(livro online)- Inicie a leitura pela postagem com o título de "Prólogo", pois é a partir daí que inicia-se o livro.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Lindsay Hammilton (2º Capítulo)
Lindsay estava no banheiro tentando ligar para Marcos, que não lhe atendia de jeito algum. Ela sabia que era errado o que estava fazendo. Lindsay nunca tivera motivos concretos para trair Petterson, ela gostava do jeito tranquilo e sereno dele, tal lhe proporcionava um relacionamento estável, sem muitas brigas e muito bem resolvido. Um homem atraente e charmoso que arrasava muitos corações pela cidade. Mas também gostava das aventuras que Marcos lhe proporcionava, ela nunca sabia o que estava por vir, e isso era o que a deixava interessada. Já com Petterson, ela sabia que eles teriam uma noite agradável, beberiam um pouco de vinho no Boulevard's Restaurant, conversariam sobre a vida, sobre seus filhos e também sobre um futuro distante. Ele lhe diria palavras agradáveis e românticas ao pé do ouvido antes de deixá-la em casa, e então a beijaria com intensidade e devoção. Paixão. Realmente, aquilo era bom, ele lhe atraía muito, mas ela não sabia bem a certo o que gostava mais. Com Marcos, ela nunca sabia o que iria acontecer, e isso era realmente intrigante, as vezes ele lhe tratava romântico, cheio de declarações, suplicas de amor eterno, e outras era bruto e dizia o quanto a odiava por tudo o que ela fazia, o quando ele a odiava por não terminar com Petterson e ficar com ele.
Enquanto ligava para Marcos, estava se preparando psicologicamente para receber os desaforos diários.
-Alô, o que você quer? - dissera Marcos, com eminente irritação.
Lindsay conteve o aperto no peito, ela detestava aquilo, mas não tinha culpa de amar os dois ao mesmo tempo.
- Calma Marcos, não precisa ser tão estúpido, eu só queria saber se vai querer fazer algo hoje. - dissera com calmaria, mas agoniada por dentro, com vontade de espancá-lo por a tratar daquele jeito.
-Lindsay, o que você está pensando que eu sou? O seu brinquedinho nas horas vagas? - ironizou - está achando o que? Que quando não estiver com aquele cara vai me ligar, e eu vou ir correndo atrás de você? - fizera uma pausa - "ó meu querido, venha aqui satisfazer o meu ego, porque Petterson não é o suficiente para isso" - dissera Marcos, imitando voz feminina - já estou saturado disso, sabia? - falara impaciente.
Marcos realmente detestava a ideia de ter que dividir Lindsay com Petterson, ele não suportava mais aquilo e tinha ódio só de pensar. Ele sabia que ela estava no Boulevard com ele, e aquilo o deixava nos nervos. Porque? Para que tudo isso? Era tão difícil dar um pé na bunda desse infeliz? Se ela realmente o amava como dizia, deveria começar a abrir o olho, ele não estava gostando nada daquela situação.
Lindsay tentou segurar as lágrimas do outro lado da linha, mas não conseguiu. Mas para manteve a voz firme.
-Marcos, porque você é assim? Pare, isso me machuca, eu não suporto mais acordar com uma mensagem sua falando o quanto sente saudade e o quanto me ama, e depois te ligar e receber isso. Porque tudo isso? Você sabe que as coisas tem sido difíceis para mim, e eu vou precisar do seu apoio. Eu amo você - dissera tentando não demonstrar que estava chorando.
- "O que ela pensa que é pra me dizer isso? Apoio? Amor? Qual é a dela." - pensara Marcos antes de começar a falar.
- "Você me ama? Cale a sua boca, nem sabe o que diz, fica aí aos beijos com esse babaca, e depois vem me ligar dizendo que me ama? Tome vergonha na cara, eu não suporto mais essas situação. Detesto saber que enquanto você não está comigo, está nos braços de outro homem - Marcos sabia que tomara uma atitude grotesca, e sofreria as consequências depois, mas ele não queria mais ouvir uma palavra que ela pudesse ter a dizer a respeito de tudo, ele já estava saturado de tudo isso e não suportava mais essa situação. Sentiu um alivio enorme ao desligar o celular, talvez se arrependesse disso depois, mas por enquanto, sentiu que foi a melhor coisa a se fazer.
Lindsay se encontrava no banheiro, lavando o rosto e retocando a maquiagem, tentando fazer com que seus olhos vermelhos e inchados por chorar, ficassem imperceptíveis para Petterson. - Ele não poderia ter desligado o telefone na cara dela. Não. Isso já é o cúmulo da falta de respeito. Mas quem era ela para falar de respeito afinal? Traía seu namorado com outro cara, e queria respeito? Marcos tinha direito de fazer o que estava fazendo.
Na mesa, Petterson já estava preocupado com Lindsay que logo chegara com os olhos vermelhos, ele sabia que ela havia chorado, e realmente ficou curioso com aquilo. - Você estava chorando, meu amor? - questionou enquanto Lindsay ajeitava-se na cadeira.
Após ouvir aquilo, sentiu um gelo tomar conta de si, e também viu que todas suas tentativas de disfarce foram frustradas - É... -hesitou um pouco - é que a Marjorie me ligou me contando sobre o estado de sua mãe, realmente deplorável, não consegui evitar as lágrimas - mentiu.
Petterson sabia que a mãe de Marjorie estava com sérios problemas, já estava em um estágio avançado do alzheimer, realmente, era algo para se chorar. - Mas e então? Como ela está, o que houve? - dissera preocupado.
Lindsay abaixou o olhar, fingindo tristeza profunda, sendo que na verdade, estava pensando em alguma coisa para dizer, ela realmente não esperava que fosse chorar por culpa de Marcos, e ele iria pagar caro por isso. Ah, se ia. Ninguém a tratava assim e sairia por fora, de corpo mole, isso não iria acontecer. Não com ela.
- Amor? O caso está tão grave assim? - dissera Petterson, mais preocupado ainda, acordando-a de seu devaneio.
-Não. Não é isso - dissera nervosa - é que... - hesitou - Sabe como é né? Ela começa a fazer coisas que são adequadas para a idade, Marjorie me contou que ontem no almoço, tiveram que contê-la, pois ela estava pegando arroz compulsivamente a todo o momento, não conseguia se controlar - dissera, vendo-o ouvir atentamente. Era por essas e outras, que ela sabia que Petterson era a pessoa ideal para ela, ele era atencioso. Se fosse Marcos teria a mandado calar a boca a muito tempo, e da forma mais grosseira que pudesse haver.- hesitou em seus pensamentos- Marcos - sentira a raiva tomar conta de si ao lembrar do que ele fizera ao telefone.
Petterson segurou a mão de Lindsay, entrelaçando os dedos suavemente, em forma de afeto - É realmente muito triste isso querida, fico triste por Marjorie, mande lembranças à ela. Mas me responde uma coisa, porque você chorou então? - dissera ternamente.
Lindsay sabia que mentir, seria errado, mas era a única saída - Ah querido, me emocionei com o fato de ela estar passando por essa situação, me coloquei no lugar dela e percebi o quão forte ela está sendo. Acabei chorando sem querer, você sabe como eu sou né? - dissera, dando-lhe uma leve piscadela enquanto sorria.
Apesar das dúvidas, Petterson a amava, ele gostava do jeito sensível que ela tinha. Aquilo realmente lhe atraía, mas ele teria suas dúvidas, e não era de hoje. Tal sentia as mudanças de comportamento dela, e não era de hoje. Resolvera ir aos poucos, para não levantar suspeitas da desconfiança - "Ah querida, é realmente uma situação difícil, fico triste por ela também" - dissera finalizando seus pensamentos desconfiados.
Enquanto saíam dali, Lindsay sabia o que iria fazer. Iria até a casa de Marcos, e as coisas não ficariam assim. Não, aquilo não ficaria barato.
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