sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Destinos Traçados (1º Capítulo)


Segurando-a pela cintura, Caio sabia no que ela estava pensando. Depois de um tempo juntos, já conseguira reconhecer seu jeito, e principalmente o jeito que ficava quando pensava a respeito de decisões.  Ele sabia que quando seu rosto ganhava seriedade, era sinal de que pensava em que rumo deveria tomar de sua vida, e quando ela estava pensando nisso, ele sempre tivera receio em falar algo, ao invés disso, abraçava-a pela cintura enquanto esperava alguma palavra sair. Caio estava com seu pensamento longe, com os olhos fechados, sentindo a brisa do anoitecer acariciar seus cabelos pretos. “Amor, o que você pensa quando me vê?” - Caio abrira os olhos rapidamente com uma expressão um pouco assustada, saíra do transe entre um pensamento e outro. Até sua mente processar a pergunta, levara alguns segundos. “ Porque está me perguntando isso pequena?” - Marina o olhara com um expressão triste, desanimada, e com a voz embargada, iniciou-se a falar - “ é que toda a vez que me olho no espelho, sinto que tudo poderia ter sido diferente, eu não consigo me encontrar, me sinto tão triste. Eu sei - afirmara - você está me ajudando tanto, e isso tem melhorado muito minha auto-estima, mas mesmo assim - sua voz falhara, mesmo forçando para não chorar, as lágrimas rolaram singelamente enquanto se aninhava cada vez mais em Caio - eu nem sei, mas eu só queria ser uma pessoa melhor, uma pessoa normal e aceitável para mim mesma - finalizara ela, choramingando. Caio se questionara mentalmente -" Mais perfeita do que já é?" - após analisar bem a colocação de Marina, se vira a enxugar suas lágrimas em um ato generoso de amor - " Porque você acha isso? Você é uma menina linda - Marina tentara dar um pequeno sorriso, mas a tentativa fora um fracasso - querida, pare de pensar que você não é uma pessoa boa. As pessoas te amam. Eu te amo. Você é carismática, tem uma beleza que. Meu Deus. Para tudo né pequena? - falara a envolvendo em seus braços, e a ouvindo dar uns leves sorrisinhos - você é linda, e é minha. Não quero te ver sofrer de novo, aliás, não quero que você sofra em nenhuma circunstância, porque você é linda e não tem motivos pra chorar. - finalizara a dando um beijo na bochecha.
Marina pensara um pouco no que Caio dissera a ela, enquanto sentia ele passar a mão entre um fio de cabelo e outro; Ela realmente se sentia segura e confiante com ele ao seu lado, era como se o mundo estivesse em suas mãos. - "Você sabe como me deixar bem, mas mesmo assim, eu não consigo entender. Porque? - exclamara - Porque tudo sempre acontece comigo? Mas o pior, é que é tudo de ruim" - finalizara demonstrando uma revolta passiva.
Caio a olhara com com um sorrisinho na esperança de enxergar algo além de uma expressão séria e tristonha - "Querida, eu sou ruim também? Eu fui algo ruim na sua vida? Pois se é tudo, eu também estou incluído nesse pacote" - falara em um tom brincalhão, mas não de forma indiferente ao momento ruim dela, mas sim querendo fazê-la ficar bem novamente. Seus olhares se encontraram. Clichê, não? Mas é a pura verdade, pois quando os olhares se encontrar, é sinal de amor, paixão, devoção, mas também pode ser um simples acaso, o que acaba com o clima romântico de tudo...                                                                                                                                                                                      
Marina sorrira, mas desta vez sorrira com vontade - "Para Caio, você entendeu minha colocação" - falara.
"Eu? Eu não entendi nada não viu?" - dissera em um tom um pouco sarcástico.-Caio a olhara docemente, demonstrando que a amava, pois realmente era isso que ele sentia por ela. Ele a amava.                                                
  Enquanto ela arrumava rapidamente seus cabelos, sentira de perto o perfume que exalava em Caio. Era extremamente relaxante estar em sua companhia, pelo fato de ele ser sempre alguém que, para ela, representava calmaria. E era exatamente disso que ela precisava. Calmaria. O que nunca tivera durante um longo percurso de sua vida.
Marina se aconchegara mais em Caio - Você acredita em destino? - questionara a ele.
Caio nunca houvera parado para refletir sobre essa possibilidade de estar destinado à algo. Mas mesmo assim, quando ouvira soar a palavra "destino" , pensara imediatamente - "Marina" - aquilo o assustara, mas ao mesmo tempo, o trouxera uma tranquilidade tão boa. Algo que não poderia ser explicado muito bem.
- Acredito sim pequena. Porque? - dissera ele.
Marina analisara a respostas de Caio, percebendo que sua sinceridade era um pouco duvidosa, mas ao mesmo tempo verdadeira.
- É que nesses tempos pra cá, tenho pensado muito nisso sabe; As coisas tem acontecido muito rapidamente e eu tenho medo que meu destino não seja agradável, então prefiro acreditar que nossa vida depende de escolhas. Pois, eu escolhi estar com você, então eu vou estar com você a vida inteira se eu quiser - ela ficara vermelha ao ver Caio sorrir ouvindo aquilo - mas se minha vida for um 'destino', eu não poderei escolher ficar com você, pois posso estar destinada à outra pessoa, mesmo sem querer, e então mesmo que eu não queira, meu destino me levará à isso. E eu não gosto da sensação de estar aprisionada pelo 'destino', pois quero ser livre, então eu acredito em escolhas, talvez seja uma forma de consolo, por medo. Não sei, mas eu gosto de acreditar que meu futuro depende de mim e do que eu vou optar, e não do que o suposto 'destino' - falara ironizando - escolhera para mim.
Caio analisara o pensamento de Marina e achara um tanto quanto filosófico. Ele nunca tivera parado para pensar nisso, mas apesar de tudo, ele sentia que estava destinado a Marina. Ele sentia que era ela com quem ele viveria todos os seus dias. Mas e o destino? E se tudo fosse destinado de uma forma diferente? Não, ele não poderia aceitar algo assim, pois afinal, isso é uma injustiça. Como alguém poderia escolher à que ele estaria destinado, sem ele mesmo querer? Injusto - Caio pensara nisso sentindo a raiva tomar conta e rapidamente sair ás pressas, como as chuvas de verão.
Marina o abraçara com mais força, chegando perto de seu ouvido - " Amor, não se preocupe. Pois se o destino quiser trocar minha rota até você, nós lutamos contra ele." -  sussurrou, vendo-o sorrir baixinho.

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