sexta-feira, 12 de abril de 2013

Planejamentos. (3º Capítulo)


"Qual é? O que eu estou fazendo aqui? Robert, você está louco ou o que? Pois, afinal, a um tempo atrás só estava querendo planejar algo interessante para fazer na madrugada, e agora? Agora você está sentado em uma escadaria, sem fazer nada a não ser pensar em Marina. Marina. Essa garota ainda me paga". - sentira uma raiva invadir seu interior, mas rapidamente se esvaiu ao lembrar de como seus cabelos davam um belo contraste com sua pele. E seus olhos? Ah, seus olhos eram o toque final da perfeição.  Ele sabia que precisava encontrar Marina, a cidade era pequena e não havia como não se esbarrarem, apesar de tudo, os dias passavam e nada de Marina chegar, nada daquele beijo. Aquele beijo. Jamais Robert poderia esquecer de como aquela explosão de emoções lhe fez bem, e de como dormiu bem naquela noite. E agora, ele estava lá, apaixonado por ela, mas não era algo arrebatador, existia muita atração física entre os dois. Robert não poderia negar que era um tanto quanto. Não vamos ser humildes quando se trata de beleza, ok? - Ele era bonitão, o estilo bad boy que pegava quem queria, quando queria e sempre que queria. E agora? Ele iria fazer isso também, e seria assim. Levantara-se da escada, desejando caminhar por aí e esbarrar com aquela garota dos cabelos pretos e olhos claros. Não tão claros, mas claros o bastante para contrastar e dar uma beleza exótica para com seu rosto. Marina. Ela era essa menina da qual gostaria de se esbarrar por aí, e então deixar cair alguns papéis, e ela. Como a boa cidadã que é, iria ajudá-lo a juntar os papeis, sendo assim, iriam se olhar novamente e então se reconhecerem. Ele iria chamá-la para tomar um sorvete e ela aceitaria, pois quem recusaria uma proposta dessas, com ele? Ninguém em sã consciência faria isso. Então seus olhos iriam brilhar e eles iria se aproximar cada vez mais. Um beijo. Aquele beijo que lhe dava calma, amor. Aquele beijo que ele lembrava toda hora... "Qual é Marina, não dá pra dar um tempo não?" - pensara.
Não se sabia ao certo o que iria acontecer, mas de uma coisa, ele tinha certeza, precisava resolver isso antes que todos seus planos fossem devorados por tsunamis. Tsunamis da paixão. Tsunamis de desespero por não conseguir encontrá-la outra vezes, bastava-lhe um olhar para que seu dia voltasse a ter aquele sol.
Marina estava em casa, e realmente transtornada. Sabia que as consequências não seriam poucas, e durante longas horas do dia, pegara seu celular. Ousando em tentar ligar para Caio e dizer que nada fora real. Que ela estava realmente confusa. Fracassou como um senhor das redondezas, que começara a ter visões falando que  se tentasse ressuscitar os mortos com apenas batidas de palma em cada túmulo durante 2hs, eles iriam reviver. O senhor era realmente perturbado, as notícias saíram até no jornal. Passara meses o fazendo, e as vezes, passava um dia inteiro batendo palmas para somente um túmulo. Fora enviado para um manicômio, pois não comia direito e começara a agir como indigente. Sua família resolvera assim. Acharam o mais certo a se fazer. - Marina riu ao lembrar-se de quando leu esta notícia. Estava sentada no sofá, seus pais na cozinha terminando o almoço, e Caio. - "Caio" - aquilo ecoava em sua cabeça, lhe dando tristeza. Mas ao mesmo tempo, sentira algo tão bom ao lembrar-se de como riram juntos com aquilo. Na maior parte das tardes, ele ia para a casa dela e eles liam juntos tudo o que podiam, inclusive notícias bizarras, o que lhes fazia rir de doer a barriga e faltar a respiração, então logo após ele a abraçava levando-a para mais perto de si. Caio amava vê-la rir, era algo tão espontâneo. Ele a amava.  - "Marina, pare, não posso amá-lo. Não devo amá-lo." - pausara com raiva de si mesma por não conseguir esquecê-lo de jeito maneira. Robert, ele era por quem deveria procurar.
Marina sentia saudades daquele dia em que conhecera Robert, aquele garoto charmoso que lhe chamou atenção de longe. Aquele garoto charmoso que lhe fez tão bem naquele dia triste. Aquele que lhe compreendeu no momento em que mais precisava. Um beijo. Aquele garoto. Aquele beijo... Mas que droga é essa? Faziam semanas que não o encontrava, que não se esbarravam. Faziam dias que ela não via aqueles olhos azulados tão cheios de segredos que não conseguia desvendar. Aquele olhar tão enigmático e que lhe passava tanta fixação, confiança e devoção. Marina sabia que precisava encontrá-lo de forma ou de outra, mas não o deixaria passar. - pegara mais um pouco de chocolate. - Enquanto olhava algo na televisão, pensava em como precisava voltar a dar caminhadas pela manhã como fazia com Caio algumas vezes.

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