quarta-feira, 29 de julho de 2015

Devasso Prazer (3˚ Capítulo)

Existe uma grande fenda entre o certo e o errado, mas com certeza não faria nenhum grande contraste.
Existe um abismo entre o medo e o agir impensado, porém a indiferença se torna a ponte.
Não existe amor.
Robert poderia até ter aberto mão de seu lado negro, mas se fosse por isso, que se matasse. Existem coisas que sentimentos fraternos não podem dar valor. Coisas que só o menosprezo e a insensibilidade podem nos dar. Sentado num banco qualquer, sadicamente pensava sobre como seria terrível acordar pela manhã sem ter cometido nenhuma indolência. Ele sabia que aquilo machucaria alguém, mas esse era o objetivo final. Era madrugada, sexo pago não tinha graça e nunca teve. Prostitutas não sabem atuar. Prostitutas são um lixo. Fazer amor? Procurar alguém para se aventurar em um flerte casual? Cansativo demais.
 Ele precisava agir rápido caso ainda quisesse se divertir naquela madrugada. O que fazer?-Levantara-se, caminhando em direção ao parque deserto. Aquele lugar era sombrio, muitos considerariam assustador. Ao chegar mais perto, sentou-se debaixo de uma das muitas árvores que povoavam o local, que não tinha muita iluminação, mas o suficiente para perceber que não estava só. Havia um casal ali. Eles estavam brigando, e feio. Ouviu barulhos de tapas, de alguém caindo no chão e, em seguida, o reflexo de um homem esvaindo-se pelas sombras do parque.
 Existiam muitas possibilidades, mas nenhuma delas era positiva. Existia uma variedade de escolhas, mas nenhuma dela incluiria ajudar a vítima. Na mochila ele carregava alguns brinquedinhos que lhe poderia ser úteis. Ele iria se divertir.
 A passos curtos caminhava em direção à presa, que, graças à nequícia que se alojava em seu ser, teria o pior dia de sua vida. Claro que ela teria direito às últimas palavras, mas normalmente esses idiotas são burros e não sabem escolher direito. É incrível, dá-se a chance de eles pronunciarem seu ultimo verbete em terra e eles só sabem dizer "Por favor, mimimi, me deixe viver". - Realmente, nessas horas dá vontade de nunca mais oferecer-lhes a oportunidade... Robert nunca havia matado alguém, mas amava o desespero do último fôlego. Amava ver a dor dilacerando e refletindo no rosto. O medo de morrer sem dizer seu último adeus aos familiares... Aquilo era melhor que sexo ou drogas. Era algo que só a sordidez a devassidão podem proporcionar. Algo que somente psicopatas poderiam considerar prazeroso.

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