que não deveria estar aqui, mas você sabe que a mamãe é uma louca, ela me expulsou de casa somente por eu sair com uns amigos na sexta feira á noite. - ele sabia que seria fácil convencer, ele era burro e hipócrita, digno do apelido que ganhara nos últimos anos, fracassado.  Robert sabia que seria fácil enganá-lo, ele era trouxa, igual sua mãe e toda a sua família - dera um sorriso cínico ao pensar no que aconteceria naquela tarde e em como faria o teatro magnificamente bem, como em todas as vezes.  Afinal, o que o impediria? Seu pai era um tapado, que não enxergava que estava sendo traído pela atual namorada. E sua mãe? - sorrira sarcasticamente - uma mera louca, que não sabia como era ridícula falando sobre princípios e caráter. Ô velha chata, sempre quer passar sermão achando que manda em alguma coisa.
 Robert não era o tipo de pessoa com quem se quer ter uma amizade, e ele próprio sabia disso, mas quem se importa com amigos? Ele estava preocupado com o que faria hoje ao chegar na casa de seu pai. Será que ele conseguiria encontrá-lo em casa? Seria fácil enganar o velho, mas seria um tédio ter de esperá-lo em frente á casa.
 Dentro do ônibus, ele pegara uma caneta e um bloco de anotações, e assim, começara a anotar seus objetivos para hoje. Com certeza ligaria para sua mãe - "Mamãe, você sabe que eu lhe amo né? Eu não deveria ter feito aquilo, e mereci vir para casa do papai, mas me perdoe, por favor" - nossa, já visualizara a cena melancolicamente ridícula, lógico que ele faria a doce voz do arrependimento, e ela acreditaria. Pois afinal quem não acreditaria? Robert fizera aulas de teatro por muitos anos, e quando encorporava em um personagem, não tinha nada que o fizesse ser mais real do que suas próprias técnicas, que foram se aperfeiçoando de acordo com suas necessidades.
Ele sorrira sarcasticamente ao pensar na forma surpresa e amável com que sua mãe reagiria ao ver seu filho arrependido, ligando para pedir perdão pelo ato.
Ao largar a caneta, divagou a mente - "Porque?" - era o que ele pensava todos os dias ao levantar-se , ao se deitar, e entre ambos. Ele realmente não conseguira até hoje descobrir o motivo de ser assim, o motivo que o levara a ser assim. Mas ele lembra, que no inicio, era algo incontrolável e que ele não gostava, mas após um tempo, começara a ser algo bom e vantajoso. Ele se lembra de o quanto foi difícil inicialmente, lidar com isso. Mas após ele descobriu que aquilo fazia parte de sua trajetória, e que seu emocional só estava sendo modificado de acordo com o que o destino planejara para ele.  Seu corpo, e seu cérebro estavam simplesmente se preparando para a jornada futura. Sim, isso demorara para ser compreendido, mas após algum tempo, as coisas se tornaram fáceis, e começara a ser divertido. Robert realmente gostava de quem ele havia se tornado, apesar de algumas coisas ruins, as vantagens se sobressaíam muito.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Prólogo.


Caminhando pela estreita calçada, imaginava se por algum momento, conseguiria alcançar seus mais eminentes objetivos. Marina, menina meiga, mas rude ao mesmo tempo; Eram tantas coisas que se passavam à sua volta, que ela não conseguira mais distinguir como deveria agir com as pessoas, mas mesmo assim, sempre fora muito enigmática. Seu olhar demonstrava sinceridade e devoção, mas existia algo que não conseguira ser deduzido, desde nova sempre tivera certo receio de como deveria se portar. - “As pessoas são maldosas quando querem, e às vezes até quando não querem”. - refletira durante alguns segundos o que seu pai sempre lhe dissera durante toda sua adolescência. Sentira de leve as mudanças de temperatura. Passara a mão levemente pelos cabelos, fechando os olhos automaticamente. - Preciso tomar uma decisão. - pensara.