segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eternidade. (1º Capítulo)


Marina estava absorta em seus pensamentos enquanto abraçava Caio, ela sabia que estava apaixonada por ele. Caio era realmente um garoto bom e muito responsável, sempre a levara em casa de acordo com os comandos de seu pai. Ele era dedicado e romântico. Bonito, e cobiçado na cidade, afinal, quem não gostaria de um cara bem arrumado, alto, cabelos negros como a noite e os olhos verdes como uma esmeralda? Quem? Bom, ao menos ela gostaria e gosta. Agora, eles se encontravam em uma pracinha deserta. Marina sempre gostara daquela praça, pela tranquilidade que lhe passava, ali ela conseguia pensa e analisar tudo o que quisesse, na hora que quisesse. Ali ela sentia calmaria, era a mesma sensação de quando estava com Caio, uma sensação boa de que tudo ficaria tranquilo sempre. E ela amava essa sensação de que a paz reinaria para sempre.
"Amor? Você está muito pensativa hoje, o que houve?" - questionara Caio.
O transe se quebrou, e Marina ficara desconsertada, ela não sabia muito bem como reagir e demorou alguns segundos para voltar ao pleno raciocínio. Marina se aproximara do rosto de Caio, o dando um beijo da bochecha - "Desculpe amor, eu estava pensando em nós dois e me distraí sem querer" - dissera sobrepondo seu rosto ao dele carinhosamente.
Caio sentira um leve formigamento no corpo, ele amava a forma com que Marina o deixava bobo quando falava sobre eles dois. Ela realmente era perfeita ao olhos dele. Ela falava de um jeitinho tão amável que o deixava como um bobalhão, ele faria tudo o que ela quisesse, tudo o que ela pedisse, pois ela o deixava daquele jeito, e aquela sensação era boa.
Caio a abraçara mais forte, envolvendo-a em seus braços, enquanto a via aconchegar-se nos mesmos. Entrelaçara as mãos nas dela e sentira como se o universo não pudesse ter preparado algo melhor para ele.
"Eu te amo" - falara ao pé do ouvido de Marina, que logo abrira um sorriso de orelha a orelha. Ele sempre soube que essa era uma das coisas que ela não sabia como resistir, e ele realmente a amava.
Marina começara uma nova reflexão, ela era do tipo que amava refletir sobre qualquer detalhe, sobre qualquer palavra boba. E nesse caso, ela começara refletindo sobre o amor. O amor poderia se basear em uma emoção? - não. Não, isso não poderia ser verdade, o que ela sentia por Caio era bem mais que isso, e ela jamais aceitaria direcionar o amor à algo tão repentino. Todas as luzes apagadas, as cenas passando em sua mente, ela sabia que sempre esperou por algo assim em sua vida. Ela acreditou durante muito tempo, até ver que seria um caso perdido. Ela sabia que essas memórias lhe davam náuseas. Não, o amor não poderia ser somente isso. - Tentara voltar ao seu raciocínio inicial, com esperanças de tirar essas cenas de sua mente, que continuava teimando com todos aqueles medos. Com toda aquela confusão, aquela falta de paz. Sentira-se perturbada durante alguns instantes, conseguira livrar-se fazendo uma pergunta rápida e objetiva à Caio.
"Do que você tem medo?" - dissera quebrando o silêncio, quebrando o encanto do farfalhar das folhas e o canto dos grilos.
Caio analisara um pouco o questionamento de Marina e após alguns segundos, sabia do que tinha medo.
- Da eternidade - afirmou.
Marina se assustara com o medo de Caio, ela realmente, não conseguira compreender o motivo de um medo tão peculiar.
"Medo da eternidade? Que estranho!" - pensara. Porque alguém teria medo da eternidade? Não fazia sentido e ela não conseguia encontrar motivos persuasivos o bastante para convence-la de que aquilo poderia ser normal.
Antes que ela pudesse questioná-lo qualquer coisa, sentira Caio se aprochegar ao rosto dela. Ele a abraçava e acariciava seu rosto, chegando cada vez mais perto. Ele olhara em direção à boca de Marina, ela sabia que ele iria beijá-la.
Caio escorregou o rosto pelo de Marina, sentindo como sua pele era macia. Ela realmente impossível não amá-la, ele sabia que ela estava se questionando o motivo de ele ter medo da eternidade, mas naquele momento ele não queria falar sobre aquilo. Em questão de segundos sentira seus lábio tocarem os de Marina, e aquela sensação para ele, era inigualável a qualquer outra.
 Marina sabia que não resistiria ao beijo de Caio, seus lábios se tocaram e foram encaixando compassadamente.  Tudo o que ela menos queria, era estragar aquele momento.  Caio finalizara o beijo, chegando ao pé do ouvido de Marina:
- Porque você precisa ficar pensando em tudo? - sussurrou - Acalme-se, você não tem necessidade de saber todas as respostas. Já não basta o nosso amor?
No momento em que ouvira aquilo de Caio, ao mesmo tempo que soara romântico, Marina se sentira ofendida. Se afastou rapidamente, com movimentos bruscos, e já entrara na defensiva.
- O que você pensa que está fazendo? - vociferou - Você não tem o direito de me fazer não querer questionar as coisas. Do nada, chega você dizendo que tem medo da eternidade. O que quer que eu pense? - interrogou grosseiramente.
Caio a olhou amedrontado, aquilo nunca acontecera antes. Qual era o problema afinal? Ele não queria brigar, mas também não queria deixar aquilo por ali mesmo.
- Qual o problema de eu ter medo da eternidade? -interrogou friamente - Ah. sim, você precisa saber todos os motivos de eu ter medo disso ou daquilo, porque você acha isso divertido. Pare - gritara irritado - Se eu tenho medo ou não, não interessa. Você me ama, não é? Eu te amo também, então porque você você precisa ficar analisando cada 'porquê' que aparecer no caminho? - vociferou.
 Marina sentira seus olhos encherem d'água, ela sabia que tinha essa mania. Mas ela lá teria culpa de ser curiosa? Não. Não, ela teria de ser mais forte, aquilo não poderia acontecer. Chorar na frente dele depois de tudo? Jamais ela faria isso.
Sentira as lágrimas caírem, ela não pudera evitar, e aquilo lhe dera um sentimento de fracasso total. Ela saira correndo, a praça onde estavam, era perto de sua casa, ela não suportava a sensação de chorar na frente dele após uma briga.  Ela sabia que ele estava indo a passos longos atrás dela, mas quem liga?
Caio sabia que pegara pesado com a namorada. Ele não devia ter falado tudo aquilo, ele sabia que ela era frágil, mas se descontrolara, e então, deixou-se levar pela emoção. - "Marina" - gritou, na esperança de que ela olhasse para trás e o deixasse se explicar. Era obvio que ela não olharia para trás.
Ao chegar em casa, Marina correra para seu quarto, secou as lágrimas, tentando parar de chorar, mas tudo o que ela mais queria, era se livrar das lembranças dessa briga.
 Do nada vieram cenas em sua mente, daquele garoto dos olhos azuis, ele realmente lhe parecia muito atraente e estiloso. Não só lhe parecia, como era.  Ela sabia que parecia ser errado, Caio era o garoto mais perfeito, romântico, dedicado. Mas aquele garoto... - suspirou - ele tinha algo que Marina precisava desvendar.
 Decidira ficar um pouco na frente de casa, sentindo o ar puro. Pegara um casaco, por pura precaução e descera as escadas rapidamente, indo em direção à porta.

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