quinta-feira, 28 de maio de 2015

Marcas da Perdição ( 3˚ Capítulo)

Marcos não se preocupara em trancar a porta de sua casa. Não se preocupara em respirar ou arejar a cabeça. Ele só se preocupara com uma coisa: entender o que aquela vadia estava querendo fazer com ele. Certamente enlouquecê-lo, afinal, quem em sã consciência chama aquilo de relacionamento? Quem? Me diga. Levante a mão você aí que sabe, ou acha que sabe a resposta.
 Estava seguindo rota em direção à casa de Lindsay, sua sei-lá-o-quê (Namorada? Não. Amante? Não, somente ele fazia esse papel. Rascoeira filha de uma mãe? Humm, esse lhe parecia um bom termo). Marcos só sabia de uma coisa: quando chegasse em seu destino, Lindsay aprenderia as definições de algumas palavras não tão bonitas assim.
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Aflita, Lindsay desligara seu celular e prometera para si mesma que nunca mais falaria com Marcos. Prometera que não iria mais trair Petterson, e o melhor, que iria se dar mais valor e parar de se tratar como migalha, mas no fundo ela sabia que não conseguiria cumprir aquilo que estava se prometendo. No fundo, ela sabia que já havia se soterrado em lama, e agora, para lavar-se, só se desse-se por vencida e se desfizesse de si mesma.
 Ela tinha quase certeza que Marcos estava a caminho, e seu quase desapareceu quando a porta foi chutada com violência e seu vaso caro que havia comprado em uma de suas viagens se esmigalhou no chão, assim como seu interior. Seus olhos tomaram um tom de medo e descompasse, e ela sentiu que se fizesse alguma coisa além de proteger seu rosto e colocar-se em posição fetal, abraçando os joelhos no canto da parede, seria seu fim.
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- Eu já estou cansado, sua cadela desgraçada. - gritava de forma gutural - Cansado de ser o cara para quem você liga quando está afim de suprir suas verdadeiras necessidades, sua rameira filha de uma piranha de marca maior. As necessidades que aquele frouxo do seu namorado não consegue suprir. - afirmou, aproximando-se da mulher encolhida e amedrontada ao fundo da sala.
 Marcos não queria nada além de ter aqueles lábios macios somente para ele. De ter aquele corpo à meia luz sem repartições ou dívidas... Impasses. Sua irritação era o fato de a verdade se escancarar em seus olhos todos os dias, ao perceber que, no fim das contas, a mulher que mais o fazia arder em desejo não era sua por totalidade. A mulher que não lhe deixava pregar os olhos, não tinha sua prioridade, mas sim a de outro homem. Se isso justificava as marcas que, logo mais, deixaria em seus braços e em outras partes do corpo? Tanto faz.
 Ela merecia cada uma delas.

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