sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Teatro Perfeito. (1º Capítulo)


Depois de pegar a droga dos 3 ônibus para chegar na casa de seu pai, chegara na esquina da rua e vira grupinhos de pessoas com a média de idade dele, mas ele não se importara muito com isso. Olhara para o outro lado. "Agora sim." - pensara.  Um casal. Sentados na calçada, abraçados de forma calorosa e apaixonada. Não, não estavam se agarrando, ou se esfregando, mas estavam perto o bastante para perceber que estavam apaixonados. "Bonita essa garota"- pensara.
 Robert era do tipo de pessoa que custava a achar alguém bonito, nunca houvera nenhum momento de sua vida onde ele se apaixonara por alguém e amara verdadeiramente, sem que fosse um jogo de interesses possessivos e, as vezes, um tanto quanto esquizofrênicos. Olhara fixamente para o casal - "Preciso fazer amigos" - pensara rapidamente, intencionando-se em conquistar a garota.
Voltara a caminhar em direção à casa de seu pai, desejando que ele estivesse em casa, pois realmente, ele não estava afim de esperar aquele velho fracassado. Tocou a campainha, preparando-se emocionalmente para ser o mais real possível em seu fingimento. Sentara na calçada de costas para a casa, com a cabeça baixa, querendo aparentar tristeza, ele sabia que se seu pai estivesse em casa, iria demorar em torno de 1 minuto para pegar a chave e 30 segundos para abrir a porta e deixá-lo entrar.
Suspirou, ouvindo os passos de seu pai, realmente suas contas foram exatas, e logo entrou sem falar nenhuma palavra. Ao acomodar-se no sofá, esperou que ele sentasse também e começara a melhor parte do dia. - "Papai, me desculpe estar por aqui, eu sei que não deveria e realmente estou envergonhado - sentira os olhos se encherem d'água- mamãe me tirou de casa e não sei mais o que fazer, eu só saí com uns amigos na sexta-feira a noite. Você sabe como ela é, ela não gosta de ver me divertindo, sempre fica me perseguindo e não me deixa sair com os amigos. Ela é egoísta - falara raivosamente - e eu detesto brigar com ela sabe? Mas é praticamente impossível, pois ela sempre dá um jeito de fazer tempestades em copo d'água" - balbuciou secando as lágrimas.
Ele sabia que cumprira um bom papel, como sempre. E enquanto arrumava suas coisas no quarto de visitas, sorria sarcasticamente. Robert apreciava e se alimentava da compaixão de todos, pois achava incrível a forma com que as pessoas se comoviam com todas aquelas cenas tristes e melancólicas. Algo ridículo e clichê, mas que ele sempre soubera fazer perfeitamente bem.
Até pensara em ligar para sua mãe, mas já estava exausto, precisava de um tempo, pois hoje, já usara boa parte de suas habilidades, conseguindo um lugar para ficar, e agora era tempo de conseguir amizades, principalmente a do namorado daquela garota, e este seria seu maior objetivo por ali, por enquanto.
 Enquanto caminhava em direção ao casal pela estreita calçada, pensara no que dizer para iniciar conversa - "Olá, tudo bem? Sou novo por aqui"- Não. Não. Muito clichê. - "Olá, prazer, meu nome é Robert, vim morar com meu pai aqui na vizinhança." - Não. Muito atirado. - "O clima está bom hoje né?" - Não. Assunto de velhos fracassados como seu pai.
 Robert já estava chegando perto, mas não sabia muito bem o que dizer, afinal, como agir quando quer conversar com alguém? Faziam tempos que ele não fazia novas amizades.

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