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terça-feira, 26 de março de 2013
Dores Incuráveis (3º Capítulo)
Aquilo não poderia estar acontecendo. Enquanto andava de um lado para o outro, questionava se o que ocorrera há algumas horas atrás era realmente verídico. Caio custava para processar que Marina simplesmente o deixara. Sem dó. Sem piedade ou temor. Olhava algumas coisas dela, cartas espalhadas pelo chão. Sim. Pelo chão, para demonstrar devoção. Para demonstrar angústia. Para demonstrar o amor que ele tanto lutara para construir e que do nada. Do nada. Tudo acabou, simplesmente assim. Puft. O sonho encantado terminou, está na hora de voltar para realidade nua e crua, ou cruel. Tanto faz. Pegava cartas e mais cartas. Lágrimas. Medo e mãos trêmulas de tristezas, e choros angustiados.
"Caio, meu amor, prometa para mim que jamais irá desistir de mim. Mesmo que seja difícil. Eu amo você querido" - leu o inicio de uma de suas cartas para ele. "Meu amor? Então porque me deixou, se eu era o 'seu amor'?"- pensara. Caio sentia seu mundo desabar como se pudesse amarrotar-se em si mesmo. Como se pudesse sentir seu próprio peso cair por seus ombros. Seus olhos vermelhos, inchados e prontos para deixar cair mais uma lágrima. E mais uma. E mais uma. "Droga" - dissera enquanto secava seu rosto com um pano qualquer, tentando amenizar e retirar qualquer registro de choro. Sua mãe jamais poderia saber desse momento, ele até já pudera imaginar a cena - "Oh sim, meu filho esses dias estava chorando, vocês acreditam? Eu não sei o que deu nele. Oh, desculpem garotas, aceitam mais um pedaço de bolo com uma xícara de chá?". Sua mãe jamais perderia a oportunidade de contar algo novo para suas amigas, e o que ele menos queria, eram boatos sobre ele. Principalmente, sobre ele estar chorando. Pegou aquelas cartas, colocou-as de volta em uma caixinha e as escondeu de si mesmo, prometendo-se que não as procuraria mais, de forma alguma.
Caio sabia que mesmo que não quisesse, ele amava Marina, e não procuraria ninguém. Marina era seu único e primeiro amor, aliás, ele também prometera a ela que não desistiria, como naquela carta.
Cenas. Cenas de terror e medo. Dor. Desespero. - "Acabou, eu não quero mais você" - foram as ultimas palavras de Marina até ele se lançar para fora, refugiando-se de. Lágrimas. Lágrimas surgem em seus olhos, inundando-os. Fazendo tempestades em alto mar. Tempestades dolorosas e incuráveis. Tempestades do amor. Tempestades obscuras na calada da noite, que sempre tendem a nos dar calafrios de medo. Ele precisava de Marina, e faria de tudo para que as coisas ficassem bem, mas sabia que não falaria com ela durante uma boa jornada ao longos dos meses. Sentiu seu coração apertar mais uma vez, e rios começaram a transbordar, como as chuvas de veraneio. Chuvas turbulentas. Águas que se movem sem medo ou razão, molhando tudo, molhando o tempo. Pintando os dias de cinza. Chuva que descia por seu interior como consolo da alma e alarme do coração. Chuva que o molhava por inteiro, o fazendo tremer de frio, de medo. De dor.
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