Alma inquieta e intensa era o que Marina irradiava. Robert tramava nas escuras de suas válvulas pensantes sobre como aquilo fora fácil. Entediante. Beijá-la havia sido bom, mas não enlouquecedor. Tocar seus lábios macios havia aguçado a candura de seus olhos, ele não podia negar, mas não ao ponto de não conseguir extasiar-se ao ver os fuzis de ônix que lhes eram apontados enquanto tocava seus lábios aos de Marina. Caio, o rapaz mais frouxo e babaca que já havia conhecido estava com íris marejadas e enrubescidas. Paralisado estava ele, como se a mais doce gazela tivesse sido atingida por um dardo qualquer, ou melhor, não tão qualquer assim: um dardo chamado Robert Wakcher.
Enquanto disseminava pensamentos quentes e sujos a respeito da "mais doce gazela"- pensara, enojando-se com o apelido açucarado. - imaginava o rosto de Caio e em como ele queria que o mesmo fosse menos molóide e viesse tomar satisfações. Robert estava ávido por uns bons socos na face. Louco por alguns hematomas pelo corpo e boas doses de vitimização. Era tudo o que ele mais almejava e que, literalmente, correria atrás com fervor nessa nova jornada.
Marina não iria negar para si mesma e nem para ninguém no mundo de como aquele beijo havia sido bom e cheio de dulçor, o melhor que já desfrutara em toda a sua vida amorosa. Se o negasse, seria digna do inferno, pois a mentira está dentre os palanques pecaminosos. Deitada em sua cama, velejava pelos olhos de Robert, o rapaz mais viciante e cheio de entrelinhas que ela já havia conhecido na vida. Nesses momentos a imaginação é uma grande aliada.
A cada dia Marina sentia-se menos culpada por terminar seu relacionamento com Caio. Apesar de saber que ela sempre fora um namorado muito leal, amoroso e compreensivo, também tinha plena certeza de que ele jamais passaria disso. Jamais passaria de um bom namorado...
O que quer que fosse o que Robert estivesse fazendo no momento, ela sabia: aquele beijo se eternizaria em seus lábios como as estrelas, que mesmo mortas, retém o fulgor.
Robert estava em casa, comendo um enlatado qualquer, como de costume, enquanto praguejava a existência do mesmo. Cabelos bagunçados e roupa maltrapilha combinavam com seu humor, apesar dos bons momentos que tivera ao caminhar e beijar Marina logo pela manhã, onde seus hormônios estão em alerta para qualquer sinuosa curva feminina, principalmente no caso daquela gostosa. Hmmm. Aquelas curvas ainda o fariam cometer alguma besteira, mas nada que já não o tivesse cometido outras vezes, como em algumas madrugadas pretéritas em que precisava colocar a "vida" em dia... Ele sabia que com a menina dos cabelos negros era diferente, mas não podia negar sua essência pecaminosa.
Robert sabia que envolver-se com aqueles doces olhos amendoados poderia mudá-lo para sempre. A única coisa que, talvez, ele não soubesse, é que ele lutaria com todas as forças justamente para isso.
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